PSICOLOGIA EXPERIMENTAL
TEMAS E EXPERINCIAS

AMNCIO DA COSTA PINTO


Ttulo: Psicologia Experimental: Temas e Experincias
Autor: Amncio da Costa Pinto Edio
Depsito Legal: 41294/90 
ISBN: 972-95353-0-2


O nosso propsito  mostrar com que esprito trabalha a psicologia experimental, 
quais os mtodos que ela escolheu para aplicar num domnio em que muito no acreditaram 
 e no acreditam ainda  que a experimentao seja possvel e fecunda.
Fraisse (1979/1984, p. 10)


Introduo

A psicologia experimental refere-se em termos gerais a qualquer rea da psicologia 
que aplica o mtodo experimental. Em termos mais restritos, o objecto da psicologia 
experimental  geralmente considerado como o estudo e o estabelecimento dos processos 
cognitivos bsicos e fundamentais. Na investigao dos processos cognitivos fundamentais 
foram excludos os estudos sobre diferenas individuais e grupais. As razes foram vrias. 
Por um lado os experimentalistas pressupem que, apesar das diferenas individuais, os 
processos fundamentais da cognio humana seriam semelhantes entre pessoas e raas. Por 
outro, a investigao experimental tem por objectivo fundamental determinar as causas ou 
antecedentes do comportamento humano, tarefa que no seria possvel realizar na 
investigao cientfica das diferenas individuais, onde quando muito se poderiam 
estabelecer padres de correlao entre respostas.

A demarcao da psicologia experimental

A excluso das diferenas individuais do domnio da psicologia experimental nem 
sempre existiu porm. Durante os anos 20 e 30 do sculo XX houve um intenso debate 
sobre se se deveria incluir ou no no conceito de experincia os testes mentais e a medida 
das diferenas individuais. Por exemplo, Cattell (1926) publicou um artigo na revista 
Science intitulado Algumas experincias psicolgicas onde se referem experincias 
sobre testes mentais e medidas de diferenas individuais. Estes estudos experimentais so 
hoje classificados como estudos correlacionais. Por sua vez, Garrett (1930) tambm incluiu 
no seu livro Experincias clebres em psicologia estudos como o desenvolvimento do 
teste de inteligncia de Binet, o desenvolvimento do teste alfa do exrcito e a medida 
das diferenas individuais de Calton. Ainda em 1937 no havia consenso sobre o que se 
deveria entender por experincia. Bentley (1937) num artigo sobre a natureza da 
experimentao em psicologia referiu oito significados diferentes para o termo 
experincia.
Actualmente considera-se que a demarcao da psicologia experimental em relao 
 psicologia diferencial se ficou a dever  interpretao do conceito de experincia proposta 
por Woodworth (1938) no clebre livro Psicologia Experimental. Woodworth refere que 
uma experincia consiste na manipulao activa da varivel independente de forma a 
observar-se os seus efeitos na varivel dependente. Segundo Woodworth (1938) a varivel 
independente dos experimenta listas  antecedente em relao  varivel dependente; uma 
 causa (ou parte da causa) e a outra o efeito. O correlacionista estuda a interrelao entre 
diferentes efeitos, (ob. cit., pg. 3).
Assim as causas do comportamento apenas poderiam ser determinadas pela 
manipulao activa da varivel independente. No planeamento de uma experincia o 
experimentador tenta controlar os factores da situao de forma a poder estabelecer relaes 
significativas entre antecedentes (factores da varivel independente) e censequentes 
(respostas do organismo expressas na varivel dependente).
A reduo gradual das conotaes do conceito experincia que at aos anos 30 
englobava qualquer tipo de investigao emprica passou a incluir, a partir da obra de 
Woodworth (1938), apenas as investigaes que activa e sistematicamente manipulassem os 
factores da varivel independente. A partir desta data, a maior parte dos investigadores, 
incluindo Skinner e Tolman, passaram a adoptar nas suas publicaes a linguagem de 
varivel independente e varivel dependente e a identificar a varivel independente 
como a causa do comportamento. Assim o mandamento novo do experimentalista passou 
a ser Manipulars a varivel independente, Evans (1990).

Temas centrais da psicologia experimental

A psicologia experimental consiste na aplicao do mtodo experimental a 
problemas relacionados com os processos cognitivos bsicos e fundamentais. Neste aspecto 
a psicologia cognitiva  virtualmente sinnimo de psicologia experimental.* Entre os temas 
principais que a psicologia experimental inclui no seu mbito figuram a psicofsica, a 
ateno e percepo, a aprendizagem, a memria, a linguagem e actividade intelectual, a 
motivao e a personalidade. Desde a publicao do livro de Woodworth (1938), at aos 
tratados de psicologia experimental mais recentes tem-se verificado uma constncia 
aprecivel destes temas bsicos ao longo dos anos.
A Tabela 0.1 inclui uma listagem dos temas de psicologia experimental que foram 
objecto de captulos prprios em sete obras publicadas nos ltimos 30 anos. Apesar destas 
obras terem um volume e extenso muito diferentes,  possvel observar uma sobreposio 
bastante grande de temas comuns. Em geral, so obras que dedicam alguns captulos  
metodologia experimental e os restantes  reviso da literatura nos domnios dos processos 
cognitivos fundamentais.

* Inicialmente o ttulo deste livro era para ser Psicologia Cognitiva: Temas e 
Experincias. A alterao pretende significar a minha homenagem a todos aqueles que 
iniciaram no ano lectivo de 1912-1913 na Umversidade de Coimbra e mantiveram desde 
ento a longa tradio da disciplina de Psicologia Experimental no curriculum 
umversitrio Portugus.

Psicologia experimental e psicologia laboratorial

Se a psicologia experimental se demarcou da psicologia diferencial, surge no 
entanto muitas vezes associada  psicologia laboratorial. Houve alturas mesmo em que a 
psicologia experimental parecia ter ficado reduzida  psicologia laboratorial. Esta reduo  
no entanto duplamente incorrecta. Por um lado a aplicao do mtodo experimental no 
estudo dos processos fundamentais da cognio humana pode, em certas circunstncias, 
efectuar-se fora do laboratrio, o que tem vindo a acontecer gradualmente em certos 
domnios. Por outro lado, reas da psicologia, como a psicologia do desenvolvimento, a 
psicologia diferencial e a psicologia social podem efectuar


Tabela 01: Descrio dos temas abordados em diversos livros que se intitularam de 
Psicologia Experimental e que foram publicados desde 1935 at 1989. (Pg. 10)


investigao laboratorial sem que tais estudos possam ser catalogados de Psicologia 
experimental.
Por exemplo, a determinao dos efeitos das diferenas de idade e sexo nos tempos 
de reaco pode implicar uma investigao laboratorial, mas os estudos a realizados so 
para todos os efeitos estudos respectivamente de desenvolvimento e diferenciais. Ao 
contrrio dos estudos experimentais, em que a distribuio dos sujeitos pelos grupos  feita 
ao acaso, nestes estudos de desenvolvimento e diferenciais os sujeitos antes de entrarem no 
laboratrio pertencem j a grupos pr-definidos.
Apesar de poder ser dispensvel num ou noutro caso o laboratrio  fundamental em 
psicologia experimental. Primeiro  no laboratrio que mais facilmente se pode determinar 
com preciso e depois manipular os factores da varivel independente, Por exemplo, se se 
quiser determinar os efeitos do tempo de exposio na aprendizagem e memria de uma 
lista de palavras e se a manipulao implicar valores de exposio de 500 milsimos de 
segundo, um segundo e cinco segundos respectivamente  necessrio recorrer a 
equipamento que seja capaz de expor este tipo de material nos valores seleccionados.
Com este tipo de objectivos foram inventados vrios aparelhos psicolgicos. O 
taquistoscpio  um aparelho que permite apresentar diversos materiais visualmente durante 
perodos que variam de um milsimo de segundo a vrios segundos; O cilindro de memria 
permite apresentar listas de palavras a ritmos normalmente superiores a cerca de meio 
segundo; O adaptmetro de obscuridade de Piron apresenta um estmulo luminoso sob sete 
intensidades muito baixas, permitindo paralelamente estabelecer o tempo que demora a 
detectar cada um deles; o aparelho de desenho ao espelho, permite estudar os efeitos de 
transferncia de treino motor; o reaccimetro permite apresentar estmulos visuais e 
auditivos, alm de vrios tipos de estmulos dentro de cada modalidade, entre outros 
aparelhos.
Segundo, o laboratrio permite ainda controlar os efeitos das variveis parasitas que 
o experimentador suspeita estarem relacionadas com os factores da varivel independente. 
Em experincias de percepo do brilho, por exemplo, a luminosidade do local onde as 
experincias so realizadas tem de ser controlada, possivelmente efectuando a experincia 
numa cmara escura onde se possa regular a intensidade da luz. Tambm deve ser 
controlada a luminosidade do local onde se realizam as experincias de tempos de reaco 
visuais e o rudo quando se tratar de experincias de tempos de reaco auditivos.
O uso de cmaras escuras, cmaras insonoras, controladores da intensidade da luz 
so recursos habitualmente encontrados num laboratrio de psicologia. Alguns dos aparelhos 
anteriormente referidos permitem, alm da determinao e manipulao das condies da 
varivel independente, manter constantes outras variveis. Por exemplo, o reacc6metro 
permite manipular a cor dos estmulos, mantendo constante a respectiva durao, ou vice-
versa.
Terceiro o laboratrio inclui ainda equipamento que permite medir com preciso os 
resultados do comportamento de um sujeito ou organismo. Entre os aparelhos mais 
importantes deve naturalmente figurar uma meia dzia de bons cronmetros electrnicos 
capazes de medir o tempo em umdades de milsimos de segundo e com possibilidades de 
serem ligados por cabos elctricos a outros aparelhos. O reaccimetro  um aparelho tpico 
do laboratrio de psicologia, permitindo fazer variar algumas caractersticas dos estmulos 
visuais e auditivos, manter constantes outros factores e ainda medir os tempos de reaco de 
um sujeito numa situao especfica em valores de centsimas ou milsimas de segundo; O 
dinamgrafo  um aparelho que permite registar situaes de esforo e fadiga; O 
estesimetro permite medir a sensibilidade tctil; O esteremetro de Michotte permite 
medir a percepo da distncia em condies de viso monocular ou estereoscpia. J mais 
no mbito da psicofisiologia, o polgrafo  um aparelho que permite registar diversas 
medidas orgnicas e psicofisiolgicas, como o ritmo cardaco, as ondas cerebrais e a 
conductibilidade da pele em funo do estado emocional (neste ltimo caso tambm o 
psicogalvanmetro); Para uma descrio mais pormenorizada destes aparelhos, veja-se 
Fraisse (1974).
Actualmente alguns destes aparelhos so substitudos pelo computador, que atravs 
de programas desenvolvidos para o efeito, permite apresentar, quer visual quer 
auditivamente, uma enorme variedade de estmulos e simultaneamente registar com 
preciso as respostas dos sujeitos. O computador substituiu plenamente os cilindros de 
memria, que se tornaram peas de museu. No entanto tem sido mais difcil ao computador 
substituir plenamente o taquistoscpio, atendendo ao ritmo lento de renovao da imagem 
do cran do computador que  da ordem dos 17 milsimos de segundo e respectivos 
mltiplos. No que se refere ao registo do tempo em valores de milsimos de segundo, os 
reaccimetros so ainda um recurso vlido num laboratrio de psicologia experimental.

Os laboratrios de psicologia em Portugal

Em termos de data de fundao os laboratrios de psicologia em Portugal tm uma 
longevidade bastante respeitvel. O primeiro laboratrio de psicologia experimental foi 
fundado na Faculdade de Letras de Coimbra no ano lectivo de 1912/1913 por Alves dos 
Santos (Gomes, 1990; Abreu, 1990) e o segundo em 1930 na Faculdade de Letras de 
Lisboa por Matos Romo (Abreu, 1990; Lima, 1949).
No que se refere ao ensino umversitrio da psicologia em Portugal, a psicologia 
experimental foi juntamente com a disciplina de psicologia uma das duas disciplinas 
psicolgicas a serem leccionadas na Umversidade de Coimbra.* Na legislao de 1930 e 32 
sobre a reforma das Faculdades de Letras, o ensino umversitrio da Psicologia voltou a ser 
contemplado com duas cadeiras, uma de Psicologia geral no 12 ano e outra de psicologia 
experimental no 42 ano da licenciatura em Cincias Histrico-Filosficas.
Com a nova legislao de Outubro de 1957 e de Outubro de 1958, a Psicologia 
surge no plano de estudos da nova licenciatura em Filosofia com duas disciplinas, uma de 
Introduo  Psicologia no 1 ano e outra de Psicologia Experimental no 2 ano, 
havendo duas aulas tericas e duas aulas prticas em cada uma das duas cadeiras. As aulas 
prticas eram para ser realizadas no laboratrio de psicologia. A legislao previa ainda um 
Seminrio em Psicologia no 5 ano para quem desejasse preparar tese de licenciatura em 
Psicologia.
A histria da criao do primeiro laboratrio de psicologia na Umversidade de 
Coimbra est bem documentada, tendo sido recentemente objecto de duas contribuies 
importantes (Comes, 1990; Abreu, 1990). O mesmo no acontece com o ensino da 
Psicologia e a fundao do laboratrio de psicologia na Faculdade de Letras da 
Umversidade do Porto. Neste sentido gostaria de apontar algumas notas (veja-se, Borges e 
Pinto, 1987), que outros mais capazes e interessados por este assunto possam aproveitar 
para um estudo histrico posterior.

* Segundo Comes (1990) Quer este Decreto de 9 de Maio de 1911, quer um 
Decreto de 19 de Agosto de 1911, que aprova o Regulamento das Faculdades de Letras, ao 
ocuparem-se da distribuio das disciplinas pelos diferentes grupos, colocam no 62 grupo 
(Filosofia) a disciplina de Filosofia (...) e a disciplina de Psicologia Experimental. Por sua 
vez, o artigo 219 do Decreto de 19 de Agosto que se ocupa dos trabalhos prticos a que os 
alunos eram obrigados, explicita-se que, entre as formas principais que esses trabalhos 
revestiriam, uma delas seriam os Exerccios de Psicologia Experimental, (ob. cit., p. 4).

O laboratrio de psicologia na Faculdade de Letras da U. P. 
Na Umversidade do Porto o ensino da Psicologia surgiu com a reabertura da 
Faculdade de Letras em 1961. Durante os anos 60 a regncia das cadeiras de Psicologia foi 
assegurada por docentes do curso de Filosofia de que se destaca Maria Carmelita Sousa e 
do curso de Medicina nomeadamente Lus de Pina, Fernandes da Fonseca e Sofia Moreira. 
No incio dos anos 70  de referir a participao de Isolina Borges na leccionao das 
disciplinas de Psicologia do curso de Filosofia, sobretudo a de Psicologia Experimental, 
Borges (1972).
Para apoio das aulas prticas das disciplinas de Psicologia, principalmente a de 
Psicologia Experimental que fazia parte do 2 ano do curso, foi fundado um laboratrio de 
psicologia experimental na Faculdade de Letras da Umversidade do Porto. Da organizao 
deste laboratrio foi incumbida Maria Carmelita Sousa sob a superviso do ento professor 
catedrtico de Psiquiatria Doutor Lus de Pina. O estabelecimento do laboratrio decorreu 
em duas fases. Uma inicial durante o ano lectivo de 1964/1965 onde foram adquiridos 
principalmente testes de inteligncia, aptides e de personalidade e questionrios de 
interesses, alm de um ou outro aparelho.
A segunda fase de instalao do laboratrio de psicologia ocorreu no ano lectivo de 
1971/1972, onde foram adquiridos principalmente aparelhos de laboratrio e livros de 
psicologia. Ao laboratrio e  biblioteca foi destinado na altura uma sala especfica. A 
biblioteca de Psicologia teria nessa altura  volta de meio milhar de livros. Assinale-se a 
propsito que sem a colaborao e interesse manifestado pelo ento responsvel do curso 
de Filosofia, Professor Doutor Eduardo Soveral, a constituio do laboratrio de psicologia, 
da biblioteca, assim como a formao em psicologia de docentes interessados, no teriam 
sido possveis.
O apetrechamento do Laboratrio de Psicologia era na altura bastante satisfatrio. 
Em termos de equipamento era constitudo por dois aparelhos de tempos de reaco 
(reaccimetros), um taquistoscpio de dois campos, um audimetro, vrios aparelhos de 
controle motor como o tremmetro em V e o teste de torneiro, aparelhos de discriminao e 
mistura de cores, o adaptrnetro de obscuridade de Piron, etc.
Todo este equipamento foi graciosamente transferido do curso de Filosofia da 
Faculdade de Letras do Porto para o curso de Psicologia em Setembro de 1977, estando a 
maior parte dos aparelhos ainda a ser utilizado no apoio das aulas prticas da disciplina de 
Percepo, Aprendizagem e Memria no ano lectivo de 1990/91.

O laboratrio de psicologia do curso de Psicologia da U. P. 
Desde o ano lectivo de 1977/78 o laboratrio de psicologia experimental do curso 
de Psicologia da Faculdade de Psicologia e de Cincias da Educao do Porto tem vindo a 
ser gradualmente enriquecido. Assim nos anos de 1978 e 1979 foi contemplado com um 
montante significativo das verbas de capital do oramento do curso de Psicologia, alm de 
um subsdio da Fundao Gulbenkian. Em Julho de 1981 o laboratrio foi ainda depositrio 
de todo o equipamento laboratorial do centro de psicologia da Fundao Gulbenkian, 
quando esta instituio decidiu encerrar o seu Centro de Oeiras. Para este apoio muito 
contribuiu na altura o Professor Doutor Machado Cruz, Presidente da Comisso Instaladora 
do Curso de Psicologia. Mais recentemente em 1987, o laboratrio voltou a ser beneficiado 
com uma verba do oramento do PIDAC atribuda  Faculdade de Psicologia.
Em termos de ensino, a disciplina de Psicologia Experimental fez parte do 
curriculum do curso de Psicologia da Umversidade do Porto desde a sua criao no ano 
lectivo de 1977/78 at ao ano lectivo de 1986/87, altura em que foi substituda pela criao 
de duas novas disciplinas de Percepo, Aprendizagem e Memria e Linguagem e 
Cognio. Nos anos lectivos de 1977 a 1979 a regncia da disciplina de Psicologia 
Experimental contou com a colaborao de Ian Martin Clifton Everest, doutorado pela 
Umversidade de Cambridge.
Alm das funes de apoio a algumas disciplinas do curso de Psicologia, o 
laboratrio de psicologia experimental apoiou nos anos 80 investigaes que conduziram a 
duas provas de doutoramento (Pinto, 1984; Castro, 1988) e trs provas de mestrado (Castro, 
1983, Lencastre, 1988; Maia, 1990) por parte de docentes da Faculdade. Equipamento do 
laboratrio de psicologia experimental tem sido ainda usado por docentes da rea de 
psicologia social do curso de Psicologia, nomeadamente por parte de Flix F. M. Neto e 
Jos C. M. Marques e ainda por investigadores de outras instituies umversitrias, como o 
Instituto de Biomdicas Abel Salazar do Porto e da Umversidade Livre de Bruxelas.
Em termos de apoio lectivo, o laboratrio tem desempenhado um papel de relevo, 
embora a contribuio possa ser ainda mais ampla no futuro. Em termos de produo 
cientfica realizada segundo uma metodologia experimental, o papel do laboratrio tem sido 
bastante mais modesto. Infelizmente tambm em Portugal a investigao experimental  
modesta. O que  uma pena.
A investigao experimental em Portugal tem um passado notvel, quer do ponto de 
vista de enquadramento legal quer do apoio umversitrio (Gomes, 1990; Abreu, 1990; 
Lima, 1949). Acrescente-se ainda que foi numa rea central da psicologia experimental, a 
memria humana, que Slvio Lima submeteu em 1928 a sua dissertao de Doutoramento  
Faculdade de Letras da Umversidade de Coimbra, o primeiro Doutoramento realizado em 
Portugal (Lima, 1928). Vrias explicaes para esta apatia tm sido formuladas.
Abreu (1979, 1990) refere razes de dificuldade de constituio de equipas de 
investigao nestas reas e a existncia de uma atitude reverente por parte de alguns 
Portugueses por tudo quanto  estrangeiro. Estas razes parecem-me apropriadas, mas 
penso que se deveria ter em conta tambm o facto de que grande parte da investigao 
anglo-saxnica ser de caractersticas experimentais, assim como a investigao Francesa 
(Fraisse, 1984), tendo estagiado nestes locais a maior parte dos investigadores Portugueses. 
Possivelmente a reverncia apenas tem assimilado os contedos em vez dos mtodos e 
paradigma.
Talvez seja de acrescentar uma outra razo, relacionada com o carcter 
vincadamente profissionalizante dos actuais cursos de Psicologia em Portugal. Se este 
tendncia foi importante e mesmo necessria na dcada de 80 a fim de melhor facilitar o 
enquadramento profissional dos licenciados em Psicologia, parece-me que a manter-se nos 
anos 90 poder causar uma desvalorizao permanente da investigao fundamental, 
dificultando ainda mais a constituio de grupos de investigao nas reas da psicologia 
experimental.

Organizao e objectivos do livro

Este livro  constitudo por 12 estudos realizados nas aulas prticas das disciplinas de 
Psicologia Experimental, Percepo, Aprendizagem e Memria e Psicologia dos 
Processos Cognitivos desde 1985 at 1990 seguindo uma metodologia experimental. So 
quase todos replicaes de investigaes notveis nas reas dos tempos de reaco, 
psicofsica, percepo, aprendizagem verbal e memria humanas, alm dos processos de 
repetio e formao de imagens.
Poder-se-ia afirmar que a organizao do livro integra-se grosso modo num modelo 
que considera o ser humano como um processador de informao. O modelo de 
processamento de informao, de que o computador  a referncia tecnolgica mais 
exemplar,  um entre vrios modelos propostos pelos investigadores para melhor interpretar 
e explicar a cognio humana. Outros modelos j foram propostos como a tbua de cera e a 
gaiola, sistemas hidrulicos e telefnicos. Neisser (1982) referiu que cada poca tem o seu 
modelo de mente baseada na tecnologia em vigor e Silva (1968) sublinhou que no domnio 
das metforas antropomrficas h muito por onde escolher, ob. cit., p. 33.
A associao entre mente e computador, enquanto sistemas de processamento de 
informao, pode ser til se for situada nos seus devidos limites at porque em termos 
metafricos so mais as diferenas do que as semelhanas (e.g., Abreu, 1978). O importante 
na metfora mente-computador  a similaridade da funo, em vez da similaridade do 
equipamento ou estrutura. Em termos fsicos h muito menos caractersticas comuns entre o 
baco e o computador do que entre o computador e outras mquinas. No entanto tanto o 
baco como o computador tm uma funo comum importante. So mquinas de somar.
Assim na metfora mente-computador o importante tem sido ressaltar as eventuais 
funes comuns. No computador a informao recebida  codificada, armazenada, 
comparada e recuperada. Por sua vez, estas funes apresentam similaridades notveis com 
os processos de percepo, aprendizagem e memria. Para mais informaes, veja-se Abreu 
(1978); Massaro (1989); Sternberg (1969).

A realizao destes 12 estudos teve o duplo objectivo de introduzir os alunos num 
tema central da psicologia cognitiva experimental e ainda tornar explcito os diferentes 
procedimentos de manipulao das variveis independentes, o controle das variveis 
parasitas e o processo de registo das variveis dependentes. Os estudos 1 a 4 referem-se  
percepo de estmulos visuais e auditivos e  rapidez da resposta do sujeito em funo da 
complexidade da tarefa  realizar; O 5 estudo aborda a natureza da codificao sensorial 
auditiva; O 6 analisa a amplitude e extenso da memria imediata; O 7 examina o 
esquecimento na memria a curto prazo; 0 8 investiga as relaes entre memria a curto 
prazo e memria a longo prazo; o 11 e o 12 abordam importantes efeitos da memria a 
longo prazo e finalmente os estudos 9 e 10 focam os processos cognitivos de repetio e 
formao de imagens e a sua relevncia na reteno humana.
Cada um dos 12 estudos inicia-se com uma Introduo que pretende ser to extensa 
e actualizada quanto possvel sobre os estudos realizados em cada rea. A seco de 
Mtodo descreve os procedimentos experimentais seguidos com suficiente pormenor para 
poderem voltar a ser replicados por outros investigadores. Neste sentido incluiu-se um 
Apndice a cada estudo, onde os materiais instrues e outros elementos relevantes so 
descritos. Nas seces dos Resultados e Discusso, os dados obtidos so descritos, 
analisados estatisticamente e interpretados. Na Bibliografia so referidas as obras citadas, 
alm de outras que pela sua importncia ou actualidade merecem ser recomendadas.
A maior parte do vocabulrio ingls relacionado com os temas de percepo, 
aprendizagem e memria e situados num modelo de processamento de informao foram 
traduzidos tendo em considerao a terminologia adoptada por investigadores Portugueses 
que publicaram estudos nestes reas (e.g., Abreu, 1978; Simes, 1982; Raposo, 1983). A 
fixao dos termos no  porm consensual, havendo grandes vantagens num trabalho 
futuro a realizar neste domnio.
Este livro destina-se a todos os interessados nos temas da aprendizagem verbal e 
memria humanas, especialmente queles que na docncia de temas de Psicologia 
Experimental e Psicologia Cognitiva necessitam de efectuar uma experincia de 
demonstrao. Neste sentido esta obra pretende inserir-se, embora num outro tempo e 
contexto, na tradio das publicaes de Stevens, Herrnstein e Reynolds (1965), Snellgrove 
(1971), Fraisse (1974), entre outros.
Esta obra  o resultado de cerca de cinco anos de trabalho e resume muito do, 
esforo que eu e os meus colaboradores mais directos dedicaram ao planeamento, 
preparao dos materiais, montagem das experincias e anlise dos resultados. De entre os 
colaboradores gostaria de referir a Dra. Teresa Leal que trabalhou de 1985 a 1988 e o Dr. 
Pedro Albuquerque a partir de 1988. Ao Dr. Pedro gostaria ainda de agradecer o trabalho de 
leitura final e as sugestes propostas, muitas das quais foram tidas em considerao. Ao 
Centro de Psicologia da Umversidade do Porto (INIC), de que sou membro, gostaria de 
agradecer o apoio financeiro concedido.
Finalmente gostaria de agradecer aos meus alunos e ex-alunos que, atravs da 
participao atenta e diligente nas experincias aqui descritas, demonstraram algumas das 
mais importantes regularidades do comportamento e da mente humana. A todos eles  
dedicado este livro.

Porto, 11 de Janeiro de 1991


Bibliografia

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1

Tempos de Reaco Simples, Discriminao e de Escolha: 
Estudo de Alguns Factores

Os tempos de reaco (TR) so uma das variveis dependentes mais importantes em 
psicologia. Este estudo teve por objectivo descrever dois modelos explicativos influentes 
dos TR (os modelos de Donders e Sternberg) referir os principais factores que influenciam 
os TR e apresentar quatro estudos experimentais, onde alguns destes factores foram 
manipulados. Assim em cada estudo experimental pretendeu-se verificar; (1) Os efeitos da 
modalidade sensorial nos TR simples; (2) O efeito da frequncia sonora nos TR de 
discriminao; (3) O efeito do tipo de resposta motora nos TR de escolha; (4)
O efeito da apresentao de varias alternativas nos TR de escolha. Os resultados 
obtidos esto em grande parte de acordo com investigaes similares realizadas. Assim os 
TR simples auditivos foram mais rpidos em mdia 31 ms do que os TR visuais; No houve 
diferenas nos TR de discriminao aos sons graves e agudos seleccionados; Nos TR de 
escolha as respostas com a mo foram mais rpidas do que com o p em mdia 60 ms; Os 
resultados indicaram ainda que o tempo de reaco aumenta logaritmicamente com o 
nmero de alternativas apresentadas. Em concluso os TR obtidos nas diversas tarefas so 
comparados e discutidos de acordo com os modelos apresentados.

Introduo

O tempo de reaco (TR)  uma das variveis dependentes mais importantes na 
investigao psicolgica, tendo sido objecto de estudo desde o comeo da histria da 
psicologia. O tempo de reaco  geralmente definido como o intervalo de tempo que 
decorre entre o aparecimento de um estmulo e o incio de uma resposta voluntria.
O tempo de reaco surge ainda associado ao tempo de movimento (TM) e tempo 
de resposta (TRP). Tempo de movimento  o tempo que demora a completar uma resposta, 
depois de iniciada. Tempo de resposta  o perodo de tempo que decorre entre a 
apresentao do estmulo e o final da resposta ao mesmo. Considere-se por exemplo a 
corrida olmpica dos 100 metros. O TR seria o perodo que decorre entre o instante em que 
a pistola dispara e a separao do p do atleta do encaixe em que repousa; O TM seria a 
corrida at  meta e o TRP seria o tempo total desde o momento do tiro da pistola at ao 
cortar a linha da meta.
Os tempos de reaco podem ainda ser classificados em TR simples (TRS), TR de 
discriminao (TRD) e TR de escolha (TRE). Nos TRS h aplicao de um nico estmulo, 
para o qual existe uma resposta pr-definida, sendo a nica incerteza da situao o facto do 
sujeito no saber quando ser aplicado o estmulo. Exemplo de uma tarefa poder ser premir 
um boto logo que surja uma luz vermelha.
O TRD implica a apresentao de dois ou mais estmulos a que o sujeito responde 
apenas a um deles, ignorando os outros. Uma tarefa ilustrativa seria premir um boto se a luz 
fosse vermelha; no reagir, se a luz for de outra cor. Nos TRE so apresentados dois ou mais 
estmulos diferentes, cada um com a sua resposta especfica. Por exemplo, premir o boto A 
se a luz for vermelha ou premir o boto B se a luz for verde.

O problema dos TR foi pela primeira vez equacionado pelo astrnomo prussiano 
Bessel em 1823 quando soube que no observatrio de Greenwich o astrnomo Maskelyne 
tinha despedido o seu assistente por este Ter assinalado a passagem de uma estrela sobre 
um fio de cabelo na objectiva do telescpio 0,8 segundos mais tarde do que ele prprio. 
Bessel sugeriu que a diferena entre Maskelyne e o seu assistente no teria sido devida a 
indolncia ou a qualquer erro propositado, mas talvez a diferenas naturais entre as pessoas. 
Neste sentido Bessel desenvolveu equaes pessoais de forma a transformar os registos das 
observaes de um astrnomo nas de outro.
Actualmente considera-se que os primeiros trabalhos sistemticos sobre TR foram 
realizados pelo fisiologista austraco Helmholtz (1821-1894) que props um paradigma para 
o estudo da conduo neurosensorial em sujeitos humanos por alturas de 1850. Helmholtz; 
realizou uma experincia em que aplicou a um sujeito uma corrente elctrica fraca no 
cotovelo ou no pulso. O sujeito devia apertar uma tecla logo que sentisse o choque. 
Helmholtz usou o mtodo de subtraco a fim de determinar o valor do TR. Assim medindo 
a diferena de tempo entre a resposta  estimulao na mo e  estimulao no cotovelo, 
Helmholtz calculou a velocidade de conduo dos nervos sensoriais chegando  concluso 
de que apenas uma pequena parte do tempo de reaco era gasto ao longo dos nervos 
perifricos, sendo o restante tempo processada no crebro.
Historicamente o interesse pela equao pessoal ou diferenas individuais passou 
da astronomia  fisiologia e desta  psicologia, neste caso por intermdio dos estudos do 
investigador holands Donders (1818-1889). Donders num artigo intitulado Sobre a 
velocidade dos processos mentais, publicado em 1868, descreve vrias experincias de TR 
procurando medir processos muito mais complexos do que o tempo de transmisso nervosa, 
mas empregando o princpio de subtraco de Helmholtz.

O mtodo subtractivo de Donders         

Donders efectuou vrias experincias de TR com o objectivo de medir a durao 
dos processos que ocorreriam entre a apresentao de um estmulo e a activao de uma 
resposta voluntria. Donders pensou existirem 12 eventos mentais relacionados com a 
situao de TR simples, mas actualmente os investigadores reduziram-nas a trs: Durao do 
estmulo, tempo de deciso, tempo de resposta motora. Donders, incapaz de descobrir um 
mtodo que permitisse medir separadamente cada um dos componentes da reaco A, 
props acrescentar uma ou mais fases na sequncia de processamento mental de forma a 
obter, atravs de subtraces sucessivas, a medida de durao das fases acrescentadas.
Neste sentido Donders props duas novas situaes, denominadas reaco B e C. 
Na reaco B so apresentados dois estmulos diferentes e o sujeito deve responder a cada 
estmulo com uma resposta especfica.  uma tarefa tpica de TR de escolha. Donders 
props que a reaco B inclua todas as fases da reaco A, mais duas novas fases, o tempo 
de discriminao dos estmulos ( X ou Y?), mais o tempo de escolha motora (se  X tenho 
de pressionar o boto C, se for Y o boto D). Deste modo subtraindo o valor da reaco A 
ao valor da reaco B, poder-se-ia obter o valor de durao das duas novas fases includas 
na reaco B.
A fim de determinar a durao de cada uma destas duas fases Donders desenvolveu 
a reaco C, actualmente conhecida por tarefa de tempos de discriminao. Na reaco C  
apresentado aos sujeitos dois estmulos, por ex., X e Y, tendo os sujeitos de produzir uma
resposta especfica, por ex., C, apenas quando surgir o estmulo X Se surgir o 
estmulo Y o sujeito no deve produzir qualquer resposta. Segundo Donders a reaco C 
inclui todas as fases da reaco B, menos o tempo de escolha motora, j que o sujeito no 
gasta tempo a
decidir sobre qual a resposta a dar. Neste sentido, subtraindo o valor do tempo na 
reaco C ao valor do tempo da reaco B, obter-se-ia o valor do tempo de escolha motora. 
Por outro lado, subtraindo o valor do tempo obtido na reaco C ao valor obtido na reaco 
A, obter-se-ia o valor do tempo de discriminao. Veja-se Quadro 1.1. 

Quadro 1.1: Descrio dos processos mentais envolvidos nas reaces de tipo A, B 
e C segundo Donders. (Pg. 25)

O mtodo subtractivo de Donders foi rapidamente adoptado pelos laboratrios de 
psicologia da poca, mas os resultados cedo se revelaram desanimadores. Por um lado 
verificou-se que os valores da reaco C eram s vezes inferiores aos valores da reaco B, 
um caso que no deveria ocorrer devido ao nmero superior de fases envolvidas na reaco 
B. Por outro lado, Wundt argumentou que a reaco C envolvia de facto uma escolha 
motora - uma escolha entre produzir ou no uma resposta. Neste sentido Wundt props 
acrescentar uma nova tarefa, a reaco D. Na reaco D eram apresentados vrios 
estmulos, tendo o sujeito de responder a todos com uma nica resposta, mas depois de 
reconhecer cada estmulo. A reaco D era semelhante  reaco B de Donders no sentido 
em que eram apresentados vrios estmulos e  reaco A no sentido em que uma nica 
resposta era dada a todos os estmulos apresentados. A diferena entre D e A exprimiria o 
tempo de discriminao dos estmulos apresentados, na medida em que os sujeitos eram 
instrudos a responder s depois de terem reconhecido cada estmulo apresentado.
Esta soluo no se revelou satisfatria na medida em que os valores da reaco D 
eram s vezes to rpidos como os da reaco A e outras vezes to demorados como a 
reaco B. Na impossibilidade de se resolverem estas inconsistncias o mtodo subtractivo 
foi abandonado como processo de medida de durao das operaes mentais. Cerca de 100 
anos aps os estudos pioneiros de Donders, Sternberg (1969) retomou o estudo sobre a 
cronometria das operaes mentais, tendo desenvolvido um modelo diferente de 
investigao dos TR, conhecido por mtodo'aditivo. Este mtodo ser referido adiante na 
concluso.
Apesar do fracasso do mtodo subtractivo de Donders os TR continuaram a ser 
usados em diversas tarefas de investigao psicolgica como uma das variveis dependentes 
mais importantes. Para o efeito muito contribuiu a inveno do cronoscpio de Hipp nos 
comeos de 1860, um instrumento mecnico capaz de medir umdades de tempo na ordem 
de milsimos de segundo (0,001 segundo) e com uma margem de erro muito pequena na 
ordem de 1% (Woodworth e Schlosberg, 1954). Alm das medies precisas que o 
cronoscpio de Hipp permitia, este instrumento teve o condo de servir como uma das 
melhores armas de defesa da cientificidade das investigaes psicolgicas face aos estudos 
das cincias consagradas da poca.

Factores que afectam os tempos de reaco 

De acordo com Chocholle (1969) os TR seriam afectados por diversos factores, que 
podem ser classificados como referentes (1)  natureza dos estmulos, (2) s caractersticas 
do sujeito e (3) ao ambiente de realizao da tarefa.

1. Factores relativos ao estmulo: Intensidade do estmulo: Os TR variam de maneira 
aprecivel com a intensidade do estmulo verificando-se geralmente que, na ausncia de 
outros factores e dentro de certos limites, os TR variam inversamente com a intensidade do 
estmulo. Isto significa, por exemplo, que uma luz brilhante elicita uma resposta mais rpida 
do que uma luz tnue. Porque  que tal acontece, se a velocidade de conduo nervosa  
uma caracterstica fsica de um determinado neurnio? Uma explicao possvel teria em 
considerao o nmero e natureza dos neurnios estimulados. Provavelmente uma luz fraca 
excitaria um nmero menor de neurnios ou um tipo de neurnios mais lentos, enquanto 
que uma luz forte activaria neurnios de conduo de impulsos rpidos.
Modalidade sensorial: O tempo para reagir a um estmulo  especfico de cada 
modalidade sensorial. A modalidade sensorial  um factor fundamental na determinao dos 
tempos de reaco, mas a comparao entre as diferentes modalidades  difcil na medida 
em que est dependente da intensidade com que  aplicado o estmulo. De acordo com uma 
pesquisa de Baker (1960), que descreve os valores dos TR simples registados at  altura na 
literatura psicolgica, os valores mais provveis para as diversas modalidades seriam por 
ordem dos mais rpidos: presso, 112  118 ms; audio, 120 - 140; Viso, 130 - 160; Frio, 
150 - 170; calor, 170 - 180; cheiro, 190 - 220, sabor, 280 - 310; dor, 350 - 450 ms.
A amplitude destes valores deve ser considerada apenas para os valores mais 
rpidos, j que os TR mdios para a audio so frequentemente mais da ordem dos 160 ms 
e os da viso da ordem dos 195 ms. Em geral os TR visuais so mais longos cerca de 20% 
em relao aos TR auditivos.
Segundo Davis (1957) as diferenas entre estas duas modalidades sero devidas a 
atrasos no processamento fotoqumico que transforma a luz em energia elctrica. Enquanto 
que os sinais auditivos atingem o crtex cerebral 8 a 9 ms aps a estimulao, os sinais 
visuais apenas atingem a respectiva zona cerebral 20 a 40 ms depois. A esta diferena talvez 
se possa acrescentar uma outra resultante dos mecanismos cerebrais de processamento e 
programao da informao para as diferentes modalidades. No que se refere  velocidade 
de transmisso eferente  pouco provvel que haja diferenas na medida em que so 
utilizados os mesmos msculos para produzir a resposta. Em geral os sujeitos mais rpidos 
numa modalidade sensorial tambm o so noutra.
Pr-aviso e perodo de preparao: O pr-aviso  o sinal que precede o estmulo e 
serve para advertir o sujeito sobre o seu incio. O pr-aviso  uma prtica frequente no 
campo do desporto, provavelmente porque prepara os atletas para maximizar o seu estado 
de prontido na resposta a dar. Existe um intervalo de tempo ptimo para o perodo de 
preparao que antecede a recepo do estmulo. Se este perodo for demasiado longo o 
estado de ateno mxima do sujeito no pode ser mantido durante muito tempo e assim o 
praviso deixa de ter efeito. Se o perodo for demasiado curto o sujeito tenta calcular o final 
do perodo e assim o pr-aviso no ter grande utilidade. H assim um intervalo ptimo 
entre o pr-aviso e o incio da estimulao que se situa entre 1 e 3 segundos.
O valor ptimo do pr-aviso para um determinado TR depende do pr-aviso 
precedente, assim como dos valores de pr-aviso seleccionados para a sequncia de 
obteno dos TR. Sage (1977, p. 243) cita um estudo de Rothstein (1973) onde se verificou 
que os TR mais rpidos so obtidos com o pr-aviso de 3 segundos, quando valores de 1, 2 
e 3 segundos foram apresentados aleatoriamente numa sequncia de ensaios. Por outro lado 
o TR de um ensaio  afectado pelo valor do pr-aviso do ensaio precedente. Assim o TR  
mais rpido num ensaio com pr-aviso longo, se o ensaio precedente tiver tido um pr-aviso 
curto do que na situao inversa.
De notar que o valor do pr-aviso no deve ser constante. Se for constante, o sujeito 
pode calcular aps alguns ensaios o incio da apresentao do estmulo e o valor do TR fica 
reduzido a zero.
Efeito do intervalo de tempo entre estmulos sucessivos: Existe um intervalo ptimo 
entre dois estmulos sucessivos. Se o intervalo de tempo for muito breve o sujeito responde 
ao acaso ao segundo estmulo, s vezes antecipa-se, e outras no chega a responder. Se o 
intervalo for muito grande o sujeito pode cansar-se de esperar.
Os estudos sobre estmulos sucessivos proporcionaram a descoberta de um 
fenmeno denominado o perodo refractrio psicolgico (PRP). Este fenmeno foi 
inicialmente descrito por Telford (1931), aps descobrir que o TR ao segundo de dois 
estmulos apresentados sucessivamente era muito mais longo se o intervalo entre os 
estmulos fosse inferior a 500 ms. Se o intervalo entre estmulos fosse superior a 500 ms o 
TR era mais rpido. Telford sugeriu que o organismo aps reagir ao primeiro estmulo 
necessitaria de um perodo de descanso, durante o qual estaria refractrio  produo de 
qualquer resposta.
Nas dcadas recentes o PRP tem sido explicado de acordo com o modelo de 
processamento de informao. Neste sentido o crebro actuaria como um canal nico de 
processamento de informao para tarefas que requeriam ateno consciente. Assim o 
segundo estmulo (E2) teria de ser armazenado, enquanto o canal estaria ocupado a
processar o primeiro estmulo (E1) Quando o El tivesse sido processado, terminaria 
ento o perodo de espera do E2, iniciando-se somente ento o processamento deste 
estmulo. Em resumo o PRP seria devido ao facto do crebro ser um sistema de 
processamento com capacidade limitada de forma que a informao referente ao E2 teria de 
ser transitoriamente armazenada at que o processador central se encontrasse livre.
Estudos efectuados revelaram ainda que o PRP  no s imune aos efeitos da 
prtica, persistindo mesmo aps cerca de trs meses de ensaios, mas tambm ocorre com a 
apresentao dos estmulos em modalidades diferentes. O PRP verifica-se mesmo que o El 
seja apresentado visualmente e o E2 auditivamente. Isto parece provar que o PRP depende 
fundamentalmente da capacidade central de processamento e no da velocidade de 
conduo nervosa.
Nmero de estmulos e probabilidade do seu aparecimento: A variao dos TR  
proporcional ao nmero de estmulos e ao nmero de respostas dentro das quais a escolha  
feita. Em geral o TR de escolha aumenta com o nmero de respostas a escolher. No entanto 
um aumento no nmero de respostas no produz sempre um aumento correspondente nos 
TR, porque os TR aumentam mais rapidamente com um pequeno nmero de alternativas do 
que com um grande nmero. Hick (1952) traduziu esta relao numa equao que ficou 
conhecida por lei de Hick.
A lei de Hick determina que o TR = C log2N, em que C traduz o valor da constante 
pessoal dos sujeitos e N se refere ao nmero de estmulos apresentados. Esta relao  uma 
funo logartmica do nmero de escolhas a efectuar pelo sujeito.
Hyman (1953) investigou outras situaes em que as alternativas de resposta no so 
equiprovveis, obtendo provas sobre a aplicao geral da teoria de informao  situao de 
TR de escolha. Hick e Hyman desenvolveram equaes para determinar os valores dos TR 
mdios em funo do nmero de estmulos, quer no caso de serem equiprovveis (lei de 
Hick), quer no (lei de Hick-Hyman).
Durao do estmulo: A durao ptima de um estmulo para se obterem os TR mais 
baixos seria da ordem dos 25 a 64 ms.

Figura 1.1: Ilustrao de uma situao de alta (a) e baixa (b) compatibilidade entre 
estmulo e resposta. (Pg. 30)

Compatibilidade entre estmulo e resposta: A compatibilidade entre estmulo e 
resposta permite avaliar se a resposta a ser produzida  a mais natural para o estmulo que 
a provocou. Uma alta compatibilidade entre estmulo e resposta permite uma resposta muito 
rpida por parte do sujeito, o que no acontece quando a compatibilidade  menor. A Figura 
1.1 apresenta uma ilustrao de duas situaes de compatibilidade diferentes. Em (a) 
quando o estmulo 1 surge o sujeito responde com A, 2 com B, 3 com C e 4 com D. Em (b) 
as respostas aos estmulos 1, 2, 3 e 4 tambm so dadas com A, B, C e D, no entanto a 
relao espacial entre estmulos e respostas  menos natural do que em (a). Poder-se-ia 
ainda estabelecer uma compatibilidade bastante mais baixa se as respostas aos estmulos 1, 
2, 3 e 4 fossem respectivamente 1-13, 2-D, 3-A e 4-C.
A baixa compatibilidade entre estmulo e resposta pode ter efeitos perniciosos. 
Alguns destes efeitos podero estar relacionados com a ocorrncia de desastres no incio da 
histria da aviao devido  disposio no alinhada das zonas de perigo inseridas nos 
diferentes mostradores da cabine de pilotagem (Kendler, 1963/1972, p. 1212). Veja-se 
ainda Marteniuk, 1976, p. 116-120, Fitts e Posner, 1967, p. 21-25.
Prtica: 0 treino faz diminuir progressivamente os tempos de reaco, mas somente 
aps um nmero considervel de ensaios. Sage (1977, p. 251) cita um estudo de Henry 
(1952) onde se verificou que um perodo de treino de 50 ensaios no fez diminuir 
significativamente os TR relativamente a uma outra condio sem ensaios de treino. Todavia 
quando o nmero de ensaios aumenta, a prtica passa a surtir efeito nos TR. Numa 
experincia de TR de discriminao com uma tarefa de 1023 alternativas Seibel (1963) 
verificou que o valor dos TR passaram de cerca de 1,5 segundos no incio da experincia 
para cerca de 0,4 seg. ao fim de 75000 respostas dadas aps vrios meses. Apesar dos 
resultados deste estudo se enquadrarem numa funo logartmica linear para os valores dos 
dois eixos, Seibel verificou que por volta das 30.000 respostas os resultados pareciam atingir 
um patamar com aumentos insignificantes no valor dos tempos de reaco.
Num estudo com caractersticas ecolgicas, Crossman (1959) verificou que 
trabalhadores que manipulavam uma mquina de fazer cigarros e cujo nvel de prtica 
variava de 1 a 7 anos tinham tempos de realizao cada vez mais baixos. Os ganhos de 
produo que aumentaram linearmente nos primeiros 4 anos, atingiram depois um patamar 
ao longo do qual os aumentos se revelaram insignificantes.
Estes e outros estudos revelam que o desempenho melhora no decurso de longos 
perodos de tempo. No entanto o ritmo de aperfeioamento vai-se reduzindo com a prtica 
at que surge um momento em que o valor  praticamente nulo.
O desempenho dos sujeitos no melhora inevitavelmente com a prtica. Outros 
factores como o conhecimento dos resultados, a oportumdade de aperfeioamento e a 
motivao dos sujeitos devem ser tidos em conta ainda.

2. Factores relativos aos sujeito: 
Idade e sexo: Sage (1977, p. 249) refere que os TR diminuem regularmente entre a 
infncia e a juventude, situando-se de um modo geral os valores mais rpidos entre os 18 e 
os 25 anos. A partir desta fase os TR voltam a aumentar regularmente com a idade, 
verificando-se um aumento acelerado a partir dos 60 anos.  possvel que os vrios 
processos degenerativos que ocorrem no sistema nervoso durante a velhice possam explicar 
em parte um menor grau de eficincia. Este padro de resultados foi confirmado 
recentemente por Wilkinson e Allison (1989). Estes investigadores obtiveram valores de TR 
simples para 5325 sujeitos numa tarefa com uma durao de um minuto durante a visita que 
os sujeitos efectuaram a uma exposio sobre material de sade.
Os TR variam ainda conforme o sexo sendo mais rpidos para o sexo masculino do 
que para o sexo feminino e, segundo Sage (1977), este padro manter-se-ia ao longo da 
vida de uma pessoa. As diferenas de sexo seriam maiores na juventude e meia idade 
relativamente  infncia e velhice.
Traos de personalidade: Os TR parecem ser sensivelmente menores para 
indivduos extrovertidos em relao aos introvertidos. Tem-se verificado tambm diferenas 
entre os sujeitos emotivos e no emotivos, irritveis e no irritveis, tmidos e no tmidos.
Inteligncia e memria: Os tempos de reaco, particularmente os de escolha variam 
na razo inversa do QI. Segundo Scott (1940), os TR simples e de escolha seriam menores 
em crianas com QI mais elevado. No entanto Farnsworth, Seashore e Tinker (1927) e 
Lanier (1934) no encontraram nenhuma relao entre os TR e o QI.
A influncia do valor de QI sobre os TR  uma questo que se mantm em aberto, 
mas  provvel que as diferenas observadas resultem de situaes em que a tarefa a 
realizar seja bastante complexa.  possvel ainda que tais diferenas se devam ao desejo dos 
sujeitos mais inteligentes em responder correctamente ou da menor participao por parte 
dos sujeitos menos inteligentes.
O efeito da memria a interferir seria sobretudo em experincias de TR de 
discriminao ou de escolhas mltiplas.
Factores emocionais: Os TR aumentam sob o efeito de estmulos inesperados ou 
destinados a produzir medo. Apenas alguns investigadores observaram a influncia da 
ansiedade sobre os TR e a sua variabilidade.
Ateno e vigilncia dos sujeitos: A ateno do sujeito facilita a resposta, enquanto o 
relaxamento fazem aumentar os TR e a sua variabilidade. Por vezes, o prolongamento do 
efeito distractivo pode fazer retomar os TR ao seu valor habitual, pois os sujeitos acabam por 
dominar a situao.
Fadiga e insnia: Os TR so mais longos quando os sujeitos esto cansados. Segundo 
alguns investigadores as insnias prolongadas parecem no ter nenhum efeito; para outros, 
no entanto, a insnia afecta indirectamente as TR atravs da fadiga e da hiperexcitabilidade 
do sujeito.
Variaes ao longo do dia: Para Klertman, Titelbaum e Feiveson (1935) os TR 
diminuem de manh e aumentam depois do meio-dia, segundo as variaes da temperatura 
interna do corpo.
Aco de drogas: Observou-se que o lcool aumenta os TR, no entanto os estudos 
divergem quanto ao efeito do caf e tabaco. A morfina, o pentobarbital podem ser 
aceleradores, retardadores ou no ter nenhum efeito, dependendo dos casos. Verificou-se 
ainda que uma ausncia prolongada de vitamina B aumenta o valor dos TR. Parece concluir-
se que o efeito destas e de outras substncias varia com os sujeitos, com as quantidades 
ingeridas e com o grau de habituao.
Instrues: Os TR podem aumentar ou diminuir se as instrues ministradas ao 
sujeito forem num sentido ou noutro. Habitualmente os sujeitos so instrudos a reagirem o 
mais rapidamente possvel nas tarefas de TR simples, enquanto que nas tarefas e TR de 
discriminao e de escolha so aconselhados a faz-lo tambm, mas de forma a evitar erros.

3. Factores relativos ao ambiente 
Estes factores so particularmente difceis de estudar, quando o ambiente sensorial e 
o estmulo ao qual o sujeito deve responder so da mesma natureza. A intensidade luminosa 
pode influenciar os TR (principalmente os visuais) assim como o odor, os rudos e o teor de 
xido de carbono. No entanto a temperatura, pelo menos dentro de certos limites, no 
parece influenciar os TR.
Existem algumas divergncias acerca da influncia da altitude e da presso 
atmosfrica nos TR, j que os resultados obtidos no so muito consistentes sobre este 
efeito.

        Aspectos metodolgicos em experincias de tempos de reaco

Em experincias de TR observam-se frequentemente valores anmalos; s vezes os 
valores so demasiado baixos, da ordem dos 5 a 8 milsimos de segundo, outras vezes 
demasiado elevados e da ordem do triplo ou mais da mdia obtida.
No caso dos TR simples auditivos, valores inferiores a 90-100 ms surgem quase 
sempre por antecipao e ocorrem devido ao facto do sujeito adivinhar com certa 
probabilidade o momento do aparecimento do estmulo. Por norma valores de TR simples 
inferiores a 100 ms so ignorados na determinao da mdia sendo substitudos pelo valor 
de um ensaio a acrescentar ao nmero previamente fixado. Nas experincias de TR de 
discriminao e de escolha  rarssmo verificarem-se valores inferiores a 100 ms. Se 
porventura ocorrerem o procedimento a seguir  idntico ao anterior.
A presena de valores extremamente elevados numa experincia de TR requer mais 
cuidado, j que o seu valor afecta consideravelmente a determinao da mdia. Segundo os 
sujeitos tais valores extremos ocorreriam devido a falhas de ateno momentnea. Os 
investigadores tm proposto vrios procedimentos para corrigir a distribuio obtida, sendo 
de destacar os seguintes.         
(1) Omitir todos os valores extremos que ultrapassem um critrio pr-fixado, 
normalmente o triplo do desvio padro (DP) para a mdia obtida. Assim se a mdia for 207 
ms e o DP 38 ms, o triplo do DP seria 114 ms, de forma que valores extremos superiores a 
207+114=321 ms seriam excludos.         
(2) Um procedimento alternativo seria usar o teste de Dixon, que  um mtodo 
estatstico para determinar a probabilidade de que um valor anmalo provm ou no de uma 
outra distribuio de TR. No teste estatstico de Dixon calcula-se primeiramente a diferena 
entre o valor mais extremo e o valor extremo imediatamente inferior e em seguida compara-
se esta diferena com a diferena total dos valores obtidos.
(3) Substituio do valor extremo pelo valor extremo imediatamente inferior.         
(4) Uso da mediana em vez da mdia, j que a mediana no  to sensvel a valores 
extremos.
Na impossibilidade de se usar o segundo critrio, o procedimento mais aconselhvel 
seria aplicar o critrio de omitir todos os valores que ultrapassem o triplo do DP e substitu-
los por novos ensaios.

As experincias a seguir descritas pretendem ilustrar procedimentos experimentais 
de obteno dos vrios tipos de TR, como sejam os TR simples, os TR de discriminao e os 
TR de escolha. Pretendeu-se ainda em cada tipo de experincias manipular um ou mais 
factores, referidos anteriormente, e que se julgam susceptveis de influenciar os TR.

1 Experincia:

Os efeitos da modalidade visual e auditiva nos TR simples

A primeira experincia teve por objectivo comprovar se o efeito da modalidade 
sensorial (visual e auditiva) afectaria ou no os tempos de reaco.

Mtodo 
        Sujeitos: A amostra foi constituda por 42 alunos do 2 ano da Faculdade de 
Psicologia e de Cincias da Educao da Umversidade do Porto, inscritos na cadeira de 
Percepo, Aprendizagem e Memria no ano lectivo de 1989/90. A grande maioria dos 
sujeitos pertenciam ao grupo etrio dos 18-21 anos, sendo 36 do sexo feminino e seis do 
sexo masculino.
Material e equipamento: A medida dos TR foi obtida a partir de dois reaccimetros 
das firmas Bettendorff de Bruxelas e Dufour de Paris. Os valores dos TR eram expressos 
em umdades de centsimos de segundo. Foram ainda elaboradas folhas de resposta e 
instrues escritas, cuja descrio se encontra em apndice a este captulo.
Planeamento: A varivel independente manipulada nesta experincia foi a 
modalidade sensorial com duas condies: Visual e Auditiva. A varivel dependente 
registada foi o TR simples. Todos os sujeitos realizaram a experincia nas condies visual e 
auditiva de modo que o planeamento foi intra-sujeitos. A distribuio dos sujeitos por cada 
condio da varivel independente seguiu o mtodo de contrabalanceamento. Os sujeitos 
mpares efectuavam a tarefa na ordem visual-auditivo e os sujeitos pares na ordem auditivo-
visual.
Procedimento: Os sujeitos foram instrudos a premir o boto de resposta do 
reaccimetro o mais rapidamente possvel logo que percebessem o estmulo (som ou luz) 
utilizando para isso o polegar da mo preferida. Os sujeitos foram ainda instrudos a manter 
o dedo sempre em contacto com o boto de resposta. A fim de se familiarizar os sujeitos 
com o reaccimetro efectuaram-se cinco ensaios de treino antes da aplicao dos 20 ensaios 
experimentais, sendo este um procedimento comum para as duas modalidades.
As instrues foram apresentadas oralmente a partir de um texto escrito por um 
experimentador que tambm registava os resultados.

Apresentao e anlise dos resultados

Os resultados foram registados em centsimos de segundo e depois convertidos em 
milsimos de segundo. Os valores anmalos no foram substitudos. Uma ilustrao da 
distribuio dos valores de TR simples visuais para cada sujeito da experincia efectuada 
est exposta na Figura 1.2. Esta Figura indica no s os valores mdios obtidos para cada um 
dos sujeitos nos 20 ensaios, mas tambm o ndice de disperso dos valores em torno da 
mdia. Para os 42 sujeitos as mdias situaram-se entre 186 ms para o sujeito 2 e 320 ms para 
o sujeito 7. Por sua vez o valor de disperso mnimo foi de 18 ms para o sujeito 36 e de 66 
ms para o sujeito 30.

Quadro 1.2: Mdias e desvios padres para os TR simples na modalidade visual e 
auditiva obtidos ao longo de 4 anos lectivos para diferentes amostras de sujeitos. Os valores 
esto expressos em milsimos de segundo. (Pg. 36)

Os valores de tendncia central dos TR visuais e auditivos esto expressos no 
Quadro 1.2. Neste Quadro esto ainda expostos os valores dos TR obtidos em anos lectivos 
anteriores em condies experimentais semelhantes. Como se verificaram diferenas 
mdias ,entre as duas modalidades sensoriais, aplicou-se o teste t-Student ara amostras 
emparelhadas, a fim de se verificar se as diferenas observadas eram ou no 
estatisticamente significativas. O teste t-Student revelou uma diferena significativa t (41) 
= 8.5, p < 0.001.
A anlise dos resultados revela que os sujeitos no reagem da mesma maneira a 
estmulos visuais e auditivos, sendo os TR simples auditivos inferiores aos TR simples 
visuais.

Figura 1.2: Tempos de reaco simples visuais para os 42 sujeitos da experincia 
efectuada. Os pontos e as barras verticais indicam respectivamente os valores das mdias e 
uma umdade de desvio padro. (pg. 37)

2 Experincia:

O efeito sonoro da frequncia sonora no TR de discriminao

A segunda experincia foi planeada com o objectivo de investigar se os sujeitos 
discriminavam mais rapidamente um som grave de um som agudo.

Mtodo 
        Sujeitos: A amostra foi constituda por 44 alunos, tendo a quase totalidade deles 
participado na experincia anterior. Oito estudantes eram do sexo masculino e trinta e seis 
do sexo feminino.
Material e equipamento: O aparelho que apresentou os estmulos sonoros e mediu 
os TR de discriminao foi o reaccimetro da firma Dufour de Paris.
Planeamento: A varivel independente manipulada foi a frequncia sonora, com 
duas condies: Som de baixa frequncia (som grave) e som de alta frequncia (som 
agudo). A varivel dependente registada foi o tempo de reaco de discriminao. O 
planeamento foi inter-sujeitos tendo-se seleccionado aleatoriamente dois grupos de sujeitos 
em cada aula prtica.
Procedimento: A tarefa consistia na apresentao de dois sons, um grave e outro 
agudo, numa ordem ao acaso. Na condio grave a tarefa do sujeito era reagir o mais 
rapidamente possvel ao som grave, mas sem produzir erros, e ignorar o som agudo. Na 
condio agudo o sujeito reagia ao som agudo e ignorava o som grave.
O experimentador registava os TR e os erros do sujeito, entendendo-se por erro uma 
reaco ao estmulo que deveria ser ignorado. Foram realizados 25 ensaios, sendo 5 de 
treino e 20 experimentais.

Apresentao e anlise dos resultados 

A distribuio dos valores de TR de discriminao para cada sujeito da experincia 
no som agudo est exposta na Figura 1.3. Os valores anmalos no foram substitudos. Esta 
Figura indica os valores mdios de cada um dos 23 sujeitos nos 20 ensaios, assim como o 
ndice de disperso dos valores em torno da mdia. Para os 23 sujeitos as mdias situaram-
se entre 247 ms para o sujeito 1 e 453 ms para o sujeito 22. Por sua vez o valor de disperso 
mnimo foi de 51 ms para o sujeito 1 e de 116 ms para o sujeito 5.
Os valores de tendncia central dos TR de discriminao esto expressos no Quadro 
1.3. Neste Quadro esto ainda expostos os valores dos TR obtidos em anos lectivos 
anteriores em condies experimentais semelhantes.
A mdia geral obtida em 21 sujeitos para o estmulo grave foi de 364 ms com um 
desvio padro de 57 ms e para o estmulo agudo a mdia foi de 332 ms com um desvio 
padro de 53 ms, tendo participado 23 sujeitos. Tendo-se observado diferenas de mdias 
nos TR ao som grave e agudo aplicou-se o teste t-Student para amostras independentes a 
fim de se verificar se tais diferenas eram ou no estatisticamente significativas. Do 
resultado obtido t (42) = 1,9,p 0,06 conclui-se que as diferenas de mdias no so 
significativas.

Quadro 1.3: Mdias e desvios padres em para os TR de discriminao obtidos ao 
longo de 4 anos lectivos para diferentes amostras de sujeitos. Os valores esto expressos em 
milsimos de segundo. (pg. 39)

Estes resultados revelam que a manipulao da frequncia sonora nas condies 
seleccionadas no produziu diferenas significativas nos TR de discriminao.

Figura 1.3. TR de discriminao para os 23 sujeitos da experincia efectuada. Os 
pontos e as barras verticais indicam respectivamente os valores das mdias e uma umdade 
de desvio padro. (pg. 39)

Os resultados de TR de discriminao a sons graves e agudos observados ao longo 
de 4 anos lectivos e expostos no Quadro 1.3. no se mostraram muito consistentes. 
Geralmente os TR so mais longos ao som grave do que ao som agudo, no entanto a 
tendncia contrria tambm foi observada. Devido  ausncia de uma tendncia nos 
resultados e s diferenas mnimas entre as mdias gerais talvez se possa concluir que os TR 
a sons graves no sero diferentes dos TR a sons agudos.

3 Experincia:

Os efeitos da resposta motora nos TR de escolha

A terceira experincia teve por objectivo estudar os TR de escolha a estmulos 
visuais de cor verde e vermelha, fazendo-se variar o tipo de resposta motora, mo e p.

Mtodo 
        Sujeitos: A amostra foi constituda por 44 sujeitos tendo a maior parte deles realizado 
as experincias anteriores. Seis sujeitos eram do sexo masculino e trinta e oito do sexo 
feminino.
Equipamento e Material: O aparelho que apresentou os estmulos visuais de cor 
verde ou vermelha e mediu os TR de escolha foi o reaccimetro da firma Bettendorff de 
Bruxelas.
Planeamento: A varivel independente manipulada foi o tipo de resposta motora: 
resposta manual e resposta com o p. A varivel dependente registada foi o TR de escolha. 
O planeamento foi intersujeitos. Um grupo respondia aos estmulos visuais com a mo e o 
outro grupo respondia com o p. A distribuio dos sujeitos pelos dois grupos foi feita de 
forma aleatria.
Procedimento: A experincia foi preparada de modo a que fossem apresentados ao 
sujeito estmulos de cor vermelha e verde, de forma aleatria. Os sujeitos foram instrudos, 
no caso da resposta manual, a premirem o boto A com o indicador esquerdo se o verde 
fosse apresentado e o boto B com o indicador direito se se tratasse do vermelho. Para a 
resposta motora pedal, os sujeitos foram instrudos a responderem ao estmulo de cor verde 
pressionando o pedal esquerdo e ao estmulo, vermelho pressionando o pedal direito. Os 
sujeitos foram ainda instrudos a reagirem o mais rapidamente possvel, de forma a no 
darem erros. Foram realizados ao todo 25 ensaios, sendo os 5 primeiros de treino e os 
restantes experimentais.

Quadro 1.4: Mdias e desvios padres (em ms) para os TR de escolha obtidos ao 
longo de anos lectivos para diferentes amostras de sujeitos. (pg. 41)

Anlise e apresentao dos resultados 

A distribuio dos valores de TR de escolha para cada sujeito da experincia 
efectuada com a mo est exposta na Figura 1.4. Os valores anmalos no foram 
substitudos. Esta Figura indica os valores mdios de cada um dos 21 sujeitos nos 20 
ensaios, assim como o ndice de disperso dos valores em torno da mdia. Para estes 
sujeitos as mdias situaram-se entre 370 ms para o sujeito 16 e 538 ms para o sujeito 17. Por 
sua vez o valor de disperso mnimo foi de 47 ms para o sujeito 6 e de 180 ms para o sujeito 
8.

Figura 1.4: TR de escolha de 21 sujeitos. Os pontos e as barras verticais indicam 
respectivamente os valores das mdias e uma umdade de desvio padro. (pg. 41)

Os valores de tendncia central dos TR de escolha esto expressos no Quadro 1.4. 
Neste Quadro esto ainda expostos os valores dos TR obtidos em anos lectivos anteriores 
em condies experimentais semelhantes.
Nos ensaios em que houve erros o valor do TR de escolha no foi registado. Na 
resposta manual a mdia foi de 438 ms e o desvio padro de 51 ms para 21 sujeitos. Na 
resposta com o p a mdia foi de 504 ms e o desvio padro de 74 ms para 23 sujeitos. A fim 
de se verificar se as diferenas entre mdias de respostas motoras eram ou no 
estatisticamente significativas utilizou-se o teste t-Student para amostras independentes. O 
valor obtido t (42) = 3,5, p < 0.005 indica que tais diferenas so estatisticamente 
significativas.
Da anlise dos resultados pode-se concluir que os sujeitos da amostra apresentam TR 
diferentes quando respondem com a mo ou com o p, sendo as respostas manuais mais 
rpidas do que as respostas com o p. Esta tendncia foi tambm observada em anos 
lectivos anteriores conforme est expresso no Quadro 1. 4.

Figura 1.5: Comparao entre TR simples (TRS), discriminao (TRD) e de escolha 
(TRE) de acordo com as condies das trs primeiras experincias. (pg. 42)

Os resultados das trs experincias de TR simples, discriminao e de escolha 
indicaram que os TR aumentam com a complexidade da tarefa a realizar. Estes resultados 
esto de acordo com o modelo proposto por Donders e revelam que quanto mais complexa 
for uma tarefa maior  a implicao de funes mentais superiores e consequentemente 
maior  o tempo gasto na sua realizao. Uma ilustrao conjunta dos resultados das 6 
condies experimentais manipuladas nas 3 experincias anteriores pode ser observada na 
Figura 1.5.

4 Experincia:

Efeitos do nmero de alternativas de resposta nos TR de escolha

O objectivo desta experincia foi determinar os valores dos TR para 2, 4 e 8 
alternativas de escolha de resposta em tarefas que poderiam ser facilmente implementadas 
sem recurso a equipamento laboratorial.

Mtodo
        Sujeitos: A amostra foi constituda por 46 sujeitos tendo a maioria participado nas 
experincias anteriores. Seis sujeitos eram do sexo masculino e quarenta do sexo feminino.
Material: Nesta experincia o material utilizado foi um baralho de cartas de jogar a 
que se retiraram os ases, reis, valetes, damas e os dez, restando um total de 32 cartas. 
Usaram-se ainda cronmetros com registo do tempo em umdades de centsimos de 
segundo.
Planeamento: Nesta experincia pretendeu-se observar os valores dos TR para duas, 
quatro e oito alternativas de distribuio de cartas. A varivel independente manipulada foi o 
nmero de alternativas com trs condies (2, 4 e 8 distribuies) e a varivel dependente 
registada foi o tempo de reaco dispendido na distribuio do baralho em duas, quatro e 
oito categorias.
O planeamento desta experincia foi inter-sujeitos, j que cada sujeito apenas 
realizou uma das condies da experincia. A distribuio dos sujeitos pelas condies foi 
realizada de acordo com a tcnica de controle aleatria.
A experincia incluiu duas fases: Na primeira fase os sujeitos distriburam as cartas 
do baralho de acordo com uma regra, por exemplo, par e mpar, para a condio dois. Na 
segunda fase distribuam uma a uma as cartas do baralho em dois grupos iguais sem 
considerarem a existncia de qualquer regra distribuidora.
O tempo para realizar a tarefa na primeira fase incluiria o tempo de deciso e o 
tempo de manipulao; O tempo para realizar a tarefa na segunda fase incluiria somente o 
tempo de manipulao. Subtraindo o tempo registado na segunda fase ao tempo registado na 
primeira fase obter-se-ia o tempo de deciso, valor que indicaria o tempo dispendido no 
processo de deciso no momento de distribuio das cartas pelo nmero de alternativas em 
causa.
Procedimento: Cada sujeito realizou a experincia numa das trs condies 
consideradas e de acordo com as regras seguintes:
Na condio de duas alternativas a regra de distribuio das cartas era par e impar 
independentemente da cor das cartas.
Na condio de 4 alternativas a regra de distribuio inclua o nmero e a cor. Assim 
um grupo era formado por cartas pares de cor preta; o 2 grupo era formado por cartas pares 
de cor vermelha; o 3 grupo era formado por cartas mpares de cor preta e o 4 grupo por 
cartas mpares de cor vermelha.
Na condio de 8 alternativas a regra de distribuio inclua o nmero e o naipe, 
formando-se 8 grupos: Os 4 primeiros grupos eram formados pelas cartas pares de cada 
naipe; Assim o l grupo - pares e copas; 2 grupo - pares e ouros; 3 grupo - pares e paus; 4 
grupo - pares e espadas. Os 4 ltimos grupos eram formados pelas cartas mpares de cada 
naipe; Assim o 5 grupo - mpares e copas; o 6 - mpares e ouros; o 7 - mpares e paus; e o 
8 - mpares e espadas.
Cada situao experimental constou de um ensaio de treino seguido por trs ensaios 
experimentais. O tempo dispendido na realizao de cada tarefa foi medido desde o incio 
do sinal verbal trs, na srie 1, 2, 3 at  distribuio da ltima carta do baralho. No fim de 
cada um dos quatro ensaios as cartas eram baralhadas pelo experimentador. Sempre que um 
erro surgisse e no fosse corrigido pelo sujeito durante a distribuio, o ensaio era repetido.

Anlise e discusso dos resultados

Os tempos de deciso mdios para os trs tipos de distribuio foram: Duas 
distribuies, 3,1 segundos (2,1); Quatro distribuies, 28 segundos (7,2); Oito distribuies, 
38,9 segundos (15,9). Entre parnteses esto os valores de desvio padro. A distribuio dos 
valores de cada sujeito e a funo de regresso obtida esto expostos na Figura 1.6. Como 
se pode observar nesta Figura os tempos de deciso aumentam  medida que o nmero de 
alternativas aumenta numa progresso logartmica, sendo o ndice de correlao entre estas 
duas variveis de 0,93.
A fim de se verificar se as diferenas entre as trs condies eram ou no 
estatisticamente significativas utilizou-se uma anlise de varincia umfactorial. Como as 
varincias no eram homogneas, os dados foram transformados usando-se para o efeito o 
procedimento da raiz quadrada, j que se notou uma certa constncia de proporo entre a 
varincia e a mdia. O resultado da anlise de varincia indicou que as diferenas entre as 
trs distribuies eram altamente significativas, F(2, 43) = 52,3, p < 0,001.

Figura 1.6: Funo de regresso para os valores dos TR (deciso) obtidos para 2, 4 e 
8 distribuies. O tempo de reaco est expresso em segundos. (pg. 45)

Os resultados obtidos na Experincia 4 revelam que os TR vo aumentando  
medida que as tarefas se tornam mais complexas. Enquanto o critrio par-mpar apenas 
exigia uma deciso simples baseada num tipo de reconhecimento quase imediato, o critrio 
cor e nmero j implicava um raciocnio mais complexo, tendo a complexidade aumentado 
na situao nmero-naipe.
        Os resultados parecem confirmar a perspectiva de Donders segundo a qual quanto 
mais etapas forem necessrias para a resoluo duma tarefa maior ser o tempo dispendido 
pelo sujeito, tempo este que serve de indicador da complexidade dos processos mentais 
envolvidos. No entanto estes resultados no permitem determinar nem os processos mentais 
envolvidos nem a durao especfica de cada processo.

Concluso: Modelos recentes de tempos de reaco

Viu-se anteriormente que o mtodo de Donders no conseguiu resolver o problema 
da determinao e durao dos processos mentais envolvidos nas tarefas de TR. Mesmo 
hoje este problema ainda no obteve uma resposta satisfatria. Saul Sternberg (1969) 
efectuou uma reinterpretao do estudo de Donders, propondo uma reposio da 
cronometria mental baseada num modelo diferente e que ficou conhecido pelo mtodo dos 
factores aditivos de Sternberg. Ao contrrio de Donders o mtodo dos factores aditivos de 
Sternberg no envolve a insero ou omisso de fases de processamento na tarefa a realizar, 
mas antes baseia-se na manipulao de variveis que afectam o tempo total requerido por 
cada fase.
O mtodo de Sternberg permite indicar quantas fases de processamento existem, a 
durao eventual de uma fase ou a combinao de vrias fases e quais as variveis que 
afectam cada fase. A ilustrao do mtodo de Sternberg pode ser efectuada a partir da tarefa 
de sondagem de memria por ele inventada. Apresenta-se aos sujeitos uma matriz de itens 
(por ex., consoantes), cujo nmero varia geralmente entre um e seis durante cerca de 2 
segundos. Em seguida  apresentada uma consoante, chamada consoante-sonda, que em 
metade dos ensaios fez parte do conjunto apresentado e na outra metade no fez. A tarefa 
do sujeito consiste numa reaco rpida, pressionando um boto sim se a consoante-sonda 
fez parte do conjunto anteriormente apresentado, ou no boto no, se no tiver sido 
includa.
Segundo Sternberg (1969, 1975) existiriam 4 fases entre a apresentao do 
estmulo-sonda e o registo da resposta: (1) Codificao do estmulo-sonda; (2) Comparao 
serial entre o estmulo e o conjunto apresentado; (3) Deciso binria sobre a presena ou 
ausncia; (4) Traduo e organizao das respostas. Estas fases esto indicadas na Figura 
1.7. Cada uma destas fases de processamento comearia somente aps a fase anterior ter 
acabado, de modo que o processamento seria aditivo e serial.
Sternberg no acrescenta ou omite fases como fez Donders, antes selecciona e 
manipula variveis independentes que possam afectar especificamente cada uma das fases, 
fazendo variar portanto o tempo de reaco. A fase (1) de codificao do estmulo-sonda 
poder ser manipulada a partir da maior qualidade ou degradao do estmulo; A fase (2) de 
comparao serial seria analisada a partir do nmero de estmulos seleccionados, 1, 2, ..., 6; 
A fase (3) seria analisada atravs da pertena ou no do estmulo-sonda ao conjunto 
apresentado; A fase (4) de traduo e organizao da resposta seria manipulada a partir da 
probabilidade diferenciada de produo de uma resposta positiva e negativa e do grau de 
compatibilidade da resposta.

Figura 1.7: As fases de processamento cognitivo propostas por Sternberg para 
analisar a tarefa de sondagem de itens na memria. (Pg. 47)

        Segundo Sternberg a manipulao especfica destas variveis independentes 
permitiria determinar a durao de cada fase. A determinao da durao da fase 2 seria 
estabelecida a partir do valor do declive* da funo de respostas positivas e negativas.

* O declive de uma funo linear representa o aumento de grandeza na varivel Y 
(TR) por cada aumento na varivel X (N de consoantes do conjunto apresentado)

Estudos efectuados revelaram que este valor se situaria  volta dos 40 ms por item. 
Mantendo constante o conjunto de itens da fase 2, o valor do declive indicaria ainda o grau 
de qualidade ou de degradao do estmulo. Para uma ilustrao, veja-se a Figura 1.8.
O valor de interseco das funes no eixo dos Y indicaria as diferenas do tipo de 
resposta que seriam cerca de 50 ms mais rpidas para respostas positivas do que negativas. 
Mantendo constantes os valores das fases anteriores, o valor da interseco da funo 
exprimiria ainda o grau de probabilidade da resposta da 4 fase.
O mtodo dos factores aditivos de Sternberg no permite medir o valor de durao 
de cada uma das 4 fases apresentadas na Figura 1.7. Permite no entanto influenciar a 
grandeza de processamento de cada fase, atravs da manipulao de variveis especficas, e 
determinar o valor do TR que  afectado pela varivel em causa.

Figura 1.8: TR previstos em funo do nmero de itens apresentados na tarefa. de 
sondagem de memria de Sternberg (1969) para respostas positivas e negativas com 
indicaes do declive (y) e interseco (i). (Pg. 48)

O mtodo de Sternberg parte do pressuposto de que se duas variveis 
independentes interagem, estas variveis afectariam a durao do mesmo processo. Se, pelo 
contrrio, forem aditivas, as variveis afectariam as duraes de fases diferentes. Por 
exemplo, se as variveis qualidade do estmulo-sonda e probabilidade de resposta 
interagissem entre si, provavelmente ambas afectariam a fase 1 ou a fase 4; se fossem 
aditivas, isto , no interagissem, uma afectaria a fase um e a outra a fase quatro, ou vice-
versa.
Recentemente Taylor (1976) e McClelland (1979) contestaram o pressuposto de 
aditividade do modelo de Sternberg, propondo um modelo de cascata em que o 
processamento de uma fase teria incio antes de estar concludo o processamento da fase 
anterior. Embora a descrio do modelo de cascata ultrapasse os objectivos deste estudo, 
refira-se que o modelo aditivo de Sternberg  considerado mais parcimonioso e capaz de 
explicar satisfatoriamente um nmero bastante elevado de estudos experimentais, Miller 
(1988).

Bibliografia citada e recomendada

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        McClelland, J. L. (1979). On the time relations of mental processes: An examination 
of systems of processes in cascade. Psychological Review, 86, 287-324.         
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Theoretical distinctions and empirical results. Acta Psychologica, 67, 191-257.
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(2 ed.). Reading, Mas.: Addison-Wesley.         
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        Woodworth, R. S., e Schlosberg, H. (1954). Experimental psychology. (Edio 
revista). New York: Holt, Rinehart & Winston.

Apndice 1

Instrues

TR simples: Este aparelho vai apresentar automaticamente uma sequncia de 
estmulos luminosos (ou sonoros), sempre idnticos e a intervalos irregulares. Logo que 
perceba o estmulo apresentado pressione imediatamente este boto. H 5 ensaios de treino 
seguidos de 20 ensaios experimentais.

TR de discriminao: Este aparelho vai apresentar automaticamente uma sequncia 
de dois estmulos sonoros diferentes (som grave e som agudo) a intervalos irregulares. Se o 
som grave (ou agudo) for apresentado pressione imediatamente este boto; se for o som 
agudo (ou grave), no reaja. H 5 ensaios de treino seguidos de 20 ensaios experimentais.

TR de escolha (Reaccimetro): Este aparelho vai apresentar uma sequncia ao acaso 
de luzes vermelhas e verdes a intervalos irregulares. Se a luz vermelha surgir pressione 
imediatamente o boto A (ou o pedal esquerdo); se for a luz verde pressione 
imediatamente o boto B (ou o pedal direito). H 5 ensaios de treino seguidos de 20 
ensaios experimentais.

TR de escolha (Cartas, 2 alternativas): Deste baralho foram retirados os reis, valetes, 
damas, ases e 10 tendo ficado 32 cartas. A sua tarefa consiste em distribuir uma a uma o 
mais rapidamente possvel as 32 cartas em dois grupos: Cartas de n mpar (3, 5, 7 e 9) e 
cartas de n par (2, 4, 6, 8). H um ensaio de treino e 3 ensaios experimentais. Comece 
quando ouvir trs, na sequncia 1, 2, 3.

TR de escolha (Cartas, 4 alternativas): Deste baralho foram retirados os reis, valetes, 
damas, ases e 10 tendo ficado 32 cartas. A sua tarefa consiste em distribuir uma a uma o 
mais rapidamente possvel as 32 cartas em quatro grupos: Cartas de cor vermelha e n mpar 
(3, 5, 7 e 9 de copas e ouros); Cartas de cor preta e n mpar (3, 5, 7 e 9 de paus e espadas); 
Cartas de cor vermelha e n par (2,4, 6 e 8 de copas e ouros); Cartas de cor preta e n par (2, 
4, 6 e 8 de paus e espadas). H um ensaio de treino e 3 ensaios experimentais. Comece 
quando ouvir trs, na sequncia 1, 2, 3.

TR de escolha (Cartas, 8 alternativas): Deste baralho foram retirados os reis, valetes, 
damas, ases e 10 tendo ficado 32 cartas. A sua tarefa consiste em distribuir uma a uma o 
mais rapidamente possvel as 32 cartas em oito grupos: Par - copas; Par - ouros; Par - paus; 
Par - espadas; mpar - copas; mpar - ouros; mpar - paus; mpar - espadas. H um ensaio de 
treino e 3 ensaios experimentais. Comece quando ouvir trs, na sequncia  1, 2, 3.

Tempo de Movimento (Cartas, 2, 4, 8 alternativas): A sua tarefa consiste em 
distribuir uma a uma o mais rapidamente possvel estas 32 cartas em dois (ou quatro ou oito) 
grupos, independentemente do nmero, cor ou naipe. Comece quando ouvir trs, na 
sequncia 1, 2, 3.

Quadro (pg. 53)


2

Determinao dos Limiares Absoluto e Diferencial Segundo a 
Metodologia da Psicofsica Clssica

A psicofsica clssica estuda um conjunto de procedimentos metodolgicos a fim de 
se determinar com preciso a relao entre uma grandeza fsica e a correspondente 
grandeza psicolgica, conhecida por sensao. Esta relao apresenta um valor mnimo, o 
limiar absoluto, e umdades de medida, expressas pelos limiares diferenciais respectivos. 
Este estudo teve por objectivo por um lado efectuar uma breve descrio da psicofsica 
clssica tendo em considerao as contribuies de Weber, Fechner e mais recentemente 
Stevens e outros investigadores contemporneos, e por outro apresentar dois estudos 
empricos de obteno dos limiares absoluto e diferencial. Assim na 1 experincia 
pretendeu-se determinar o valor do limiar absoluto de audibilidade mnima para cinco 
frequncias sonoras. Na 2 experincia procurou-se determinar o valor do limiar diferencial 
numa tarefa de discriminao do brilho. Ambos os limiares foram obtidos de acordo com o 
mtodo dos limites. Na concluso so feitas algumas observaes sobre as limitaes da 
psicofisica clssica, chamando-se, particularmente a ateno para factores, como a atitude e 
motivao dos sujeitos e o respectivo papel na determinao dos limiares.

Introduo

A psicofsica  a rea da percepo que pretende determinar a relao funcional 
entre uma grandeza fsica e a correspondente grandeza percebida ou subjectiva. Como no 
h uma relao linear entre os aumentos da estimulao fsica e os aumentos 
correspondentes s representaes subjectivas  necessrio estabelecer mtodos prprios 
para determinar as relaes funcionais entre os domnios fsicos e os domnios psicolgicos. 
Os mtodos psicofsicos foram inventados com este objectivo e envolvem procedimentos 
que fazem variar as dimenses fsicas do estmulo e, ao mesmo tempo, registam o modo 
como o sujeito percebe essas variaes.
Weber (1795-1878) foi um pioneiro neste domnio, tendo realizado estudos que o 
levaram a concluir que a intensidade de excitao necessria para distinguir uma primeira 
sensao duma segunda est relacionada com a sensao inicial. Tal relao  constante e 
susceptvel de determinao. Se a intensidade aumenta pouco a pouco, a sensao inicial 
permanece imutvel a princpio. Para que o sujeito perceba o aumento, isto , para que 
experimente uma sensao diferente,  necessrio que o estmulo apresente uma grandeza 
maior ou menor, mas proporcional  intensidade de excitao inicial de acordo com a 
frmula seguinte: (Verificar frmula  Pg. 55)

                                        ?I= K
                                         I
em que ?I representa a mudana na grandeza do estmulo para se produzir uma diferena 
apenas notvel; 1  a grandeza fsica do estmulo e K  uma constante. Para melhor se 
compreender esta relao, imagine-se o exemplo seguinte. Se se colocar em cada uma das 
mos um pacote de acar de 10 gramas e formos progressivamente aumentando a 
quantidade de acar numa das mos, talvez a certa altura se comece a discriminar uma 
diferena de peso, quando esta for igual ou superior a trs gramas. O intervalo aumenta 
proporcionalmente no caso de se colocar um quilograma de acar. Neste caso a diferena 
s ser notada quando numa das mos se atingir o peso de 1300 gramas. O Quadro 2.1 
ilustra esta relao de constncia que se verifica para diferentes valores do estmulo inicial.
        A lei de Weber (ou constncia de Weber como  frequentemente tambm 
conhecida) estabelece que a diferena mnima perceptvel (DMP) entre dois estmulos  
uma proporo entre tais estmulos e independente da grandeza de cada um deles. Assim a 
DMP em relao a dois estmulos de uma dada intensidade no  uma grandeza absoluta, 
mas uma grandeza relativa em relao ao estmulo inicial. Esta diferena, em termos de 
intensidade,  uma proporo do estmulo inicial, de modo que varia sempre com esse 
estmulo. Alm da percepo do peso, a constante de Weber  tambm vlida no domnio 
de outras sensaes como por exemplo as sensaes de presso cutnea, de intensidade 
sonora, de intensidade olfactiva ou de luminosidade.

Quadro 2.1: Dados hipotticos destinados a ilustrar a constncia de Weber ?I / I = K). 
(Pg. 56)

Fechner (1860, 1966), baseando-se nos trabalhos de Weber, deduziu 
matematicamente uma lei mais precisa que relacionava a energia fsica com a energia 
mental. A intensidade da sensao aumentaria proporcionalmente com o logaritmo da 
intensidade do estmulo respectivo. Matematicamente a lei de Fechner seria expressa pela 
frmula, S = K log I, em que S era igual  magnitude da sensao, log I era igual ao 
logaritmo na base 10 da medida fsica do estmulo e K era igual  constante derivada da 
fraco de Weber.
Fechner inventou, assim, uma escala de sensaes, que estabeleceria a relao entre 
sensaes fsicas e psicolgicas. Para tal necessitou de delimitar um ponto zero e as 
umdades de medida. O ponto zero seria o ponto a partir do qual o sujeito capta ou deixa de 
captar um determinado estmulo, conhecido por limiar absoluto. A umdade de medida seria 
a menor quantidade de energia acrescentada ou retirada a um estmulo para que se notasse 
uma diferena, conhecida por limiar diferencial.
Estes dois limiares no so fixos, uma vez que podem variar ao longo do tempo. Isto 
, num momento o valor do limiar pode ser X, e num momento posterior pode ser X+1 ou 
X-1. Estas variaes momentneas distribuir-se-iam no entanto aleatoriamente e segundo 
uma distribuio normal. Deste modo a determinao da energia mnima necessria ou 
limiar absoluto seria uma abstraco estatstica e de certo modo uma definio arbitrria.
Fechner desenvolveu um vasto trabalho experimental para que a sua lei tivesse 
validade emprica, tendo chamado particularmente a ateno para a necessidade de se 
seguir um planeamento experimental rigoroso, um aspecto importante a ter em conta por 
este tipo de investigao. Gustav T. Fechner defendeu ainda que o mbito da psicofsica 
seria determinar leis gerais entre estmulos e as sensaes e deveria ser compreendida 
como uma teoria de relaes funcionais entre o corpo e a mente. A lei de Fechner, os 
estudos sobre a sua validade emprica e as noes de limiar esto descritas numa publicao 
que  considerada como o primeiro tratado de psicologia experimental, Elementos de 
Psicofsica (1860).
Fechner teve um grande impacto no surgimento da psicologia como cincia, ao 
fornecer uma metodologia quantitativa de grande rigor formal. De acordo com Anderson e 
Borkowski (1977, p. 251) Fechner ter influenciado, entre outros investigadores, Freud, 
particularmente as concepes do princpio do prazer e o limiar de conscincia; Ebbinghaus 
que alis reconheceu a influncia do livro Elementos de Psicofsica nos seus estudos de 
aprendizagem e memria humanas; e William Stern, aluno de Ebbinghaus, que 
desenvolveu o conceito de quociente intelectual e foi um dos pioneiros do estudo das 
diferenas individuais.
Quase 100 anos aps a publicao da obra de Fechner, Stevens (1951, 1957) 
descobriu que a magnitude psicolgica no aumentava como uma funo logartmica, mas 
sim como uma funo exponencial. Assim, a magnitude percebida seria proporcional  
magnitude fsica elevada a uma certa potncia. Esta relao pode ser traduzida pela equao 
matemtica seguinte E = K x In, em que E = Estmulo percebido, I = Intensidade do 
estmulo fsico, n = Valor da potncia de um contnuo sensorial dado, K = Constante que 
depende do tipo de umdades de medida da escala.
A lei de Fechner, no entanto, no foi posta de lado completamente, uma vez que 
parece ser bastante adequada para determinar os valores de limiar com estmulos fsicos de 
grandeza intermdia. Entretanto o mais recentemente Nihm (1976) props uma lei 
polinomial que representaria adequadamente os dados de Fechner e Stevens, gerindo tratar-
se portanto de uma lei psicofisica mais geral.
Os mtodos psicofsicos incluem geralmente diferentes tipos de procedimentos para 
se determinar os limiares absoluto e diferencial. A seguir apresenta-se uma breve descrio 
dos principais mtodos.

1. O mtodo dos limites

Para a determinao do limiar absoluto apresentam-se aos sujeitos sries de 
estmulos sucessivamente diferentes: uma srie ascendente, em que o sujeito tem de referir 
se j detectou ou no a presena do estmulo; outra descendente, na qual o sujeito refere se 
sim ou no j deixou de detectar o estmulo. Sendo assim, o limiar absoluto  definido como 
um valor da intensidade do estmulo entre a transio da resposta do no para o sim (ensaios 
ascendentes) e do sim para o no (ensaios descendentes). Este procedimento est ilustrado 
no Quadro 2.2. O limiar absoluto seria a mdia dos limiares absolutos obtidos em cada 
ensaio, que no caso do exemplo apresentado no Quadro 2.2 seria 14,2.

Quadro 2.2: Procedimento para determinao do limiar absoluto segundo o mtodo 
dos limites usando-se 6 ensaios com apresentao alternada estmulo sonoro expresso em 
descendente e ascendente dos valores de um decibeis (db). (Pg. 58)

Por vezes, as diferenas obtidas entre os resultados nos ensaios ascendentes e 
descendentes ocorrem como resultado de respostas tendenciosas. Destas, destacam-se o 
erro de habituao e o erro de antecipao. O erro de habituao consiste numa reaco 
homognea do sujeito ao longo do ensaio, ou seja, o sujeito continua a responder sim na 
srie descendente apesar de j no detectar o estmulo; e no na srie ascendente, embora o 
estmulo j seja detectvel. O erro de antecipao acontece quando o sujeito responde 
prematuramente, antecipando a deteco do estmulo ao nvel do limiar absoluto.
Estes dois tipos de erro opem-se funcionalmente; quando o limiar absoluto 
descendente  menor que o limiar absoluto ascendente, ocorre um erro de habituao. Ao 
longo de vrios ensaios ascendentes e descendentes este erro pode ser corrigido pelos erros 
eventuais de antecipao. Em geral estes dois tipos de erro podem ser atenuados, alternado-
se os ensaios ascendentes e descendentes.

Quadro 2.3: Procedimento para determinao do limiar diferencial segundo o 
mtodo dos limites usando-se 6 ensaios com apresentao alternada descendente e 
ascendente dos valores de um estmulo luminoso expresso em lux. O estmulo padro (EP) 
foi fixado em 240. O estmulos apresentados acima e abaixo do EP so os estmulos 
comparativos (Ecs). (Pg. 59)

        Para a determinao do limiar diferencial apresenta-se um estmulo padro (EP) e 
uma srie de estmulos comparativos (EC), em ensaios alternadamente ascendentes e 
descendentes. O limiar diferencial  calculado a partir da diferena entre a mdia dos 
valores obtidos entre maior que e igual por um lado e a mdia dos valores obtidos entre 
menor que e igual por outro lado em cada ensaio ascendente e descendente. A 
ilustrao deste procedimento est exposta no Quadro 2.3. Neste Quadro o estmulo padro 
foi estabelecido em 240, tendo-se apresentado em cada ensaio ascendente e descendente 
valores do estmulo comparativo abaixo e acima de 240, evitando-se todavia comear 
sempre pelo mesmo valor. O limiar diferencial  expresso de acordo com a frmula 
seguinte:

L. D. = (L.D. +) - (L.D. -)
            2

Tendo em conta os valores do Quadro 2.3 determina-se (1) o limiar mdio superior, 
244; (2) o limiar mdio inferior, 237,3; (3) a diferena entre estes dois limiares mdios 
representa o intervalo de incerteza relacionado com o valor do estmulo padro 
seleccionado, 6,7; (4) o limiar diferencial  igual a metade do intervalo de incerteza e 
representa o valor mnimo, a mais ou a menos, que o estmulo comparativo deve apresentar 
para se diferenciar do estmulo padro, 3,35.

2. O mtodo do ajustamento

O procedimento utilizado neste mtodo  basicamente o mesmo que o do mtodo 
dos limites, uma vez que este tambm utiliza sries ascendentes e descendentes. A 
diferena entre eles reside no facto, de no mtodo do ajustamento, a manipulao dos 
estmulos ser feito pelo sujeito e no pelo experimentador. Assim na determinao do limiar 
absoluto o sujeito tenta ajustar a grandeza do estmulo at este ser percebido nos ensaios 
ascendentes ou deixar de ser percebido nos ensaios descendentes. No final o limiar 
absoluto  calculado a partir da mdia dos vrios ajustamentos.
O limiar diferencial  tambm obtido por ajustamentos feitos pelo sujeito entre o 
estmulo padro e os estmulos comparativos, tentando-se determinar a mdia entre maior 
que e igual por um lado e a mdia entre menor que e igual por outro, sendo a 
frmula de clculo igual  do mtodo dos limites.

3. O mtodo do estmulo constante

Para calcular o limiar absoluto, o experimentador selecciona cerca de 10 valores do 
estmulo, que se encontram acima ou abaixo do limiar absoluto presumvel. Cada um dos 
estmulos  apresentado vrias vezes numa ordem aleatria. Em cada ensaio o sujeito 
dever responder se sim ou no detecta estmulo. Naturalmente que a proporo das 
respostas sim sobe  medida que aumenta a grandeza do estmulo. Considera-se que o 
limiar absoluto  a proporo de respostas sim dadas pelo sujeito em 50% dos ensaios.
A determinao do limiar diferencial  semelhante a do limiar absoluto. A diferena 
entre eles reside no facto de no limiar absoluto se apresentar um s estmulo por ensaio, 
enquanto que no limiar diferencial se apresentam dois estmulos (os estmulos padro e 
comparativo). Na determinao do limiar diferencial solicita-se ao sujeito que indique se os 
estmulos comparativos so maiores, menores ou iguais em relao ao estmulo padro. O 
limiar diferencial  calculado a partir da diferena entre a mdia dos valores obtidos entre 
maior que e igual por um lado e a mdia dos valores obtidos entre menor que e 
igual por outro, sendo a frmula de clculo igual  do mtodo dos limites.
Este mtodo  considerado o mais exacto dos trs mtodos referidos, devido ao 
facto dos estmulos serem apresentados de forma aleatria, evitando-se mais facilmente os 
erros de habituao e antecipao, que ocorrem por vezes nos mtodos dos limites e 
ajustamento. Apesar deste mtodo ser considerado o mais preciso, apresenta porm a 
desvantagem de poder provocar algum enfado nos sujeitos devido ao nmero elevado de 
respostas que exige.

4. O mtodo de escada

Os mtodos anteriores foram propostos por Fechner no sculo passado. 
Recentemente foi proposto um mtodo alternativo de determinao do limiar absoluto, 
conhecido por mtodo de escada e que obteve uma certa popularidade (Haber e 
Hershenson, 1973). Essencialmente este mtodo consiste na apresentao do estmulo com 
valores acima do limiar. Em seguida o experimentador diminui a intensidade at o sujeito 
no ser capaz de detectar o estmulo; nessa altura volta a aumentar at o detectar, depois 
volta logo a diminuir at deixar de o detectar e assim sucessivamente em descidas e subidas 
na intensidade do estmulo durante umas 20 a 30 apresentaes de valores de intensidade 
do estmulo. Nesta altura  possvel atingir-se um patamar na grandeza do estmulo que 
traduz razoavelmente bem o valor do limiar absoluto.
Este mtodo  considerado um refinamento do mtodo dos limites, na medida em 
que o experimentador se concentra essencialmente  volta dos valores imediatamente acima 
e abaixo do presumvel limiar. Ao apresentarem-se valores bastante acima e abaixo do 
limiar no mtodo dos limites, as respostas a obter eram previsveis e por conseguinte pouco 
informativas.
Alm dos valores do limiar absoluto e diferencial os procedimentos usados na 
psicofsica clssica permitem ainda determinar o ponto de igualdade subjectiva (PIS) e o 
erro constante (EC). O PIS  o valor mais provvel da grandeza do estmulo comparativo 
que se julga como igual ao estmulo padro apresentado. Se o observador for preciso, o que 
raramente acontece, o PIS seria igual ao valor do estmulo padro. A frmula de clculo  a 
seguinte:

PIS = (L.D. +) + (L.D. -)
          2

No caso dos valores do Quadro 2.3, o PIS seria igual a (244+237,3) / 2 = 240,65.
O erro constante representa a diferena entre o valor do estmulo padro e o do PIS, 
que no exemplo anterior seria 0,65. Quando o PIS tem um valor superior ao do estmulo 
padro, o erro constante  positivo; quando tem um valor inferior  negativo.

Fechner definiu o limiar como o ponto a partir do qual o sujeito detecta o estmulo 
em 50% dos ensaios. Isto significa que os valores dos limiares absoluto e relativo so 
valores mdios e que estes valores so afectados por dois factores importantes como a 
habituao e a antecipao. O controle destes factores  feito a partir da alternncia da 
ordem de apresentao das sries descendentes e ascendentes. Alm destes factores, 
analisados no mbito da psicofsica clssica, seria importante referir ainda os seguintes:
O valor com que se inicia cada uma das sries descendentes e ascendentes deve ser 
diferente de ensaio para ensaio, de modo a evitar que o sujeito se habitue a um certo 
perodo de tempo e possa adivinhar a presena ou ausncia do estmulo no limiar absoluto 
ou a mudana de grandeza qualitativa no limiar diferencial.
O contexto ambiente em que a experincia se realiza pode influenciar a resposta do 
sujeito, por exemplo, numa experincia de determinao do limiar absoluto de um som este 
pode variar conforme o grau de rudo ambiente.
As expectativas do experimentador tambm podem ser influentes. Se este espera 
que as suas hipteses sejam confirmadas, pode inconscientemente escolher valores de 
estmulos a serem apresentados, de acordo com a expectativa de onde o limiar ir incidir.
A variao da energia do estmulo pode, por exemplo, ter influncia na percepo 
do brilho, pois o nmero de fotes de uma fonte luminosa varia de momento para momento. 
Tambm a sensibilidade prvia do sujeito poder influenciar ainda a percepo do brilho, 
pois o sujeito ter mais dificuldades em percepcionar uma luz se vier dum local bastante 
iluminado do que se vier dum local pouco iluminado.
Diferenas individuais podem tambm ter um papel importante na determinao dos 
limiares, j que sujeitos de personalidade indecisa ou expedita podem agir, num momento 
de indeciso sobre a resposta a dar, de acordo com o trao dominante de personalidade.

1 Experincia: Obteno do Limiar Absoluto Auditivo

O objectivo desta experincia foi determinar o limiar absoluto de audibilidade 
mnima numa amostra de jovens para diferentes frequncias sonoras de acordo com o 
mtodo psicofsico dos limites.

Mtodo 
Sujeitos: A amostra foi constituda por 45 estudantes de psicologia da Universidade 
do Porto no ano lectivo de 1988/89. A grande maioria dos sujeitos pertenciam ao grupo 
etrio dos 18 - 21 anos, sendo a maioria do sexo feminino.
Material: Nesta experincia foi usado um audimetro, aparelho que permite a 
apresentao de sons de diversas frequncias e intensidades, de forma a que seja possvel 
medir o nvel de audibilidade mnimo.
Planeamento: O objectivo da experincia foi determinar o limiar absoluto de 
audibilidade mnima para diferentes frequncias sonoras, tendo-se optado pelos valores de 
125, 500, 1000, 3000 e 8000 ciclos por segundo (cps). O mtodo psicofsico de 
determinao do limiar absoluto foi o mtodo dos limites. A varivel independente 
manipulada foi a frequncia do som, com cinco condies e a varivel dependente registada 
foi o valor da intensidade sonora mnima percebida ou o limiar absoluto. A ordem de 
apresentao das condies da varivel independente foi contrabalanceada. Assim 
apresentou-se ao sujeito 1 a ordem 125, 500, 1000, 3000, 8000; ao sujeito 2 a ordem, 500, 
1000, 3000, 8000, 125; ao sujeito 3 a ordem, 1000, 3000, 8000, 125, 500; etc.).
Procedimento: O sujeito efectuava a experincia na companhia do experimentador 
no interior de uma cabine insonorizada. Aps terem sido lidas e compreendidas as 
instrues o sujeito era convidado a colocar uns auscultadores, que apresentavam os sons do 
audimetro. Em seguida o experimentador apresentava um som de uma das cinco 
frequncias manipuladas numa ordem descendente. A tarefa do sujeito consistia em 
pressionar um boto de resposta quando deixasse de ouvir o som. No ensaio seguinte, a 
intensidade do estmulo sonoro aumentava progressivamente a partir de um valor inaudvel 
e o sujeito deveria pressionar o boto de resposta, quando o som se tornasse perceptvel. 
Para cada condio realizaram-se seis ensaios experimentais, sendo trs ascendentes, em 
que o experimentador aumentava a intensidade do estmulo sonoro de cinco em cinco 
decibeis e trs descendentes, em que se diminua a intensidade do som na mesma 
proporo. Cada sesso durou cerca de 10 minutos. Por manifesta falta de tempo 
determinou-se apenas o valor do limiar absoluto para o ouvido direito.

Apresentao e anlise dos resultados

Nesta experincia o limiar absoluto foi calculado para a totalidade dos sujeitos e para 
cada frequncia, a partir da mdia dos valores obtidos na totalidade dos seis ensaios, 
ascendentes e descendentes. Os resultados obtidos, expressos em decibeis,* encontram-se 
expostos no Quadro 2.4. Ainda no Quadro 2.4 encontram-se os valores de audibilidade 
mnima obtidos por Davis e Krantz (1964) a partir de vrios estudos efectuados em amostras 
de sujeitos jovens e com audio normal. Os valores propostos por Davis e Krantz (1964) 
foram obtidos em condies de audio consideradas ptimas e revistos pela ISO 
(International Organization for Standardization).

* 0 decibel  uma unidade logartmica de medida da intensidade sonora e  expresso 
pela frmula DB = 20 log10 P1/P0, em que P1 representa a presso sonora a descrever e P0 
representa a presso de referncia, normalmente o valor de 0,0002 dynes/cm2. O valor de 
0,0002 dynes/cm2 representa a presso de um som de 1000 cps, prximo do valor de 
audibilidade mnima. Atravs desta frmula pode-se calcular o valor em DB de um som 10 
vezes superior ao som de referncia, que seria (20 log10 (10) = 20 DB: Um som 100 vezes 
superior corresponderia a 40 DB. Isto significa que um som de 40 DB representaria 10000 
unidades de intensidade fsica do estmulo, enquanto que um som de 20 representaria 
apenas 100 unidades.

Quadro 2.4: Valores mdios de audibilidade mnima (limiar absoluto), desvios 
padres respectivos e valores mnimos e mximos obtidos para cinco frequncias sonoras. 
Na quinta linha encontram-se os valores mdios obtidos por Davis e Krantz (1964). (pg.65)

        Anlise do Quadro 2.4 revela uma pequena subida do limiar absoluto de 125 para 
500 cps e depois uma manuteno do limiar absoluto at aos 8000 cps. A subida de 125 para 
500 pode parecer surpreendente atendendo aos resultados esperados, no entanto, esta 
subida ocorreu na maioria dos sujeitos, o que revela que no  um artefacto da experincia. 
Por outro lado a ordem de apresentao das diferentes frequncias foi contrabalanceada, de 
modo que  possvel que os resultados sejam devidos a problemas de aferio do 
audimetro.
Os valores de audibilidade mnima, que em geral se situam por volta dos 10 decibeis 
na zona de frequncias dos 1000 a 3000 cps, apresentaram valores quase triplos destes.  
possvel que os resultados desta experincia possam ter sido afectados, ou por factores de 
calibragem do aparelho, ou devido s condies de insonorizao da cmara, que no eram 
as ideais.

2  Experincia: Obteno do Limiar Diferencial de Brilho

O objectivo desta experincia foi a determinao do limiar diferencial de acordo 
com o mtodo psicofsico dos limites numa tarefa de discriminao de brilho.

Mtodo
        Sujeitos: A amostra foi constituda por 17 alunos do l ano do curso de Cincias da 
Educao da Universidade do Porto.
Material: Nesta experincia usou-se um aparelho de discriminao do brilho, uma 
espcie de caixa rectangular onde se encontram dois discos, cujos valores de luminosidade 
ou brilho so manipulados atravs de comandos independentes. O brilho de cada um dos 
discos  regulado para valores que vo desde 0 a 320. Este aparelho permite determinar o 
grau de discriminao entre duas luzes de intensidade diferentes.
Planeamento: A determinao do limiar diferencial na percepo do brilho foi obtida 
atravs do mtodo dos limites. A cada sujeito foram apresentadas duas luzes: uma fixa 
(estmulo padro = 240) e outra regulada para uma intensidade inferior, igual ou superior ao 
estmulo padro (estmulo comparativo). Numa fase ascendente, aumentou-se 
progressivamente a intensidade do estmulo comparativo e o experimentador anotava as 
respostas do sujeito menor, igual e maior que em cada uma das apresentaes. Na fase 
descendente, diminuiu-se progressivamente a intensidade do estmulo comparativo e o 
experimentador anotava as respostas do sujeito maior, igual e menor que, em cada uma das 
apresentaes. A varivel dependente foi o limiar diferencial obtido a partir das respostas de 
maior, igual e menor que dadas pelos sujeitos. Nesta experincia realizaram-se seis ensaios 
experimentais, trs ascendentes e trs descendentes alternadamente.
Procedimento: Cada sujeito sentava-se em frente do aparelho de discriminao do 
brilho, onde podia observar dois discos iluminados.
O disco da esquerda representava o estmulo padro (EP) e o disco da direita o 
estmulo comparativo (EC). Na fase descendente, o experimentador diminua a intensidade 
do EC progressivamente e anotava as respostas maior, igual e menor que, dadas pelo 
sujeito, parando quando o sujeito dizia que o brilho do EC era menor que o EP duas vezes 
consecutivas. Na fase ascendente, o experimentador aumentava a intensidade do estmulo 
comparativo progressivamente e anotava as respostas menor, igual e maior que, dadas pelo 
sujeito, parando quando o sujeito dizia que o brilho do EC era maior que o estmulo padro 
duas vezes consecutivas.

Quadro 2.5: Valores do limiar diferencial, ponto de igualdade subjectiva e intervalo 
de incerteza numa experincia de discriminao do brilho, com o estmulo padro fixado em 
240. (Pg. 67)

Apresentao e anlise dos resultados

O limiar diferencial foi determinado de acordo com a frmula apresentada na 
Introduo deste estudo. Assim calculou-se primeiramente as mdias dos limites inferiores e 
superiores; Em seguida subtraiu-se a diferena entre as mdias e dividiu-se por dois. Os 
valores a calcular para se determinar o limiar diferencial mdio para os 17 sujeitos deste 
estudo encontram-se expostos no Quadro 2.5.
O limiar diferencial de 2,5 indica que este valor seria a menor quantidade de energia 
acrescentada ou retirada ao estmulo padro seleccionado para que se notasse uma 
diferena.

Concluso

Os valores obtidos na primeira experincia de determinao do limiar absoluto tm 
um significado muito restrito, de modo que os resultados obtidos no devem servir de 
referncia comparativa, tendo quando muito um carcter predominantemente ilustrativo da 
metodologia a usar. Por outro lado, os resultados da segunda experincia, alm de serem 
ilustrativos da metodologia de determinao do limiar diferencial, apresentam maior 
consistncia e podem permitir eventuais comparaes.
A determinao dos limiares absolutos e relativos tem um passado que remonta s 
origens da psicologia cientfica. A metodologia de obteno dos limiares, de que Fechner 
foi o principal obreiro, revela um grande rigor cientfico, a ponto de ser usada com 
frequncia em diversas situaes. Por exemplo, as provas de qualidade de vinhos, queijos 
ou outros produtos alimentares podem ser sujeitas a uma metodologia tpica de 
determinao do limiar diferencial recorrendo-se a um dos trs mtodos anteriormente 
descritos. Por outro lado, as experincias de determinao do limiar absoluto, alm de terem 
uma grande importncia no diagnstico da surdez, permitem ainda obter valores supra-
limiares considerados satisfatrios para ambientes de leitura numa biblioteca, iluminaes 
pblicas ou rudo ambiente num escritrio ou numa zona habitacional.
Os mtodos psicofsicos apresentam no entanto algumas limitaes, ao no terem em 
conta aspectos da personalidade do sujeito. No momento do sujeito decidir se sim ou no 
percebeu um estmulo num dado ensaio, a deciso a tomar pode ser influenciada pelas 
expectativas que tem sobre a probabilidade do aparecimento do estmulo (Galanter, 1962), 
pelas consequncias da resposta que der (favorveis ou desfavorveis) e at pelo facto de 
ser por natureza cauteloso ou impulsivo (Smith e Wilson (1953).
Por exemplo, numa experincia efectuada por Smith e Wilson (1953), estes 
investigadores seleccionaram trs grupos de sujeitos para participarem numa tarefa de 
deteco auditiva, tendo instrudo cada grupo a tomar respectivamente uma atitude 
conservadora, liberal e radical. Os conservadores apenas deveriam indicar a presena do 
estmulo quando estivessem absolutamente certos da sua presena; Os liberais apenas 
quando se sentissem com alguma inclinao; Os radicais logo que sentissem a mnima 
tendncia. O mtodo de apresentao foi o do estmulo constante.
Os resultados indicaram que as instrues afectaram substancialmente o formato da 
funo. Na situao em que nenhum estmulo era apresentado, os radicais indicaram a 
pseudo-presena cerca de 50% das vezes; os liberais cerca de 20% e os conservadores 3%. 
Estas diferenas foram diminuindo  medida que a grandeza fsica do estmulo aumentava.
Ao contrrio do que supunha Fechner, a resposta do sujeito no  afectada apenas 
pelas variaes do estmulo ou pelo contexto da sua apresentao, mas tambm depende de 
factores que influenciam especificamente o processo de tomada de deciso. Neste sentido 
algumas das limitaes dos mtodos psicofsicos clssicos foram contempladas numa 
metodologia alternativa, denominada teoria da deteco do sinal, a ser apresentada no 
prximo estudo.

Bibliografia citada e recomendada

Davis, H., e Krantz, F. W. (1964). International audiometric zero. Journal of the 
Acoustical Society of America, 36, 1450-1454.         
Anderson, D. C., e Borkowski, J. C. (1977). Experimental psychology: Research 
tactics and their applications. Glenview, III.: Scott, Foresman & Company.         
Calfee, R. C. (1975). Human experimental psychology. New York: Holt, Rinehart & 
Winston.         
Carterette, E. (1974). Handbook of perception: Psychological judgement and 
measurement. New York: Academic Press.
Dember, W., e Warm, J. (1979). Psychology of perception. New York: McGraw-
Hill.         
Fechner, C. T. (1966). Elements of psychophysics. (Trad. H. E. Adler). New York: 
Holt, Rinehart & Winston. (Obra original publicada em 1860).         
Galanter, E. (1962). Contemporary psychophysics. In E. Galanter (Ed.). New 
directions in psychology (Vol.1). New York: Holt, Rinehart & Winston.         
Haber, R. N., e Hershenson, M. (1973). The psychology of visual perception. New 
York: Holt, Rinehart & Winston.         
Hochberg, J. (1978). Percepcion. Englewood Cliffs: Prentice Hall.         
Kling, J. W., e Riggs, L. A. (1972). Woodworth & Schlosberg's experimental 
psychology. London: Methuen.         
Lindsay, P., e Norman, D. (1977). Human information processing. Na introduction to 
psychology. New York: Academic Press.         
Massaro, D. W. (1989). Experimental psychology: An information processing 
approach. San Diego: Harcourt Brace Javanovich.         
Nihm, S. D. (1976). Polynornial law of sensation. American Psychologist, 31, 808-
809.         
Smith, M., e Wilson, E. A. (1953). A model of the auditory thres-hold and its 
application to the problem of the multiple observer. Psychological Monograhs: General and 
Applied, 67 (9, N 359)         
Snodgrass, J. C., Levy-Berger, C., e Haydon, M. (1985). Human experimental 
psychology. New York: Oxford University Press.                 
Stevens, S. S. (1951). Mathematics, measurement and psycho-physics. In S. S. 
Stevens (Ed.), Handbook of experimental psychology. New York: Wiley.        
Stevens, S. S. (1957). On the psychophysical law. Psychological Review, 64, 153-
181.

Apndice 2

Instrues

Limiar Absoluto: No ouvido direito vai ser apresentado um som. Inicialmente no 
ter dificuldades em ouvi-lo. Depois o som vai diminuindo progressivamente at que j no 
ser capaz de o detectar. Gostaria que indicasse o momento a partir do qual deixaria de 
detectar o som, pressionando este boto do audimetro. No ensaio seguinte procederei de 
modo inverso, isto , o som  inicialmente inaudvel e a pouco e pouco irei aument-lo at 
ser capaz de o detectar. Nessa altura indique o momento de deteco pressionando o 
mesmo boto. Vo ser realizados vrios ensaios alternados na ordem descendente e 
ascendente. Compreendeu? Est pronto(a)? Ento, ponha por favor estes auscultadores.

Limiar Diferencial: Este aparelho apresenta dois discos iluminados. O brilho do 
disco esquerdo mantm-se constante ao longo da sesso; o do disco direito comea por estar 
a princpio mais brilhante e depois vai diminuindo at ficar bastante inferior  do disco 
esquerdo. Em cada ensaio gostaria que me indicasse se o brilho do disco direito  maior do 
que, igual ou menor do que a do disco esquerdo. Na srie seguinte de ensaios, irei 
aumentando sucessivamente, a partir de um valor baixo, a intensidade do disco direito, de 
modo que gostaria que me indicasse quando  que o brilho percebido  menor do que, 
igual ou maior do que a do disco esquerdo. Vo ser realizados vrios ensaios alternados 
na ordem descendente e ascendente. Compreendeu? Est pronto(a)? Ento vamos comear.
As folhas de resposta so semelhantes aos Quadro 2.2 e 2.3.


3

Um Estudo de Reconhecimento Verbal Segundo a Metodologia 
de Deteco do Sinal

Este estudo teve por objectivo descrever os princpios da teoria de deteco do sinal 
(TDS) e situd-1os face s limitaes da psicofsica clssica. Na introduo do trabalho  feita 
uma referncia  metodologia da teoria de deteco do sinal e as vantagens que apresenta 
relativamente  psicofsica clssica na determinao do limiar. Na segunda parte estes 
princpios metodolgicos so aplicados a um estudo de reconhecimento de memria, tendo-
se apresentado visualmente 50 palavras; Estas palavras foram posteriormente apresentadas 
aos sujeitos, misturadas com outras 50 novas palavras, que serviram de distractores. A 
varidvc1 manipulada foi o intervalo de reteno com uma durao aproximada de 15 
minutos. Apesar dos resultados obtidos se situarem no sentido da tendncia esperada, isto , 
o reconhecimento foi inferior no intervalo mais longo, no se verificaram diferenas 
significativas. Esta experincia serviu para ilustrar a obteno dos valores de sensibilidade 
(?) e enviesamento () dos sujeitos segundo a metodologia da teoria de deteco do sinal.

Introduo

Grande parte do nosso conhecimento  adquirido a partir dos rgos sensoriais, 
existindo uma relativa correspondncia entre o mundo percebido e o mundo exterior. As 
impresses sensoriais que se tem do mundo  nossa volta so captadas a partir de diferentes 
modalidades sensoriais como a viso, audio, olfacto, etc. Uma primeira tentativa para 
explicar tais impresses surgiu com a psicofsica, que pretendia determinar a relao 
funcional entre uma grandeza fsica e a correspondente grandeza percebida ou subjectiva. 
Os mtodos psicofsicos constituem um conjunto de procedimentos para registar as respostas 
do sujeito, consoante as variaes das dimenses fsicas do estmulo, permitindo a medio 
dos fenmenos psicolgicos de maneira quantitativa e precisa.
A psicofsica  obra sobretudo dos investigadores Alemes do sc. XIX, Weber 
(1795-1878) e Fechner (1801-1887) que introduziram os conceitos de limiar absoluto e 
limiar diferencial para determinar os valores da percepo do sujeito em relao a variaes 
da grandeza fsica de um determinado estmulo. O limiar absoluto corresponderia  
probabilidade da deteco de um determinado estmulo em cerca de 50% dos casos e seria 
o ponto zero de uma escala subjectiva de percepo da intensidade desse estmulo. O 
limiar diferencial determinaria os intervalos dessa escala subjectiva, permitindo discriminar 
se um dado estmulo seria mais ou menos intenso do que outro.
Fechner partia do pressuposto de que os mtodos psicofsicos eram procedimentos 
capazes de fornecer uma medida da sensibilidade sensorial de um sujeito. No entanto os 
mtodos psicofsicos que determinam os valores de limiar so baseados no processo de 
deciso dos sujeitos e no nas sensaes. A sensibilidade sensorial tem a ver com os limites 
envolvidos na capacidade de resoluo de um determinado sistema sensorial. Embora os 
sujeitos respondam de forma consistente ao longo dos vrios ensaios, as respostas dadas no 
so as do olho ou do ouvido, mas as da pessoa avaliada. Por outro lado, os mtodos 
psicofsicos determinam o valor do limiar a partir de um perfil de respostas comportamentais 
que se julga consistente ao longo de uma experincia. No entanto h casos em que o perfil 
de respostas no  consistente, tendo a psicofsica clssica considerado que tais flutuaes 
ocasionais dos resultados seriam distribudas aleatoriamente pelos vrios ensaios da 
experincia.
Na realidade a psicofsica clssica subestimou o grau de variabilidade das respostas 
dos sujeitos. Estas dependem num grau acentuado do contexto em que se realiza a 
experincia, da atitude conservadora ou impulsiva do sujeito, das remuneraes concedidas 
e da motivao do sujeito. Por exemplo, um operador de radar, cuja misso  discriminar de 
entre os vrios pontos luminosos em movimento aqueles que indicam perigo ter um limiar 
de discriminao inferior se estiver numa zona de combate do que numa zona 
desmilitarizada. Assim o contexto, a existncia de prmios ou punies tem um efeito 
acentuado no valor de sensibilidade obtido. Green e Swets (1966) verificaram ainda que  
medida que a probabilidade de um estmulo diminua, o valor do limiar estimado pelo sujeito 
aumentava; se a probabilidade de um estmulo aumentava, o valor de limiar diminua.
De acordo com Anderson e Borkowsky (1977, p. 285) a teoria da deteco do sinal 
desenvolveu-se a partir dos esforos feitos para descrever e prever de forma mais eficaz o 
desempenho dos sujeitos humanos em tarefas de deteco de sinais. A partir da segunda 
guerra mundial construram-se sistemas tcnicos de grande complexidade de 
funcionamento, como por exemplo o radar e o avio, e era necessrio verificar o grau de 
eficincia do ser humano no desempenho destes sistemas. Neste sentido usaram-se 
inicialmente os mtodos psicofsicos clssicos, mas a sua adequao aos objectivos 
pretendidos cedo se revelou pouco satisfatria.
A teoria da deteco do sinal  um sistema de anlise de dados que teve como 
fontes de apoio a teoria de deciso estatstica e a psicometria. Esta teoria props um mtodo 
diferente da determinao da sensibilidade do sistema sensorial. Assim, a percepo seria 
controlada por dois processos bsicos internos: o sistema sensorial e o processo de deciso 
do sujeito. A chegada de um sinal ou estmulo a um receptor gera uma impresso sensorial 
dependente por um lado da intensidade do sinal, e por outro lado de um processo 
subsequente de deciso humana. Uma experincia bsica no mbito desta teoria estuda a 
deteco do sinal em funo, quer da presena ou ausncia de um estmulo especfico, quer 
da deciso do observador em reconhecer ou no a respectiva presena.
        A tomada de deciso do observador depende de vrios factores: 1) A sensibilidade 
do sistema sensorial; 2) As expectativas do sujeito face ao aparecimento do estmulo; 3) A 
motivao do sujeito em ser preciso face s consequncias de cada resposta; 4) A natureza 
do prprio estmulo.
Neste sentido sempre que se pretenda determinar o valor de limiar, a teoria de 
deteco do sinal prope a apresentao de dois tipos de provas: (1) Provas-sinal: O sinal 
est presente e a resposta do sujeito foi sim; A deciso foi um xito; (2) Provas-rasteira: O 
sinal est ausente e a resposta do sujeito foi no; A deciso foi uma relao correcta.
Destas provas apresentadas resultam dois tipos de erros: (1) Os sujeitos podem 
responder no a um estmulo apresentado, produzindo-se assim um erro por omisso; (2) Os 
sujeitos podem responder sim a um estmulo ausente, resultando daqui um erro por falso 
alarme. A Figura 3.1 ilustra os vrios tipos de resposta do sujeito.

Figura 3.1: Representao dos quatro tipos de resposta que se podem obter com a 
TDS. (Pg. 75)

Se numa experincia se variar a proporo de provas-sinal e provas-rasteira ao longo 
dos ensaios e se a percentagem de provassinal for maior do que a de provas-rasteira, ento  
provvel que o sujeito fique mais na expectativa de ocorrncia do sinal, dando mais falsos 
alarmes. Isto revela uma tendncia para responder com base em factores no-sensoriais.
Alm da manipulao das expectativas do sujeito, o experimentador pode ainda 
manipular as consequncias da produo diferenciada de erros ou de falsos alarmes, 
influenciando assim o valor do limiar de deteco. Por exemplo, no caso de um operador de 
radar, cuja misso  detectar correctamente qualquer objecto voador no cran (avies, 
msseis, etc.) a no deteco de um mssil poderia ser catastrfico. Se, pelo contrrio, o 
operador assinalar a presena de um mssil, quando na realidade se trata de um avio, a 
deciso no seria tambm muito satisfatrio, pois implicaria mobilizaes desnecessrias. 
Como no primeiro caso advm consequncias mais graves do que do segundo, ser de 
prever que o operador em circunstncias de difcil deciso d mais falsos alarmes do que 
erros por omisso.
A teoria de deteco do sinal assume que qualquer que seja o estmulo ou sinal a 
detectar, este nunca aparece isolado. Todo o ensaio contm um certo grau de interferncia 
ou rudo proveniente dos factores j mencionados. A teoria assume que a distribuio dos 
vrios estmulos e rudos apresentados ao sujeito se processa de acordo com uma curva 
normal, isto , os efeitos produzidos pelo rudo e pelo sinal variam de uma forma aleatria, 
segundo uma distribuio normal.
A impresso sensorial que surge de um ensaio onde ocorre somente o rudo tende a 
ser pequena, de modo que depois de muitos ensaios obter-se- uma distribuio com uma 
mdia igual a zero. Quando se adiciona um sinal ao contexto de rudo h um maior 
deslocamento do nvel mdio de excitao, obtendo-se assim, uma distribuio com uma 
mdia maior. Ensaios repetidos geram duas distribuies, uma para o rudo e outra para o 
sinal mais rudo, como se pode verificar na Figura 3.2.
A partir do afastamento da distribuio rudo e da distribuio rudo-mais-sinal  
possvel determinar o valor da sensibilidade do sujeito em diversos tipos de tarefas. O ndice 
de sensibilidade representa a capacidade do observador para discriminar o sinal do rudo e 
funciona como o conceito de limiar na psicofsica clssica. O ndice de sensibilidade, 
expresso pela letra grega ? indica a distncia entre as mdias da distribuio do sinal 
relativamente  mdia da distribuio do rudo em unidades de desvio padro da curva 
normal. O clculo de ?  a diferena entre os valores Z correspondentes s percentagens de 
falsos alarmes e Z correspondentes s percentagens de xitos e pode-se exprimir pela 
frmula seguinte:

?= Z (% de falsos alarmes) - Z (% de xitos)

Veja-se a Tabela 3.1 na pgina 85 para se obter os valores de Z.

Figura 3.2: Distribuies tericas do rudo e do rudo+sinal. (Pg. 77)

A Figura 3.3 apresenta uma ilustrao da sensibilidade do sujeito (?) a partir da 
distncia que separa a distribuio-sinal da distribuio-rudo.

Figura 3.3: Ilustrao da sensibilidade do sujeito a partir da distncia que separa a 
distribuio-rudo da distribuio do rudo+sinal. (Pg. 77)

Um sujeito  mais ou menos sensvel conforme as duas distribuies de rudo e de 
sinal + rudo estiverem afastadas. Quanto maior for o valor de ?, maior a separao entre as 
duas distribuies. Se a capacidade do sujeito para discriminar o sinal for nula, as duas 
distribuies sobrepor-se-o.
A teoria de deteco do sinal parte ainda do princpio de que o observador constitui 
um sistema complexo de processamento informao, agindo de acordo com um determinado 
critrio. Em qualquer ensaio da experincia, o sujeito apenas possui uma observao da 
estimulao. No entanto, nem sempre  capaz de afirmar com segurana se a estimulao 
provm da distribuio-rudo ou da distribuio sinal+rudo. Entretanto, o sujeito tem de 
fornecer ao experimentador uma resposta se sim ou no percebeu o sinal.

Figura 3.4: Posio da linha critrio (B) e indicao das diferentes reas ocupadas 
nas distribuies tericas de rudo e de rudo+sinal pelos diferentes ti s de resposta dadas 
pelo sujeito. (Pg. 78)

Em termos da teoria de deciso, considera-se que o sujeito estabelece um critrio 
para a resposta a dar, dizendo sim se a quantidade de estimulao ultrapassa um 
determinado limiar e no se fica aqum desse limiar. Se o sujeito for bastante cauteloso 
exigir uma quantidade substancial de excitao antes de dizer sim e a linha representativa 
do critrio deslocar-se- para a direita da interseco das duas distribuies. Se o sujeito for 
impulsivo e gostar de assumir riscos, ento ser suficiente um pequeno valor de excitao 
antes de dizer sim e a linha representativa do critrio deslocar-se- para a esquerda da 
interseco das duas distribuies.
A localizao da linha critrio na distribuio sinal+rudo depende da deciso do 
observador em maximizar ou no o nmero de respostas correctas. A Figura 3.4 representa 
a posio da linha critrio para um sujeito cauteloso, estando indicadas ainda nesta Figura as 
reas referentes aos xitos, erros por omisso, falsos alarmes e rejeies correctas.
O valor do critrio ()  calculado a partir da proporo da ordenada correspondente 
 percentagem de xitos na prova sinal+rudo em relao ao valor da ordenada 
correspondente  percentagem de falsos alarmes na prova rudo, de acordo com a frmula 
seguinte:

  = Ordenada da % de xitos
    Ordenada da % de F. Alarmes

Os valores da ordenada podem ser obtidos na Tabela 3.1 da pgina 84. Quando   
maior que 1, o valor indica que o observador foi cauteloso. Quando   igual a 1, tal valor 
revela que o observador foi moderado, situando-se o critrio no ponto de interseco das 
duas distribuies. Quando   menor do que 1 o observador assumiu uma atitude de risco.
O valor  representa portanto o tipo de enviesamento das respostas do sujeito. Os 
valores da ordenada da curva normal para diferentes valores de p encontram-se expostos 
numa tabela em Apndice.

A metodologia acabada de apresentar tem um vasto leque de aplicaes, desde a 
deteco por radar, monitorizao de painis de instrumentos at ao reconhecimento 
mnsico de itens. Em virtude das facilidades de planeamento e realizao de uma prova de 
reconhecimento verbal, o estudo que se segue pretende, entre outros objectivos, ilustrar a 
metodologia da teoria de deteco do sinal a uma prova de memria.

Experincia

O objectivo desta experincia foi determinar o efeito da durao de um intervalo de 
reteno numa prova de reconhecimento verbal. Para o efeito foram apresentadas aos 
sujeitos uma lista de 50 palavras, que posteriormente deveriam ser reconhecidas de entre 
outras 50. Se o intervalo de reteno afectar o reconhecimento, ento o nmero de palavras 
reconhecidas no intervalo mais longo ser inferior ao do intervalo mais curto.

Mtodo 
Sujeitos: A amostra foi constituda por 43 estudantes de psicologia da Universidade 
do Porto no ano lectivo de 1988/89. A grande maioria dos sujeitos pertenciam ao grupo 
etrio dos 18 - 21 anos, sendo a maioria do sexo feminino.
Material: O material foi constitudo por uma lista de 50 palavras de frequncia mdia 
na lngua portuguesa e que variavam entre 5 e 8 letras. As palavras foram copiadas para 
diapositivos para exposio visual por perodos de durao de 2,5 segundos cada slide. 
Duas palavras com as mesmas caractersticas constituram o ensaio prtico. A lista das 
palavras encontra-se no Apndice 3, p. 84.
Planeamento: A varivel independente manipulada foi o intervalo de reteno com 
dois valores: Apresentao da avaliao do reconhecimento verbal imediatamente aps a 
apresentao do ltimo diapositivo, condio de reteno imediata, e avaliao do 
reconhecimento verbal aps terem decorrido 15 minutos sobre a apresentao do ltimo 
diapositivo, reteno retardada. O intervalo de reteno de 15 minutos foi preenchido com a 
resposta a um questionrio sobre lapsos de memria. A distribuio dos sujeitos pelos dois 
grupos foi efectuada de forma aleatria. A varivel dependente registada foi o nmero de 
palavras correctamente reconhecidas pelos sujeitos, de uma lista de 100 palavras, onde 
figuravam as 50 palavras apresentadas e 50 novas palavras com caractersticas similares s 
anteriores.
Procedimento: No incio da experincia, os sujeitos foram informados de que iria ser 
apresentada uma lista de 50 palavras, de frequncia mdia na lngua portuguesa,  qual 
deveriam prestar a devida ateno uma vez que teriam de as reconhecer mais tarde. No foi 
dada qualquer indicao se a prova de reconhecimento seria imediata ou retardada. A prova 
de reconhecimento foi constituda por100 palavras, apresentadas numa folha A4 e dispostas 
por ordem alfabtica em quatro colunas de 25 palavras cada. Destas 100 palavras apenas 
metade tinham sido apresentadas ao sujeito anteriormente. Em cada condio, os materiais 
verbais foram apresentados a pequenos grupos de sujeitos.

Apresentao, anlise e discusso dos resultados

As percentagens mdias de cada um dos quatro tipos de respostas, categorizadas de 
acordo com a matriz da Figura 3.1, esto expostas no Quadro 3.1, quer para a condio de 
reteno imediata quer retardada. Os resultados foram analisados de acordo com vrias 
medidas. Um tipo de medidas estava relacionado com a metodologia da teoria de deteco 
do sinal, tendo-se obtido a este respeito os valores de sensibilidade (?) e critrio ().

Quadro 3.1: Percentagens mdias de xitos, erros, falsos alarmes e rejeies 
correctas obtidos na prova de reconhecimento imediato (1) e no reconhecimento retardado 
(2), segundo a metodologia de deteco do sinal. (Pg. 80)

Um segundo tipo de medidas usado foi a obteno do ndice de xitos corrigidos 
para provas de reconhecimento (Gregg, 1986, p. 277). O ndice de xitos corrigidos 
representa a percentagem de xitos que foram corrigidos a partir da percentagem de falsos 
alarmes dados. A frmula para calcular a percentagem de xitos corrigidos  a seguinte:

p [xitos corrigidos] = p [xito obtido] - p [falso alarme]
                                        1 - p [falso alarme]

Os valores destas medidas encontram-se expostos no Quadro 3.2. As diferenas 
observadas nas mdias dos dois grupos para os xitos corrigidos foram sujeitas a um teste t-
Student para amostras independentes. 0 valor do teste revelou que as diferenas no eram 
estatisticamente significativas t (41) = 1,8, p =0,09. O mesmo teste foi aplicado aos valores 
obtidos de sensibilidade (?) e critrio () tendo-se verificado que as diferenas observadas 
no eram tambm estatisticamente significativas. Assim para os valores de ? obteve-se t (41) 
= 1,0, p =0,32 e para  obteve-se t (41) = 0,9, p =0,39. Os resultados indicaram que a 
percentagem de reconhecimento verbal para 50 palavras no era substancialmente afectado 
pelo intervalo de reteno seleccionado.

Quadro 3.2: Valores de reconhecimento imediato e retardado expressos em termos 
de sensibilidade, critrio, percentagem mdia de xitos corrigidos e respectivo desvio 
padro, alm do nmero e sujeitos por condio. (Pg. 82)

Apesar das diferenas no terem sido significativas os resultados obtidos indicam 
uma tendncia no sentido esperado. Assim o valor de sensibilidade obtido para o grupo de 
reconhecimento imediato foi mais baixo do que o valor obtido no grupo de reconhecimento 
retardado. Por outro lado, os valores do ndice critrio sugerem que os sujeitos de ambos os 
grupos foram bastante cautelosos, sendo esta atitude mais elevada no grupo de reteno 
retardada. Em resumo, a prova de reconhecimento verbal revelou-se adequada a uma 
ilustrao da metodologia da teoria de deteco do sinal.

Bibliografia citada e recomendada

Anderson, D. C., e Borkowsky, J. G. (1977). Experimental psychology: Research 
tactics and their applications. Glenview, Illinois: Scott, Foresman & Company.
        Bennett, T. L. (1978). The sensory world. An introduction to sensation and 
perception. Montery, California: Brooks/Cole.
Galanter, E. (1974). Psychological decision mechanisms and perception, In. E. C. 
Cartette e M. P. Friedman (Eds). Handbook of percepton. Vol. II, Psychophysical   
judgment and measurement. New York: Academic Press.         
Green, D. M., e Swets, J. A. (1966). Signal detection theory and psychophysics. 
New York: Wiley. Gregg, V. H. (1986). Introduction to human memory. London: 
Routledge & Kegan Paul.         
Kantowitz, B. H., e Roediger III, H. L. (1978). Experimental psychological research. 
Chicago: Rand McNaIly College.         
Kling, J. W., e Riggs, L. A. (1972). Woodworth & Schlosberg's experimental 
psychology. London: Methuen.         
Lindsay, P., e Norman, D. (1977). Human information processing. Na introduction to 
psychology. New York: Academic Press.         
Massaro, D. W. (1989). Experimental psychology: An information processing 
approach. San Diego: Harcourt Brace Javanovich.         
Murch, C. M. (1973). Visual and auditory perception. Indianapolis: Bobbs-Merrill.

Apndice 3

Instrues

Apresentao da lista: Nesta prova vai ser apresentada uma lista de 50 palavras, uma 
a uma, por meio de um projector de slides. O tempo de exposio de cada palavra  de 
2,5 segundos. Prestem ateno a cada palavra, porque vo ser convidados posteriormente a 
record-las. (Instrues idnticas para o intervalo de reteno de zero e 15 minutos). Prova 
de reconhecimento verbal: Vai ser distribuda a cada um uma folha A4 com 100 palavras 
ordenadas por ordem alfabtica. Nesta lista de 100 palavras encontram-se as 50 palavras 
apresentadas (Interiormente nesta sesso. A vossa tarefa consiste em reconhecer tais 
palavras fazendo um trao sob a palavra respectiva. A durao (Ia prova  de 4 minutos.

Lista de 100 palavras apresentada na prova de reconhecimento verbal (Pg. 84)

Tabela 3.1: Valores de Z e da ordenada da curva normal (y) correspondentes  
percentagem de distribuio. (Os valores Z para percentagens de 50 a 99,9 so negativos). 
(Pg. 85)

4

Limites de Apreenso Visual: Percepo da Numerosidade e 
Identificao de Itens Alfanumricos

Da enorme quantidade de informao que simultaneamente chega aos sentidos 
humanos, apenas uma pequena parte  processada e identificada, e desta, uma parte ainda 
menor  retida. Nesta experincia pretendeu-se determinar a capacidade humana de 
apreenso de unidades discretas, tendo-se usado dois tipos de materiais apresentados sob 
forma taquistoscpia. Numa condio o material era formado por pequenos pontos pretos 
traados num fundo branco e a tarefa dos sujeitos consistia em estimar o nmero de pontos 
expostos. Noutra condio o material era formado por itens alfanumricos e a tarefa dos 
sujeitos era identificar os itens apresentados. A durao da apresentao de cada conjunto 
de itens, quer numa tarefa quer noutra foi de 20, 200 milsimos de segundo e 1 segundo. 
Os resultados obtidos revelaram que a amplitude de apreenso de pontos foi em mdia de 8 
e de itens alfanumricos foi de cerca de 4. Estes resultados replicaram estudos 
anteriormente efectuados por Jevons (1871), Averbach (1963) e Sperling (1960).

Introduo

Por experincia prpria sabe-se que no  possvel reparar em todos os sinais que 
estimulam os nossos sentidos. Da enorme quantidade de informao que simultaneamente 
chega aos sentidos humanos, apenas uma pequena parte  processada, e desta, uma parte 
ainda menor  retida. Como  isto possvel? Com o objectivo de tornar a aco possvel, o 
ser humano selecciona a informao que em determinada altura  a mais relevante, 
prestando ateno, por exemplo, a determinados estmulos em vez de outros. No entanto, 
alm desta seleco dos estmulos mais importantes, o ser humano est sujeito a 
determinados limites de entrada de informao. Este estudo analisa alguns destes limites.
O estudo da capacidade de reteno de informao visual durante perodos muito 
curtos foi pela primeira vez efectuado em condies cientficas por Sperling (1960). 
Sperling entre vrios outros investigadores (e.g., Averbach, 1963) pretenderam avaliar o 
papel que a memria sensorial representa no processo cognitivo humano. No entanto o 
interesse pelos limites de apreenso  bastante mais antigo. Em 1871 Jevons efectuou uma 
experincia bastante engenhosa sobre este problema usando um equipamento bastante 
artesanal. As experincias de Jevons consistiram em estimar rapidamente a quantidade de 
feijes que caam numa caixa depois de terem sido atirados ao ar. Jevons concluiu que era 
possvel estimar correctamente em 100% das ocasies o nmero de feijes cados na caixa, 
quando o valor no excedia 4 ou 5.
Averbach (1963) replicou as experincias de Jevons em condies cientificamente 
controladas e chegou a resultados muito semelhantes. O material apresentado era formado 
por pontos pretos traados num carto, que variavam entre 1 e 13, expostos num 
taquistoscpio durante perodos de 40, 150 e 600 milsimos de segundo. A tarefa dos 
sujeitos consistiu em estimar o nmero de pontos traados em cada um dos cartes 
apresentados. Os resultados obtidos por Averbach indicaram que no havia grandes 
diferenas entre os perodos de 150 e 600 ms. Nestes perodos os sujeitos acertavam 
sempre que o nmero de pontos era inferior a 4 - 5 (critrio de 100%) e cerca de metade 
das vezes quando o nmero estava compreendido entre 8 - 9 (critrio de 50%). Tanto na 
experincia de Jevons como na de Averbach os valores de 50% de estimativas correctas 
coincidiam  volta de 8 a 9 pontos (ou feijes) diminuindo a partir desse valor.
A capacidade de apreenso, definida teoricamente como sendo de 50% de 
estimativas correctas a partir dos vrios ensaios efectuados, situa-se  volta de 8 a 9 itens. 
No entanto este valor  bastante mais baixo, quando a tarefa do sujeito consiste em indicar, 
alm do nmero de itens expostos, o nome dos mesmos. Sperling (1960) foi um dos 
pioneiros no estudo deste tipo de limites. Especificamente Sperling estava interessado em 
averiguar o nmero de itens que uma pessoa era capaz de recordar aps uma exposio 
muito rpida. Para o efeito Sperling preparou um conjunto de cartes, onde estavam 
impressas letras e nmeros (itens alfanumricos). Os cartes eram apresentados num 
taquistoscpio* durante um perodo de 50 ms e o nmero de itens por carto variava de 3 a 
12. 0 valor de 50 ms  um perodo de tempo mais breve do que uma fixao visual, de 
modo que no era possvel ao sujeito durante a apresentao do carto efectuar movimentos 
oculares.
Sperling verificou que os sujeitos eram capazes de reproduzir correctamente a 
totalidade dos itens alfanumricos expostos, se o nmero fosse inferior 4. Se fosse superior 
a 4 (o nmero mximo apresentado era 12) os sujeitos eram incapazes de recordar mais de 4 
a 5 itens, independentemente do nmero apresentado. Estes resultados, obtidos segundo um 
relato integral, sugeriam que havia um limite fixo na quantidade de informao que era 
possvel obter num relance.
Apesar dos sujeitos no serem capazes de recordar mais de 4 a 5 itens, eles 
afirmavam que tinham visto por vezes mais itens do que aqueles que eram capazes de 
recordar. Isto levou Sperling a inventar uma tcnica, conhecida por relato parcial, a fim de 
melhor determinar a quantidade exacta de informao que era possvel ser evocada durante 
exposies breves. 0 relato parcial consistia na evocao de apenas uma das trs filas de 
quatro itens alfanumricos, segundo uma ordem ao acaso. Os resultados revelaram que os 
limites de evocao de itens situavam-se  volta dos 75% para uma matriz composta de 12 
itens, na condio de no ser includo nenhum intervalo de reteno entre a apresentao da 
matriz e o momento de evocao. Se houvesse um intervalo de reteno de 300 ms, ento 
os limites de evocao situavam-se  volta dos 50%.

        * Taquistoscpio  um instrumento que apresenta materiais visuais durante perodos 
de tempo muito breves, normalmente da ordem de um milsimo de segundo. Conforme o 
grau de sofisticao, o taquistoscpio pode ter 2, 3 ou at mais reas de exposio, que 
so apresentadas sequencialmente ao sujeito de forma sobreposta. Alm de medies de 
tempo extremamente precisas,  possvel ainda controlar a iluminao e brilho de cada rea 
em exposio.

Experincia

O objectivo deste estudo experimental consistiu numa replicao das experincias 
de Averbach (1963) e de Sperling (1960). A experincia de Averbach (1963) tinha por 
objectivo determinar o nmero de pontos pretos que um sujeito era capaz de estimar 
durante trs perodos de exposio iguais e inferiores a um segundo; A experincia de 
Sperling (1960) pretendia determinar o nmero de itens alfanumricos que o sujeito era 
capaz de identificar durante perodos de tempo equivalentes. Nesta experincia os sujeitos 
realizaram duas tarefas: Uma tarefa de apreenso do nmero de pontos traados em cartes 
e uma outra tarefa de identificao de itens alfanumricos impressos tambm em cartes. Os 
cartes foram apresentados num taquistoscpio de dois campos e a durao de exposio foi 
varivel.

Mtodo 
Sujeitos: A amostra foi constituda por 40 estudantes de psicologia da Universidade 
do Porto no ano lectivo de 1988/89. A grande maioria dos sujeitos pertenciam ao grupo 
etrio dos 18 - 21 ,i nos, sendo a maioria do sexo feminino.
Material. Nesta experincia foram preparados cartes brancos J e forma rectangular 
onde foram impressos dois tipos de material. Numa condio o material era formado por 11 
cartes brancos onde foram impressos pequenos pontos pretos de 2 milmetros de dimetro. 
Os pontos estavam localizados num crculo imaginrio de 15 mm de raio situado no centro 
das diagonais do campo rectangular exposto. O nmero mnimo de pontos foi de 3 e o 
mximo de 15. No foram apresentados cartes com 12 e 14 pontos, j que experincias 
anteriores por mim realizadas revelaram que o 12, devido  sua grande familiaridade, era 
frequentemente respondido.
Na segunda condio foram preparados 8 cartes de formato idntico aos anteriores, 
onde foram impressos um nmero varivel de dgitos provenientes do conjunto 2, 4, 5, 6, 7, 
8 e 9 * e de consoantes provenientes do conjunto C, D, E, F, C, H, J, L, P, Q, R, T, V e Z. 
Estes itens alfanumricos estavam localizados num crculo imaginrio de 15 mm de raio 
situado no centro das diagonais do campo de viso. o nmero mnimo de itens foi 2 e o 
mximo 11. No foram apresentados cartes com 8 e 10 itens, a fim de se evitar respostas 
por adivinhao.
Os cartes foram apresentados num taquistoscpio de dois campos regulado para um 
dos tempos de exposio seguintes: 40, 200 e 1000 milsimos de segundo. Cada carto foi 
apresentado uma s vez numa ordem ao acaso. 0 carto de fixao do sujeito no 
taquistoscpio apresentava um crculo preto de 15 mm de raio situado no centro das 
diagonais do rectngulo de viso.
Planeamento. Nesta experincia foram manipuladas duas variveis independentes 
nas tarefas de percepo da numerosidade e na identificao de itens alfanumricos: (1) 
Nmero de itens expostos por carto, variando o nmero de ensaio para ensaio; (2) O tempo 
de exposio dos cartes com valores de 40, 200 e 1000 ms. A varivel dependente 
registada foi a percentagem de respostas correctas para cada uma das variveis 
independentes manipuladas. O planeamento foi inter-sujeitos no que se refere ao tempo de 
exposio e intrasujeitos no que se refere ao nmero de pontos ou itens expostos. A tarefa 
de percepo de numerosidade foi efectuada antes da tarefa de identificao de itens 
alfanumricos. A distribuio dos sujeitos pelos grupos de exposio foi aleatria, assim 
como foi tambm aleatria a apresentao dos cartes com nmero varivel de itens.
Procedimento. A experincia foi realizada num taquistoscpio de dois campos do 
Laboratrio de Psicologia Experimental. Aps um pequeno perodo de familiarizao com 
este equipamento o experimentador lia as instrues. Os sujeitos eram informados de que 
iria ser exposto no taquistoscpio uma sequncia de cartes, onde estavam impressos, numa 
tarefa um nmero varivel de pontos pretos e na outra tarefa um nmero varivel de itens 
alfanumricos. No primeiro caso a tarefa consistia em estimar o nmero exacto de pontos 
includos em cada carto e no segundo caso a tarefa consistia em identificar ou evocar os 
itens alfanumricos expostos.

* 0 dgito 1 foi omitido para evitar confuses com as consoantes J e L e o dgito 3 
para evitar confuses com o dgito 8.

O procedimento comeava com a apresentao de um carto-treino com cinco 
pontos pretos ou com quatro itens alfanumricos destinado  adaptao e familiarizao do 
sujeito com a situao experimental. Em seguida eram apresentados os cartes com nmero 
varivel de itens de ensaio para ensaio. Os sujeitos no tinham qualquer conhecimento do 
nmero de cartes que faziam parte da experincia das respostas correctas ou incorrectas e 
do tempo de apresentao de cada carto-estmulo. As respostas eram anotadas pelo 
experimentador em folhas de resposta preparadas para o efeito.

Apresentao e anlise dos resultados

A percentagem de pontos pretos correctamente apreendidos em cada um dos trs 
tempos de exposio e de acordo com o nmero de itens apresentados encontra-se exposta 
na Figura 4.1.

Figura 4.1. Percentagem de pontos pretos apreendidos para trs tempos de 
exposio de 40 ms, 200 ms e 1 segundo. (Pg. 91)

Na Figura 4.1 verifica-se que a totalidade dos sujeitos foi capaz de apreender 
correctamente at 4 pontos, quando os perodos de exposio eram de 200 e 1000 ms. Se o 
perodo de exposio fosse de 40 ms a percentagem de respostas correctas at 4 pontos 
variava entre 85% e 90%. Considerando o critrio de 50%, a percentagem de respostas 
correctas para os trs perodos de exposio situava-se predominantemente entre 7 e 9 
itens. Os resultados revelaram que  medida que aumentava o nmero de pontos expostos, 
observava-se uma diminuio crescente na percentagem de respostas correctas.
A percentagem de itens alfanumricos correctamente identificados para cada um dos 
trs tempos de exposio e de acordo com o nmero de itens apresentados encontra-se 
exposta na Figura 4.2. Estes resultados indicam que os tempos de exposio parecem ter 
afectado o desempenho dos sujeitos. Assim os resultados so genericamente superiores para 
o tempo de exposio de 1 segundo em relao aos restantes perodos de exposio de 200 
e 40 ms. Se se estabelecer o critrio em 50%, os limites observados para 40 e 200 ms 
situam-se  volta de 6, um valor mais baixo do que na tarefa de pontos.

Figura 4.2. Percentagem de itens alfanumricos correctamente identificados para 
tempos de exposio de 40 ms, 200 ms e 1 segundo. (Pg. 92)

A Figura 4.3 apresenta os mesmos resultados expostos na Figura 2, mas em termos 
de mdias por itens alfanumricos expostos. Nesta Figura pode-se observar facilmente o 
facto do desempenho dos sujeitos atingir um patamar (assmptota) a partir de 3 a 4 itens e 
permanecer neste valor independentemente do nmero de itens expostos. Mesmo com o 
tempo de exposio mais longo de 1 segundo, onde seria possvel efectuarem-se 
movimentos oculares, o nmero mdio de itens correctamente identificados no foi superior 
a 6, independentemente do nmero de itens expostos.
Os resultados indicam ainda que para perodos de exposio de 40 e 200 ms, onde 
no  possvel efectuar-se movimentos oculares, os limites de evocao correcta situam-se  
volta do valor 3 e este limite mantm-se independentemente do nmero de itens expostos.

Figura 4.3. Nmero mdio de itens alfanumricos correctamente identificados para 
tempos de exposio de 40 ms, 200 ms e 1 segundo. (Pg. 93)

Concluso

Os resultados obtidos revelam de forma clara os limites do sistema cognitivo humano 
quanto  capacidade de apreenso de material muito simples, exposto durante perodos de 
tempo muito breves. Considerando o valor de 50% como critrio, verificou-se assim que os 
limites de apreenso de pontos foi em mdia de 8 itens, e os limites de identificao de 
itens alfanumricos foi de cerca de 3 a 4. Esta experincia confirma assim os estudos 
anteriormente efectuados por Jevons (1879) e Averbach (1969) no caso dos limites de 
apreenso de pontos e os de Sperling (1960) no caso do nmero de itens alfanumricos 
evocados.

Bibliografia citada e recomendada

Averbach, E. (1963). The span of apprehension as a function of exposure duration. 
Journal of Verbal Learning and Verbal Beliavior, 2, 60-64.         
        Baddeley, A. D. (1990). Human memory: Theory and practice. London: Erlbaum. 
        Jevons, W. S. (1871) The power of numerical discrimination. Nature, 3,281-282. 
        Lachman, R., Lachman, J. L., e Butterfield, E. C. (1979). Cognitive psychology and 
information processing: An Introduction. Hillsdale, N. J.: Erlbaum.         
Lindsay, P., e Norman, D. (1977). Human information processing. Na introduction to 
psychology. New York: Academic Press.                 
        Massaro, D. W. (1989). Experimental psychology: An information processing 
approach. San Diego: Harcourt Brace Javanovich.         
Pinto, A. C. (1986). Amplitude perceptiva e amplitude de memria: Estudos 
experimentais sobre os limites observados. Revista de Psicologia e de Cincias da 
Educao, 1, 69-84.         
Snodgrass, J. C., Levy-Berger, C., e Haydon, M. (1985). Human experimental 
psychology. New York: Oxford University Press.         
Sperling, G. (1960). The information available in brief visual presentations. 
Psychological Monographs, 74 (Edio N 498).         
Wingfield, A., e Byrnes, D. (1981). The psychology of human memory. New York: 
Academic Press.         
Zechmeister, E. B., e Nyberg, S. E. (1982). Human memory. Monterey, Cal.: 
Brooks/Cole.

Apndice 4

Instrues

Apreenso de pontos pretos: Olhe, por favor, por este visor e fixe o pequeno crculo 
preto que se encontra a meio do carto rectangular branco exposto ao fundo do 
taquistoscpio. Ser  volta deste crculo que iro aparecer por um breve instante um grupo 
de pontos pretos. A sua tarefa ser avaliar o nmero de pontos expostos, isto , ter de dizer 
quantos pontos viu. Iro ser apresentados vrios ensaios e o nmero de pontos varia de 
ensaio para ensaio. Antes de cada ensaio e para que esteja preparado direi: Ateno, 1, 2, 
3!. Entre os ensaios no deve retirar os olhos do visor. Para se familiarizar com a situao 
experimental ser apresentado um ensaio de treino (carto com cinco pontos). Depois inicia-
se a experincia propriamente dita. Compreendeu? Ento, vamos comear.

Identificao de itens alfanumricos: Olhe, por favor, por este visor e fixe o 
pequeno crculo preto que se encontra a meio do carto rectangular branco exposto ao 
fundo do taquistoscpio. Ser  volta deste crculo que iro aparecer por um breve instante 
um conjunto de consoantes e dgitos (itens alfanumricos). As consoantes esto escritas em 
letra maiscula de imprensa; Ao grupo de dgitos omitiu-se o 0, 1 e 3. A sua tarefa consiste 
em identificar o maior nmero de itens expostos em cada ensaio. Iro ser apresentados 
vrios ensaios e o nmero de itens alfanumricos varia de ensaio para ensaio. Antes de cada 
ensaio e para que esteja preparado direi: Ateno, 1, 2, 3!,. Entre os ensaios no deve 
retirar os olhos do visor. Para se familiarizar com a situao experimental ser apresentado 
um ensaio de treino (carto com quatro itens). Depois inicia-se a experincia propriamente 
dita. Compreendeu? Ento, vamos comear.
Itens alfanumricos expostos: Condio 2 (G, 4); Condio 3 (C, F, 5); Condio 4 
(Q, R, 5, 7); Condio 5 (C, H, P, 4, 7); Condio 6 (E, T, V, 2, 7, 8); Condio 7 (G, H, K, 
L, 2, 9, 8); Condio 9 (Z, J, C, C, 4, 6, 2, 8, 7); Condio 11 (C, V, D, R, F, H, 2, 8, 4, 7, 
6).


5

O Efeito de um Estmulo-Sufixo na Evocao Serial de Dgitos

No mbito de um modelo de memria estrutural do gnero de Atkinson e Shiffrin 
(1968), a memria sensorial ocuparia uma das fases iniciais de processamento de 
informao. As investigaes efectuadas tm procurado averiguar a capacidade destes 
registos sensoriais, assim como a natureza da representao da informao ai registada. Este 
trabalho teve por objectivo investigar a natureza dt1 representao da informao registada 
no registo auditivo, atravs da realizao de uma experincia de estmulo-sufixo. A tarefa de 
estimulo-sufixo consiste na apresentao de uma srie de cerca de oito itens seguidos por 
um sufixo da mesma natureza dos itens precedentes ou no. A tarefa dos sujeitos consiste na 
reproduo dos itens da srie na ordem apresentada. Este estudo experimental manipulou a 
natureza do sufixo, tendo-se includo numa condio a dgito 0, um sufixo com 
caractersticas similares aos itens anteriormente apresentados (dgitos) e noutra situao       
um sinal sonoro, sufixo com caractersticas dissimilares. Os resultados obtidos   indicaram     
que a evocao serial dos itens foi especificamente afectada nas ltimas posies seriais, 
quando o sufixo tinha caractersticas similares aos itens previamente apresentados.

Introduo

O ser humano  continuamente estimulado por informaes que lhe chegam quer do 
interior, quer do exterior do seu prprio corpo. O processamento global de todas estas 
estimulaes torna-se sem dvida impossvel, o que implica a cada momento uma seleco 
dos estmulos; considerados mais relevantes. Neste processamento ,;electivo, a memria 
tem um papel fundamental. A sua funo  registar e recuperar a informao e sem a sua 
existncia seria impossvel ver, ouvir e pensar no sentido mais global do termo.
O modelo de memria de Atkinson e Shiffrin (1968) foi um dos vrios modelos 
propostos que mais aceitao veio a merecer pelos investigadores nas ltimas dcadas. 
Segundo este modelo a memria humana seria formada por trs estruturas: A memria 
sensorial MS), a memria a curto prazo (MCP) e memria a longo prazo (MLP). A Figura 
5.1 apresenta uma adaptao geral do modelo.
Estes tipos de memria diferem entre si quanto  natureza, capacidade e perodo de 
permanncia da informao na memria. A memria sensorial tem um papel importante no 
processamento cognitivo e  talvez o primeiro estdio a estabelecer um registo da 
informao externa recebida, embora de uma forma bastante transitria. Considera-se que o 
sistema de memria sensorial teria por funo manter uma imagem completa e precisa da 
informao captada pelos rgos sensoriais durante um breve instante. A durao da 
informao neste sistema no seria a mesma para todos os registos sensoriais, talvez de 2 a 3 
dcimos de segundo para o registo visual (Sperling, 1960) e de 3 a 4 segundos para o 
registo auditivo (Darwin, Turvey e Crowder, 1972). Para uma reviso veja-se Zechmeister 
e Nyberg (1982); Wingfield e Byrnes (1981).
O modelo de memria de Atkinson e Shiffrin (1968) considera que a informao 
mantida nos registos sensoriais, visuais e auditivos, desaparece rapidamente a menos que a 
informao desses registos seja rapidamente transferida para uma estrutura posterior mais 
complexa. Sperling (1960), por exemplo, utilizando uma tarefa de reproduo parcial, 
obteve resultados que sugerem que a informao visual apresentada por breves instantes 
parece estar totalmente disponvel ao sujeito, mas declina rapidamente em menos de um 
segundo seno se lhe prestar ateno.

Figura 5.1 Ilustrao do modelo de Atkinson e Shiffrin (1968). (Pg. 98)

Estudos realizados tm procurado determinar no s a capacidade destes registos 
sensoriais, mas tambm a natureza da representao da informao. Por outras palavras, qual 
o tipo de cdigo subjacente  informao representada. Uma tarefa muito usada para 
averiguar a natureza da codificao da informao no registo sensorial auditivo tem sido a 
tarefa do estmulo-sufixo. Sumariamente esta tarefa consiste na apresentao de uma 
sequncia de itens, dgitos ou letras, seguida imediatamente por um item-sufixo com 
material similar ou no em relao aos itens da sequncia apresentada. Verifica-se 
habitualmente neste tipo de experincias que a presena de um sufixo com caractersticas 
similares aos dos itens anteriormente apresentados tem um efeito negativo na evocao dos 
itens colocados nas ltimas posies seriais em relao a sufixos apresentados com 
caractersticas totalmente dissimilares.
Crowder e Morton (1969) sugeriram que o efeito do estmulo-sufixo estaria 
relacionado com a existncia de um registo acstico prcategorial (RAP). 0 RAP seria um 
modelo terico do registo sensorial auditivo, pressupondo-se que a informao seria baseada 
no armazenamento acstico antes de ser categorizada. Estes investigadores verificaram que 
a presena de um estmulo-sufixo afectava a curva de posio serial, particularmente a 
evocao dos itens finais.
        Este padro de resultados  explicado de acordo com o modelo de Crowder e 
Morton (1969) considerando que o processamento da informao exigiria a permanncia da 
informao no registo sensorial durante alguns segundos de modo que um estmulo 
adicional bloquearia o respectivo processamento deslocando a informao sensorial 
imediatamente anterior ou ento interferindo com ela. Morton, Crowder e Prussin (1971), 
ao investigarem as variaes das propriedades acsticas do sufixo, verificaram que a 
informao que entra no RAP  processada de acordo com as suas propriedades acsticas 
antes de ser objecto de ateno consciente. Assim um sufixo com propriedades acsticas 
diferentes da lista de apresentao dos itens no produziria efeito.
Investigaes recentes questionaram, no entanto, estas suposies ao verificar-se 
que um sufixo acstico dissimilar tambm pode produzir um efeito de estmulo-sufixo. Uma 
das experincias que forneceu provas para questionar o modelo de um registo acstico 
prcategorial (RAP) foi conduzida pelos investigadores Ayres, Jonides, Reitman, Ejan e 
Howard (1979).
Questionando a interpretao RAP do efeito do estmulo-sufixo proposta por Morton 
et al. (1971), Ayres e colaboradores pretenderam demonstrar que o efeito do sufixo no 
podia ser explicado totalmente pelo que acontece no registo auditivo sensorial, a no ser 
que se considere que um dado tipo de interpretao semntica do estmulo possa ocorrer 
neste estado de processamento de memria. Assim estes investigadores realizaram uma 
experincia em que mantiveram as propriedades acsticas do sufixo constantes, enquanto 
variavam as suas interpretaes pelos sujeitos.
Os sujeitos que participaram nesta experincia foram divididos aleatoriamente em 
trs grupos: Um grupo de controle e dois grupos experimentais. A tarefa dos sujeitos 
consistia em evocar sequncias de sete monosslabos (por exemplo, bar, sal, mar) por ordem 
de apresentao aps os terem ouvido a um ritmo de duas palavras por segundo. 0 grupo de 
controle evocava as sequncias imediatamente aps o final da apresentao destas. Os 
grupos experimentais evocavam as sequncias aps ouvirem no final de cada uma um 
estmulo-sufixo. Para o primeiro grupo experimental, o sufixo era um som musical emitido 
por vrios instrumentos musicais (um nota de piano, um toque de uma corda de viola, um 
som de um trompete).
        Quando emitido pelo trompete o som musical assemelhava-se  slaba nasal wa. 0 
segundo grupo experimental deveria iniciar a evocao imediatamente aps a audio de 
um dos quatro sons de fala seguintes da, pin, wing e wa.
Os resultados obtidos, relativamente ao sufixo crucial wa, quando era produzido por 
sons musicais (grupo experimental 1) ou atravs de um som da fala (grupo experimental 2) 
foram diferentes. Como o sufixo era fisicamente o mesmo a diferena dos resultados 
observados nos dois grupos experimentais foi explicada a partir da interpretao diferencial 
que os sujeitos deram ao som wa.
Segundo o modelo de registo acstico pr-categorial (RAP) o sufixo wa deveria 
produzir o mesmo efeito nos dois grupos, tendo em conta que o sufixo apresentado era 
fisicamente o mesmo. No entanto o facto da diferena de resultados ter sido significativa 
levanta a questo de que a memria sensorial auditiva (tambm conhecida por memria 
ecica) no  to pr-categorial como Morton et al. (19.71) supunham, j que o efeito do 
estmulo-sufixo parece depender da interpretao que o sujeito lhe der. Em qualquer das 
teorias referentes ao estmulo-sufixo, este efeito tem sido interpretado como evidente.

Experincia

A experincia a descrever em seguida  uma replicao de algumas das condies 
includas na experincia originalmente efectuada por Morton e Crowder (1969). Estes 
investigadores pretenderam averiguar se a evocao serial de uma sequncia de dgitos 
seria mais ou menos afectada pela presena de um sufixo ou de um prefixo. Os resultados 
obtidos revelaram que era mais afectada por um sufixo e  esta parte da experincia que ir 
ser replicada. Assim o presente estudo experimental pretende analisar a influncia do sufixo 
0 no final de uma sequncia de oito dgitos, em comparao com a presena de um outro 
sufixo um som breve de caractersticas exclusivamente acsticas. Os dgitos so 
apresentados ao ritmo de dois dgitos por segundo e a reproduo (evocao)  serial, isto 
., segundo a ordem apresentada.

Mtodo 
Sujeitos:. A amostra foi constituda por 37 estudantes de psicologia da Universidade 
do Porto no ano lectivo de 1988/89. A grande maioria dos sujeitos pertenciam ao grupo 
etrio dos 18 - 21 nos, sendo a maioria do sexo feminino.
Planeamento: Os sujeitos foram divididos aleatoriamente em dois grupos: um grupo 
de controle e um grupo experimental. Instrues especficas foram dadas aos dois grupos 
com vista ao desempenho da tarefa. Assim o grupo de controle foi instrudo a evocar 
serialmente os dgitos imediatamente aps um sinal sonoro que era apresentado aps o 
oitavo dgito. No grupo experimental o sinal sonoro foi substitudo pelo dgito 0, aps o 
qual os sujeitos deveriam evocar serialmente os oito dgitos. O intervalo de evocao para 
os dois grupos, que se seguia imediatamente aps a apresentao de cada uma das 
sequncias, foi de 10 segundos. As variveis independentes manipuladas foram: (1) A 
posio serial dos dgitos, com 8 posies seriais que correspondiam a outras tantas 
condies; (2) A presena ou ausncia do dgito 0 no final da sequncia, isto , a presena 
ou a ausncia de um sufixo verbal. A varivel dependente registada foi a percentagem de 
erros em cada posio serial.
Material: Foram constitudas 14 sequncias de oito dgitos cada. As primeiras quatro 
sequncias eram destinadas a uma fase de treino que precediam a apresentao das 10 
sequncias da fase experimental propriamente dita. Havia um intervalo de um minuto entre 
a fase de treino e a fase experimental. As sequncias do grupo experimental terminavam no 
dgito 0 e as do grupo de controle terminavam com um breve sinal sonoro. Quanto aos 
restantes dgitos as sequncias eram exactamente iguais. Veja-se Apndice 5, p. 107.
Os dgitos foram seleccionados ao acaso, obedecendo a elaborao das sries s 
seguintes restries: (1) no havia repetio do mesmo dgito em cada srie; (2) nunca 
foram apresentados mais de dois dgitos numa ordem crescente (exemplo: poderia existir 2 
... 3..., mas nunca 2 ... 3 ... 4; (3) o dgito zero nunca foi includo em nenhuma srie; (4) as 
sries eram as mesmas nos dois grupos, distinguindo-se apenas no sinal que precedia o 
incio da evocao, que num caso era zero, no outro um sinal sonoro. As sries de dgitos 
foram gravadas numa voz masculina ao ritmo de um dgito cada 500 milsimos de segundo. 
A cada sujeito foi distribuda uma folha de respostas constituda por 14 filas, sendo 4 
destinadas aos ensaios de treino e 10  experincia propriamente dita. Cada fila era 
composta por oito pequenos quadrados seguidos, espaos delimitados para a colocao de 
cada um dos oito dgitos.
Procedimento: A experincia realizou-se no Laboratrio de Psicologia Experimental 
em pequenos grupos de sujeitos. As instrues apresentadas a cada um dos grupos foram 
genericamente as seguintes:
Ao grupo experimental foi dito que iam ser apresentadas sequncias de oito dgitos 
ao ritmo de um dgito cada meio segundo, que os sujeitos deveriam reproduzir na ordem em 
que foram apresentados. Informou-se ainda que cada sequncia terminava sempre com um 
zero, que no deveria ser reproduzido na folha de resposta, j que servia de sinal do final da 
sequncia. Para evitar confuses, a folha de respostas apenas apresentava oito espaos ou 
quadrados. Se a sequncia fosse 7, 2, 9, 4, 5, 8, 3, 6, 0, a tarefa do sujeito consistia em 
reproduzir logo aps a audio do zero, o maior nmero possvel de dgitos segundo a 
ordem apresentada.
Os sujeitos do grupo controle foram informados de que iam ser apresentadas 8 
sequncias de dgitos, ao ritmo de um dgito cada meio segundo. No final da apresentao 
do ltimo dgito seria apresentado um breve sinal sonoro e nesse momento os sujeitos 
deveriam reproduzir a totalidade dos dgitos na ordem em que foram apresentados. Se a 
sequncia fosse por exemplo, 7, 2, 9, 4, 5, 8, 3, 6, som, a tarefa do sujeito consistia em 
reproduzir o maior nmero possvel de dgitos segundo a ordem de apresentao logo aps 
a audio do sinal sonoro.
Foram ainda fornecidas instrues comuns a ambos os grupos: (1) Os dgitos deviam 
ser redigidos da esquerda para a direita colocando um dgito em cada quadrado da folha de 
respostas; (2) O perodo de evocao seria de 10 segundos; (3) Havia quatro ensaios de 
treino, seguidos por 10 ensaios experimentais, separados por um intervalo de cerca de um 
minuto e a ser usado para eventuais esclarecimentos que pudessem surgir; (4) Se os sujeitos 
no fossem capazes de recordar um dgito, deveriam deixar a respectiva posio em branco 
na folha de respostas. Em caso de dvida poderiam tentar adivinhar o dgito mais provvel; 
(5) Havia uma folha em branco que acompanhava a folha de respostas e tinha por finalidade 
ocultar as sequncias que iam sendo evocadas de forma a evitar possveis interferncias nas 
sequncias a evocar posteriormente.

Figura 5.2: Percentagem de erros obtidos pelos grupos experimental e de em cada 
uma das 8 posies seriais na presente experincia. (Pg.103)

Apresentao e anlise dos resultados

A percentagem de erros obtidos no grupo de controle e no grupo experimental em 
cada uma das oito posies seriais encontra-se exposta na Figura 5.2. A observao desta 
Figura indica que as diferenas entre o grupo de controle e o grupo experimental so 
bastante mais acentuadas nas trs ltimas posies seriais do que nas posies seriais 
precedentes. Esta diferena parece revelar os efeitos negativos de um estmulo-sufixo com 
caractersticas similares ao material anteriormente apresentado. Se se tiver em conta os 
resultados obtidos no Laboratrio de Psicologia Experimental desde o ano lectivo de 1986 
at ao presente as diferenas entre os grupos controle e experimental so ainda mais ntidas 
nas ltimas posies seriais, conforme se pode observar pela Figura 5.3.

Concluso

Os resultados obtidos nesta experincia replicam o efeito de estmulo sufixo 
descoberto por Morton e Crowder (1969). Os resultados revelam uma vez mais que a 
apresentao de um sufixo com caractersticas similares aos itens anteriormente 
apresentados na sequncia influi significativamente na evocao dos dgitos das ltimas 
posies seriais.

Figura 5.3: Percentagem de erros obtidos pelos grupos experimental e de controle 
em cada uma das oito posies seriais desde os anos lectivos de 1986 a 1989 e que 
correspondem a um total de 44 sujeitos para o grupo experimental e de 43 para o grupo de 
controle. (Pg. 104)

Embora o efeito do estmulo-sufixo fosse considerado durante muito tempo como 
um efeito puramente laboratorial, recentemente descobriu-se que este efeito tambm podia 
ser obtido em situaes da vida quotidiana. Schilling e Weaver (1983) simularam a situao 
de uma companhia de telefones local que instruiu as operadores a dizerem Have a nice 
day logo aps terem informado os clientes do nmero de telefone pretendido. Estes 
investigadores formularam a hiptese de que a existncia de um cumprimento deste gnero 
no final da informao do nmero pretendido poderia ter efeitos negativos na recordao 
desse nmero relativamente a uma outra situao em que o cumprimento era substituda por 
um sinal sonoro.
        De facto os resultados comprovaram a hiptese formulada, tendo-se verificado um 
maior nmero de erros nas ltimas posies seriais dos nmeros seguidos de cumprimento 
em relao aos mesmos nmeros seguidos de um sinal sonoro.
Se esta situao for passvel de generalizao, ento seria possvel considerar que as 
expresses Percebes?... Certo!... e OK!.. frequentemente usadas na linguagem 
corrente entre interlocutores possam funcionar como um estmulo-sufixo bloqueando o 
processamento da informao acabada de ser registada, quer deslocando-a do registo 
sensorial quer interferindo com ela.

Bibliografia citada e recomendada

Anderson, J. A. (1989). A rational analysis of human memory. In H. L. Roediger, 
111 e F. 1. M. Craik (Eds), Varieties of memory and consciousness: Essays in honour of 
Endel Tulving (p. 195-210). Hillsdale, N. J.: Erlbaum.         
Atkinson, R. C., e Shiffrin, R. M. (1968). Human memory: A proposed system and 
its control processes. In K. W. Spence e J. T. Spence (Eds.), The psychology of learning 
and motivation (Vol. 2, p.89-195). New York: Academic Press.         
Ayres, T. J., Jonides, J., Reitman, J. S., Ejan, J. C., e Howard, D. A. (1979). 
Differing suffix effects for the same physical stimulus. Journal of Experimental Psychology: 
Human Learning and Memory, 5, 315-321.         
Crowder, R. C. (1989). Modularity and dissociatioms in memory systems. In H. L. 
Roediger, 111 e F. 1. M. Craik (Eds), Varieties of memory and consciousness: Essays in 
honour of Endel Tulving (p. 271-294). Hillsdale, N. J.: Erlbaum.         
Crowder, R. C., e Morton, J. (1969). Precategorical acustic storage (PAS). 
Perception & Psychophysis, 5, 365-373.         
Darwin, C. J., Turvey, M. T., e Crowder, R. G. (1972). An auditory analogue of the 
Sperling partial report procedure. Cognitive Psychology, 3, 255, 267.         
Gregg, V. H. (1986). Introduction to human memory. London: Routledge & Kegan 
Paul.
        Morton, J., Crowder, R. C., e Prussin, H. A. (1971). Experiments with the stimulus 
suffix effect. Journal of Experimental Psychology, 91, 169-190.         
        Paivio, A. (1986). Mental representations: A dual coding approach. Oxford: Oxford 
University Press.         
        Schilling, R. F., e Weaver C. E. (1983). Effect of extraneous verbal information on 
memory for telephone numbers. Journal of Applied Psychology, 68, 559-564.         
        Snodgrass, J. C. (1989). How many memory systems are there really?: Some 
evidence from lhe picture fragment completion task. In C. Izawa (Eds). Current issues in 
cognitive processes: The Tulane Flowerree symposium on cognition. (p. 135-173). 
Hillsdale, N. J.: Erlbaum.         
        Sperling, G. (1960). The information available in brief visual presentations. 
Psychological Monographs, 74 (Edio integral N 498).         
        Tulving, E. (1985). How many memory systems are there? American Psychologist, 
40, 385-398.         
Wingfield, A., e Byrnes, D. (1981). The psychology of human memory. New York: 
Academic Press.

Apndice 5

Instrues

Grupo Experimental: Nesta experincia de memria vo ser apresentadas 
sequncias oito dgitos ao ritmo de um dgito cada meio segundo. Cada sequncia termina 
com a apresentao do dgito zero. Quando ouvirem o dgito zero devero reproduzir a 
sequncia dos dgitos na ordem em que foram apresentados. Se a sequncia for, por 
exemplo, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 0, a vossa tarefa consiste em reproduzir, logo aps a audio 
do zero, o maior nmero possvel de dgitos segundo a ordem de apresentao. Os dgitos 
devem ser redigidos da esquerda para a direita, colocando um dgito em cada quadrado da 
folha de respostas. 0 perodo de evocao da tarefa  de 10 segundos. Vo ser apresentados 
4 ensaios de treino e 10 ensaios experimentais, separados por um intervalo da cerca de um 
minuto (entre treino e experincia). Se tiverem dvidas no se esqueam de as colocar 
durante o intervalo. Quando no forem capazes de recordar um dgito deixem a respectiva 
posio em branco. Em caso de dvida preencham o espao tentando adivinhar o dgito 
mais provvel.
Grupo de controle: Nesta experincia de memria vo ser apresentadas sequncias 
de 8 dgitos ao ritmo de um dgito cada meio segundo. Cada sequncia termina com a 
apresentao de um sinal sonoro breve. Quando ouvirem o sinal sonoro devero reproduzir 
a sequncia dos dgitos na ordem em que foram apresentados. Se a sequncia for, por 
exemplo, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, sinal, a vossa tarefa consiste em reproduzir, logo aps a 
audio do sinal, o maior nmero possvel de dgitos segundo a ordem de apresentao. Os 
dgitos devem ser redigidos da esquerda para a direita, colocando um dgito em cada 
quadrado da folha de respostas. O perodo de evocao da tarefa  10 segundos. Vo ser 
apresentados 4 ensaios de treino e 10 ensaios experimentais, separados por um intervalo da 
cerca de um minuto (entre treino e experincia). Se tiverem dvidas no se esqueam de as 
colocar durante o intervalo. Quando no forem capazes de recordar um dgito deixem a 
respectiva posio em branco. Em caso de dvida preencham o espao respectivo tentando 
adivinhar o dgito mais provvel.

Tabela 5.1: Sequncias de dgitos apresentados nos ensaios de treino (0) e nos 
ensaios experimentais (1 a 10) no grupos experimental e de controle. (Pg. 107)


6

Os Efeitos do Agrupamento na Amplitude de Memria Imediata

A prova de memria de nmeros  uma das provas de memria caractersticas da 
determinao da amplitude de memria imediata ou memria a curto prazo, sendo 
frequentemente usada em situaes de avaliao cognitiva. Provavelmente a sua 
popularidade deve-se por um lado ao grau de simplicidade que apresenta e por outro ao 
facto do desempenho nesta prova aumentar uma unidade cada dois anos desde os dois-trs 
anos at  adolescncia. Apesar da sua simplicidade aparente, os processos cognitivos 
envolvidos nesta tarefa so bastante complexos. Este estudo faz uma breve descrio dos 
principais problemas relacionados com esta prova de memria e em seguida apresenta um 
estudo experimental, onde se pretendeu verificar se a introduo de uma estratgia de 
agrupamento facilitaria ou no o desempenho na prova de memria de nmeros. Os 
resultados obtidos confirmaram os efeitos positivos das instrues de agrupamento 
ministradas. Na concluso deste estudo chama-se a ateno para certos aspectos 
metodolgicos considerados importantes no planeamento de experincias deste tipo.

Introduo

Os testes de amplitude de memria imediata tm sido objecto de investigao 
cientfica desde os primeiros tempos do estudo experimental da memria humana 
(Ebbinghaus, 1885/1964). Os primeiros estudos de amplitude de memria foram publicados 
por Ebbinghaus em 1885, usando slabas sem significado e dois anos depois por Jacobs 
(1887) usando dgitos. Ebbinghaus descobriu que o nmero mximo de itens que podia 
recordar correctamente logo aps uma nica apresentao no ultrapassava sete. Se o 
nmero de itens fosse superior a sete Ebbinghaus necessitava normalmente de ler a lista de 
palavras mais do que uma vez. Esta descontinuidade em torno dos sete itens, que segundo 
Ebbinghaus e outros investigadores posteriores exprimiria a capacidade de memria 
imediata, veio a ter grandes repercusses na investigao futura.
O teste de memria de nmeros depressa se revelou como uma medida vlida de 
capacidade mental e no demorou muito a ser adoptado no diagnstico clnico e em baterias 
de testes de inteligncia. Jacobs (1887) descobriu, por exemplo, uma relao consistente 
entre o nvel acadmico de um aluno na sala de aula e o respectivo resultado no teste de 
nmeros. Por sua vez Calton (1887) observou que os deficientes mentais no eram capazes 
de reproduzir correctamente mais de dois a trs dgitos.
A partir destes e outros estudos, o teste de amplitude de memria, usando dgitos 
como material, teve um impacto crescente. Assim o teste fez parte da escala original de 
Binet, publicada em 1905, assim como de todas as revises posteriores e  talvez o teste 
que mais frequentemente tem sido includo nas diversas baterias de testes de inteligncia 
existentes.
Uma das principais razes para a incluso do teste de memria de nmeros nas 
baterias de testes de inteligncia foi a descoberta de que a amplitude de memria 
aumentava uma unidade cada dois anos, desde os trs at cerca dos 14 anos, estabilizando a 
seguir pela vida fora, excepto na velhice, onde costuma ocorrer um ligeiro decrscimo (e.g., 
Hunter, 1964; Marques, 1969; Simes, 1982).
Uma outra razo para explicar o interesse que o teste de memria de nmeros 
obteve residiu sem dvida no grau de simplicidade e numa presumvel validade como 
medida de memria imediata.
        Apesar do relevo alcanado na psicologia dos testes, o conceito de amplitude de 
memria imediata, que o teste de nmeros supostamente pretende medir, no foi objecto de 
anlises experimentais aprofundadas durante vrias dcadas. Recentemente os psiclogos 
cognitivistas comearam a dedicar-lhe um interesse crescente, tentando averiguar por um 
lado quais as funes mentais que os testes de amplitude de memria mediriam, assim como 
as relaes entre a amplitude de memria imediata e outras medidas de memria a curto 
prazo* (e.g., Cavanagh, 1972; Baddeley et al. (1975); Watkins, 1977; Chi, 1976; 
Drewnowsky, 1980; Dempster, 1981).

* Os conceitos de memria imediata, memria primria e memria a curto prazo tm 
sido usados frequentemente com significados equivalentes. Porm neste estudo os 
conceitos de memria imediata e memria primria referem-se  quantidade de informao 
armazenada num sistema de curta durao e capacidade limitada. O conceito de memria a 
curto prazo (MCP) refere-se por outro lado s diversas provas de memria usadas para 
investigar a natureza da informao armazenada na memria imediata.

Definio de amplitude de memria 
Tem-se definido amplitude de memria imediata como sendo o nmero de itens 
no-relacionados que um sujeito  capaz de reproduzir correctamente e por ordem a seguir 
a uma nica apresentao. No caso da prova de memria de nmeros, por exemplo, os 
dgitos so apresentados um de cada vez, geralmente ao ritmo de um por segundo. Comea-
se habitualmente por sries de dois dgitos e aumenta-se progressivamente a extenso da 
srie de itens at o sujeito falhar trs vezes consecutivas. H condies em que as 
sequncias so apresentadas numa ordem descendente ou ao acaso. Os resultados obtidos 
com jovens adultos de educao mdia na prova de amplitude de memria de nmeros 
situam-se geralmente  volta dos sete dgitos.
Devido a inevitveis variaes nos resultados de amplitude de memria, a medida 
de amplitude  definida em termos estatsticos. Trata-se da extenso de uma sequncia de 
itens em que a probabilidade de reproduo imediata aps uma nica apresentao se situa a 
um nvel arbitrrio entre zero e um. Normalmente a probabilidade crtica escolhida costuma 
ser 50%. Portanto, a medida de amplitude de memria refere-se  extenso de uma 
sequncia de itens em que h uma probabilidade de 0.5 de reproduo perfeita. Outros 
critrios para alm de 50% tm sido considerados, mas quase todos revelam um alto grau de 
correlao (e. g., Guilford e Dallenbach, 1925).
Os testes de amplitude de memria imediata parecem ter seguramente determinadas 
caractersticas que devem ter feito despertar um interesse crescente por este tipo de provas. 
Para comear, os testes de amplitude revelam uma grande simplicidade. So provas que no 
incluem procedimentos complexos e os conhecimentos necessrios para as realizar so 
bastante reduzidos. Alm disto os resultados obtidos so facilmente quantificveis.
H indicaes, ainda, de que os testes de amplitude de memria esto relacionados 
com aspectos fundamentais do processamento humano de informao. Por exemplo, o teste 
de memria apresenta uma correlao moderada com os outros nove subtestes da bateria 
Wechsler Adult Intelligence Scale para as idades de 25 a 74 anos (0.30 a 0.53); apresenta 
uma correlao elevada com vrias medidas de aptido e sucesso escolar, como sejam o 
Scholastic Aptitude Test: Verbal, r = 0.74; Matemtica, r = 0.77, e o College Entrance 
Examination Board English Achievement Test, r = 0.81 (cf. Dempster, 1981); e ainda o 
aumento de amplitude  paralelo a uma melhoria observada nas provas de Piaget de 
raciocnio concreto e formal (McLaughlin, 1963).
Se o teste de memria de nmeros estiver relacionado com a actividade intelectual, 
ento  natural que apresente um grande valor educativo. Tradicionalmente o valor 
educativo do teste foi prever o sucesso escolar. Mais recentemente tem havido esforos no 
sentido de compreender a causa ou as causas das diferenas de amplitude de memria 
imediata e conseguir descobrir tcnicas de treino que permitam melhorar os resultados dos 
indivduos com valores inferiores a mdia.
As caractersticas apontadas sugerem assim que o teste de amplitude de memria 
tem potencialidades para avaliar certas funes cognitivas responsveis pelo processamento 
de informao por um lado e, por outro, para identificar as causas das diferenas observadas 
nos resultados do teste. O teste pode revelar-se assim um bom auxiliar dos investigadores 
no conhecimento das funes cognitivas humanas. No dizer de Dempster (1981), se no for 
possvel obter-se uma compreenso razovel das provas de amplitude, ento parece 
altamente improvvel obter-se uma compreenso razovel de testes relacionados com 
funes cognitivas mais complexas.

Quadro 6.1: Valores de amplitude de memria obtidos em pocas e sujeito, 
diferentes para diversos tipos de material por Brener (1940), Pucket e Kausler (1984) e 
Pinto (1987). (Pg.112)

Amplitude e materiais escolhidos 
As medidas de amplitude de memria imediata tm sido obtidas com diferentes 
materiais e os resultados revelam diferenas acentuadas. Por exemplo, o Quadro 6.1 
apresenta valores de amplitude obtidos em duas investigaes realizadas em alturas 
diferentes, uma por Brener (1940) e outra por Pucket e Kausler (1984), alm de um 
pequeno estudo efectuado pelo autor (Pinto, 1987). Os procedimentos usados foram 
semelhantes, com apresentao visual ao ritmo de um item cada dois segundos. Os sujeitos 
eram universitrios jovens.
Estes resultados parecem indicar que a amplitude de memria muda de acordo com 
o grau de complexidade e familiaridade dos materiais seleccionados. Apesar destas 
diferenas houve investigadores que propuseram que a extenso da memria imediata 
representaria um nmero constante de itens ou unidades informativas categorizadas (Miller, 
1956).
Estes estudos revelaram que a amplitude de memria depende em grande medida 
do tipo de material usado. Neste sentido uma das questes a que os investigadores tentaram 
responder foi a seguinte:
        Ser que a amplitude de memria imediata representa um valor fixo ou variar 
conforme o tipo de material seleccionado? Embora as investigaes iniciais tenham usado 
slabas sem significado e dgitos, outros materiais foram tambm seleccionados, tendo-se 
verificado que os valores de amplitude em amostras homogneas de jovens adultos variava 
entre 8,0 para dgitos at cerca de 2,0 para provrbios; no caso de palavras frequentes o 
valor obtido  de cerca de 5,5 (e.g., Brener, 1940; Puckett e Kausler, 1984; Pinto, 1987).
Se, como se tem provado, a frequncia e a familiaridade parecem ser uma das 
variveis dos materiais que mais influncia exercem em geral no grau de reteno, parece 
razovel deduzir que os valores de amplitude de memria dependero tambm do grau de 
familiaridade do material seleccionado. Foi talvez a pensar no elevado grau de familiaridade 
dos dgitos que os investigadores os adoptaram como material preferencial nas provas de 
amplitude de memria.
H quem pense no entanto (e.g., Simon, 1974) que o valor de amplitude de 
memria em adultos, que se situa entre sete e oito dgitos na populao americana e inglesa, 
se encontra um pouco inflacionado, devido aos valores elevados de familiaridade nos 
adultos. Se a familiaridade  de facto uma varivel assim importante, as diferenas de 
amplitude de memria que existem entre crianas dos sete e oito anos, cujo valor de 
amplitude  de cerca de cinco e os adultos cujo valor de amplitude  de cerca de sete a oito, 
seriam devidas, no apenas aos aumentos estruturais de capacidade de memria ao longo da 
idade, mas tambm s diferenas de familiaridade dos itens apresentados.
Chi (1976) confirmou de facto esta tese ao seleccionar um tipo de material onde as 
crianas apresentavam ndices superiores de familiaridade relativamente aos adultos. A 
experincia consistiu na apresentao a crianas e adultos de dois tipos de material: 
Reproduo de dgitos por um lado e de peas de xadrez por outro. Quando a amplitude de 
memria foi medida em dgitos observou-se as tradicionais diferenas entre crianas e 
adultos. Todavia quando a amplitude de memria foi medida a partir do nmero de peas de 
xadrez correctamente reproduzidas aps uma nica observao verificou-se que a amplitude 
de memria nas crianas excedia significativamente a dos adultos.
Ser ento que a amplitude de memria aumenta de facto uma unidade cada dois em 
dois anos at  adolescncia (e.g., Hunter, 1964), ou ser que representa um valor fixo sem 
grandes variaes ao longo do desenvolvimento? Parece haver um consenso generalizado 
entre os investigadores de que os aumentos de amplitude de memria entre os trs e os seis 
anos seriam devidos em grande parte a mudanas verificadas na fisiologia cerebral. No que 
se refere a outros perodos etrios, as diferenas de resultados de amplitude no parecem 
depender substancialmente de factores de crescimento e maturao.
As provas em apoio desta hiptese baseiam-se em experincias que usaram 
sequncias de itens pouco familiares em grupos etrios diferentes. Por exemplo, alm da 
investigao de Chi (1976) atrs citada, Ross (1969) verificou que as crianas de sete anos 
recordavam quase tantas palavras como adolescentes de 15 anos e Dempster (1981) obteve 
resultados semelhantes de amplitude de memria entre as idades de sete e 12 anos, quer 
com palavras quer com consoantes. Por outro lado, quando as condies experimentais 
destes estudos incluram materiais com nveis de familiaridade bastante mais elevados, as 
diferenas de amplitude aumentaram de acordo com os perodos etrios escolhidos.
Exceptuando assim a primeira infncia parece no haver um grande apoio 
experimental para a tese de que o aumento verificado na amplitude de memria desde a 
infncia at  adolescncia seja devido ao aumento de capacidade de memria imediata. Em 
apoio de um valor constante de capacidade h ainda resultados obtidos com outros tipos de 
amplitudes cognitivas, como a amplitude perceptiva e a amplitude do efeito de recncia, 
onde se tem verificado a ausncia de qualquer melhoria devido  idade.

O valor de amplitude mais provvel         
Se a amplitude de memria  aparentemente constante, qual ser ento o valor mais 
provvel? Pensa-se que o valor de amplitude de memria imediata representaria no s um 
espao limitado de registo de informao, mas tambm um espao de processamento de 
informao. Se o sujeito valoriza a quantidade de material a ser armazenado, ento o 
processamento do mesmo ser desvalorizado; Se em contraste o sujeito valoriza o tipo de 
processamento, ento a quantidade de material a ser retido ficar em desvantagem.
A fim de tornar mais explcita a reciprocidade entre capacidade de armazenamento e 
capacidade de processamento, Klatzky (1975) sugeriu uma metfora ilustrativa. Segundo 
esta investigadora a informao na memria imediata seria armazenada e processada de 
maneira parecida com o trabalho efectuado pelo carpinteiro na mesa da sua oficina. O 
espao disponvel na mesa podia ser usado tanto para armazenar os materiais e instrumentos 
como de local de trabalho. Assim a vantagem em termos de espao atribuda a um factor 
redundaria numa desvantagem para o outro factor, tanto na mesa do carpinteiro como na 
memria imediata. Nesta perspectiva os limites de capacidade de memria imediata seriam 
uma funo da natureza do processamento e do espao disponvel. Parece assim no ter 
grande sentido fixar um valor para a capacidade de memria imediata. Alis os valores que 
foram sendo sugeridos ao longo destes ltimos 30 anos nem sempre foram coincidentes. A 
amplitude de memria foi estimada em sete por Miller (1956), seis por Sptiz (1972), cinco 
por Simon (1974) e entre trs a quatro por Broadbent (1975). 0 apoio apresentado para estas 
diferentes estimativas teve em conta, (1) o tipo de material seleccionado, e de que j se fez 
uma anlise; (2) o critrio fixado, 50 ou 100%; (3) a prova adoptada para se determinar a 
amplitude de memria.
Segundo Broadbent (1975) se o critrio convencional usado para determinar a 
amplitude de memria for fixado acima do nvel de 50%, ento o valor de amplitude de 
memria obtido ser consideravelmente reduzido. No caso da fixao de um critrio 
rigoroso, por exemplo 100%, o valor de amplitude de memria obtido seria de cerca de trs 
a quatro itens independentemente do material usado.
O tipo de prova escolhida para determinar a amplitude de memria tambm influi 
bastante. Para alm da prova de evocao ,,criada de itens, que  a mais utilizada e aquela a 
que me tenho referido at agora, h ainda uma prova de evocao contnua, em que so 
apresentados aos sujeitos sequncias de itens de extenso desconhecida, e que o sujeito 
tenta reproduzir retroactivamente a partir de um item assinalado (e.g., Pollack, Johnson, e 
Knaff, 1959). Nesta prova  habitual um adulto recordar apenas os ltimos trs ou quatro 
itens com preciso.
Alm destas duas provas de amplitude de memria, h ainda a prova de evocao 
livre de listas de palavras. Num estudo efectuado por Glanzer e Razel (1974), estes 
investigadores examinaram 32 experincias publicadas, tendo todas elas usado listas de 12 
ou mais palavras. Em cada um destes estudos foi obtida uma estimativa de memria imediata 
baseada na superioridade dos ltimos seis itens relativamente aos itens do meio da lista. A 
distribuio de frequncias destas estimativas indicou que o nmero mdio retido era de 2,2 
com 0,64 de desvio padro. Os valores obtidos em trs provas diferentes parecem sugerir 
que a amplitude de memria  um valor fluido, dependendo em grande medida do material 
escolhido, da prova de memria usada e do critrio fixado.
Em resumo, parece apropriado referir que o conceito de amplitude de memria, que 
os psicomtricos tanto usaram nas baterias de inteligncia, foi objecto de um exame extenso 
e profundo por parte dos investigadores cognitivistas ao longo destes ltimos 20 anos, tendo 
da resultado uma melhor clarificao sobre uma componente importante da memria 
humana.

Experincia

Esta experincia teve por objectivo determinar os valores de amplitude de memria 
imediata para dgitos com sequncias ascendentes e paralelamente verificar se o valor de 
amplitude seria ou no afectado por instrues de agrupamentos dos dgitos da srie de trs 
em trs. Para melhor se reterem sequncias de dgitos apresentados rapidamente, h vrias 
estratgias aconselhveis desde ritmos, repetio, agrupamentos em trs, categorizao, etc. 
(e.g., Pinto, 1985). Neste sentido pretendeu-se verificar se os resultados de um grupo 
experimental instrudo no uso do agrupamento de dgitos de trs em trs seria ou no 
superior relativamente a um grupo de controle, onde esta estratgia tinha sido omitida.

Mtodo 
Sujeitos: A amostra foi constituda por 34 estudantes de psicologia da Universidade 
do Porto inscritos no ano lectivo de 1987/88. A grande maioria dos sujeitos pertenciam ao 
grupo etrio dos 18 - 21 anos, sendo a maioria do sexo feminino.
Material: Foram seleccionadas 21 sries ou sequncias com extenses de 4 a 10 
dgitos. Houve trs sries iguais para cada extenso de 4 a 10 dgitos. A seleco dos dgitos 
obedeceu s normas seguintes:
        (1) No houve sequncias com mais de 2 nmeros consecutivos em qualquer das 
ordens; (2) Omitiram-se dgitos repetidos; (3) Controlou-se o nmero de slabas dos dgitos 
de cada sequncia, por exemplo, numa sequncia de quatro dgitos, dois tinham uma slaba 
e os restantes duas slabas; (3) Procurou-se alternar as sequncias onde predominavam 
dgitos com uma slaba e sequncias onde predominavam os de duas slabas. As sequncias 
de dgitos foram gravadas em fita magntica e o ritmo de apresentao dos dgitos foi de um 
dgito por segundo. A Tabela 6.1, pg. 123, apresenta as 21 sequncias de dgitos.
Planeamento: O planeamento adoptado foi o de grupos aleatrios com medidas pr e 
ps-tratamento (e.g., Pinto, 1990, p. 108). A fase pr-tratamento foi dedicada  obteno dos 
valores de amplitude de memria para os sujeitos da amostra. Seguiu-se a fase de 
tratamento que consistiu na ilustrao do agrupamento dos dgitos trs a trs das sries a 
metade dos sujeitos escolhidos ao acaso e que passaram a constituir o grupo experimental. A 
fase ps-tratamento envolveu a obteno do valor de amplitude de memria no grupo 
experimental e no grupo de controle.
A varivel independente manipulada foi a presena ou ausncia da instruo de 
agrupamento, formando-se dois grupos: O grupo experimental a quem foi ministrado a 
instruo de agrupamento e o grupo de controle a quem se omitiu qualquer referncia ao 
papel do agrupamento. A varivel dependente registada foi o nmero de sequncias de 
dgitos correctamente evocados segundo a ordem de apresentao. O planeamento foi inter-
sujeitos.
Procedimento: A experincia foi efectuada em duas sesses com um intervalo de 
uma semana. No incio da primeira sesso os sujeitos foram instrudos de que iam ser 
apresentadas auditivamente sequncias de dgitos de extenso crescente, que deveriam 
reproduzir segundo a ordem apresentada. O perodo de reproduo de cada sequncia foi 
de 15 segundos no mximo. No incio da segunda sesso os sujeitos do grupo experimental 
foram informados de que poderiam obter um desempenho superior nesta tarefa de memria 
se agrupassem os dgitos ouvidos de trs em trs. Esta estratgia foi ilustrada com 4 ensaios 
de treino em que foram apresentadas 2 sequncias de 4 e 5 dgitos. Os sujeitos do grupo de 
controle foram apenas informados de que iam repetir a prova de memria da semana 
anterior a fim de se verificar se a repetio melhorava ou no o desempenho de memria. 
Os sujeitos do grupo de controle efectuaram os mesmos 4 ensaios de treino apresentados ao 
grupo experimental. Em ambas as sesses a experincia foi efectuada com pequenos grupos 
de estudantes.

Apresentao e anlise dos resultados

Os valores de amplitude de memria imediata foram calculados de acordo com o 
mtodo numrico (Woodworth e Schlosberg, 1954). Este mtodo inclui quatro fases: (1) 
Selecciona-se para cada sujeito a sequncia mais elevada, onde as trs sequncias foram 
correctamente reproduzidos; (2) Determina-se o nmero das restantes sequncias correctas; 
(3) Divide-se o valor obtido na fase (2) por trs; (4) Adicionam-se os valores obtidos nas 
fases (1) e (3). Os resultados obtidos para o grupo experimental constitudo por 18 sujeitos e 
para o grupo de controle formado por 16, esto expostos no Quadro 6.2.

Quadro 6.2: Valores mdios de amplitude de memria imediata obtidos pelo grupo 
experimental (agrupamento trs a trs) e pelo grupo de controle (repetio da tarefa). 
(Pg.118)

Os resultados indicam uma melhoria entre a primeira e segunda sesses, quer no 
grupo experimental quer no grupo de controle. A fim de se verificar se as diferenas foram 
ou no estatisticamente significativas aplicou-se o teste t-Student. Para o grupo experimental 
verificou-se que as diferenas entre as duas sesses eram estatisticamente significativas, 
t(15) = 3,4, p<0,01, o mesmo acontecendo para o grupo de controle, t(-17) = 3,8, p<0,01. 
No que se refere ao grupo de controle estes resultados indicam que a simples repetio da 
experincia de amplitude, mesmo sem o conhecimento de qualquer estratgia de 
memorizao especfica, foi suficiente para proporcionar uma melhoria significativa nos 
resultados.

Discusso

Os resultados obtidos confirmaram que o agrupamento em trs de sries de dgitos 
numa prova de memria de nmeros foi benfico. Gostaria no entanto de chamar ateno 
para o facto de que replicaes desta experincia em anos lectivos diferentes nem sempre 
apresentaram resultados semelhantes, particularmente no que se refere s diferenas entre 
grupos nas fases ps-tratamento.
A realizao desta experincia requer uma certa subtileza, particularmente no que se 
refere  distribuio dos sujeitos na fase pr-tratamento e ao tipo de ensaios prticos 
ministrados no incio da fase ps-tratamento. Verificou-se s vezes que a distribuio 
aleatria dos sujeitos em dois grupos aps a obteno de amplitude na fase pr-tratamento 
nem sempre apresentou mdias e desvios padres semelhantes. Quando as diferenas so 
expressivas, os grupos no so seguramente equivalentes quando partem para a segunda 
sesso.
A fim de se evitar distribuies por vezes caprichosos, o melhor  proceder a uma 
distribuio gemeal. Neste tipo de distribuio os dois sujeitos com resultados mais elevados 
so atribudos aleatoriamente aos dois grupos da experincia; Procede-se da mesma forma 
para os dois sujeitos seguintes com resultados mais elevados e assim sucessivamente at se 
atriburem por ltimo ao acaso os dois sujeitos com resultados mais baixos. Esta distribuio 
garante uma maior homogeneidade dos grupos e evita situaes metodologicamente 
embaraosas.
No que se refere ao tipo de ensaios prticos,  aconselhvel apresentar apenas 
quatro ensaios com as sries de dgitos mais baixas, de preferncia as sries de 4 e de 5 
dgitos. Nestas sries  provvel que os sujeitos do grupo experimental obtenham sucesso 
na aplicao da estratgia de agrupamento e neste sentido talvez se sintam mais inclinados a 
us-la sistematicamente nos ensaios experimentais. Se as sries forem de 4, 6 e 8  mais 
provvel que ocorram erros. Se tal acontecer  possvel que os sujeitos mudem a estratgia 
aconselhada durante a experincia pela estratgia que cada um julga mais adequada ou em 
que pelo menos se sente mais  vontade.

Bibliografia citada e recomendada

Baddeley, A. D. (1990). Human memory: Theory and practice. London: Erlbaum. 
        Baddeley. A. D., Thompson, N., e Buchanan, M. (1975). Word length and the 
structure of short-term memory. Journal of Verbal Learning and Verbal Behavior, 14, 575-
589.         
        Brener, R. (1940). An experimental investigation of memory span. Journal of 
Experimental Psychology, 26, 467-482.         
        Broadbent, D.E. (1975). The magic number seven after fifteen years. In A. Kennedy 
e A. Wilkes (Eds.), Studies in long term memory, (p. 3-18. London: Wiley.         
        Cavanagh, J. P. (1972). Relation between the immediate memory span and the 
memory search rate. Psychologcak Review, 79, 525-530.         
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processing deficits? Memory & Cognition, 4, 559-572.         
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differences. Psychological Review, 89, 63-100.         
        Drewnowsky, A. (1980). Attributes and priorities in short-term recall: A new model 
of memory span. Journal of Experimental Psychology: General, 109, 208-250.         
        Ebbinghaus, H. (1964). Memory: A contribution to Experimental Psychology 
(Traduzido por H. Ruger e C. E. Bussenius). New York: Dover. (Obra original publicada 
em 1885).         
        Galton, F. (1887). Supplementary notes on prehension in idiots. Mind, 12, 79-82. 
        Glanzer, M., e Razel, M. (1574). The size of the umt in short-term storage. Journal 
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formulation, British Journal of Educational Psychology, 33, 61-67.        
         Miller, C. A. (1956). The magical number seven, plus or minus two: Some limits on 
our capacity for processing information.-Psychologcal Review, 63, 81-96.         
        Pinto, A. C. (1985). Testes de amplitude de memria imediata: Um estudo sobre os 
factores cognitivos responsveis pelas diferenas de amplitude. Dissertao apresentada na 
Universidade do Porto como prova complementar de Doutoramento.         
        Pinto, A. C. (1987). Os efeitos do agrupamento na amplitude de memria imediata. 
Relatrio n 5 das aulas prticas. Faculdade de Psicologia e de C. da Educao da 
Universidade do Porto. Pinto,         
        A. C. (1990). Metodologia da investigao psicolgica. Porto: jornal de Psicologia. 
        Pollack, L, Johnson, L. B., e Knaff, P. R. (1959). Rurming memory span. Journal of 
Experimental Psychology, 57, 137-146.         
        Puckett, J. M., e Kausler, D. M. (1984). Individual differences and models of 
memory span: A role for memory search rate? Journal of Experimental Psychology: 
Learning, Memory and Cognition, 10, 72-82.         
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seven. Joumal of Experimental Psychology, 80, 339-347.         
        Simes, A. (1982). Aspectos da gerontologia: No ano internacional da terceira idade. 
Revista Portuguesa de Pedagogia, 16, 39-96.         
        Simon, H. A. (1974). How big is a chunk? Science, 183, 482-488.         
        Spitz, H. H. (1972). Note on immediate memory for digits: Invariance over the 
years. Psychological Bulletin, 78, 183-185.         
        Watkins, M. J. (1977). The intricacy of memory span. Memory & Cognition, 5, 529-
534.         
        Wickelgreen, W. A. (1964). Size of rehearsal group and short-term memory. Journal 
of Experimental Psychology, 68, 413-419.         
        Woodworth R. S., e Schlosberg, H. (1954). Experimental psychology. London: 
Methuen.

Apndice 6

Instrues

Fase pr-tratamento

Grupos experimental e de controle: A experincia que vai-nos realizar  uma 
experincia de memria. Vo ser apresentadas sequncias de dgitos com extenses de 4, 5 
a 10 dgitos cada. Haver trs sequncias para cada extenso, de modo que esta sesso 
incluir a apresentao de 21 sequncias de dgitos. As sequncias esto gravadas e sero 
apresentadas numa ordem ascendente, ou seja, de 4 dgitos at 10 dgitos. Quando terminar 
a apresentao de uma sequncia devero reproduzir os dgitos pela ordem em que foram 
apresentados. O incio e final de uma sequncia sero assinalados respectivamente por um 
som grave e outro agudo. O perodo de reproduo ter uma durao mxima de 15 
segundos.  considerada uma reproduo errada sempre que houver alterao da ordem 
de apresentao dos dgitos, mesmo que todos estejam certos. Vamos apresentar dois 
ensaios com sequncias de 3 e 4 dgitos: 6 2 5; 7 4 1 3. Compreenderam? Ento vamos 
comear.

Fase ps-tratamento

Grupo experimental: Vamos repetir a experincia de memria realizada na semana 
passada. Antes porm gostaria de vos ensinar uma estratgia de reteno que  considerada 
por muitos investigadores bastante eficaz na realizao deste tipo de provas. Trata-se do 
agrupamento dos dgitos das sequncias apresentadas em trs. Assim se for apresentada a 
sequncia 7 4 1 3 devero agrup-la mentalmente da seguinte forma: setecentos e quarenta 
e um - trs; se a sequncia for 1 5 7 6 0, devero mentalmente agrup-la assim: cento e 
cinquenta e sete - sessenta. Vamos efectuar quatro ensaios de treino a fim de se 
familiarizarem com esta estratgia.

8 4 5 0;
4 2 6 1;
02 9 4 5,
72 5 1 8.

Compreenderam? Ento vamos comear.

Grupo de Controle: Vamos repetir a experincia de memria realizada na semana 
passada. O objectivo  verificar se a repetio de uma tarefa de memria uma semana 
depois revela ou no uma melhoria nos resultados. H investigadores que obtiveram 
resultados comprovativos, outros que no. Antes de comearmos propriamente vamos 
realizar 4 ensaios de treino.

8 4 5 0;
4 2 6 1;
0 2 9 4 5;
7 2 5 1 8.

Compreenderam? Ento vamos comear.

Tabela 6.1: Lista das 21 sries ou sequncias de dgitos apresentadas. (Pg.122)

Nas fases pr-tratamento e ps-tratamento os dgitos apresentados foram os mesmos. 
Na fase pr-tratamento a ordem dos dgitos apresentada foi a desta Tabela. Mas na fase ps-
tratamento a ordem foi inversa. Assim se na fase pr-tratamento foi apresentado 7 2 6 0, na 
fase ps-tratamento foi apresentado 0 6 2 7.


7

Libertao da Interferncia Proactiva Segundo o Paradigma de 
Wickens (1970)

O fenmeno da interferncia proactiva  considerado uma das descobertas 
importantes da investigao psicolgica (Underwood, 1957) e manifesta-se por uma 
diminuio de reteno ao longo de vrios ensaios, mesmo quando a aprendizagem de cada 
ensaio atingiu o critrio de 100%. Este trabalho teve por objectivo demonstrar os efeitos do 
desenvolvimento da interferncia proactiva e respectiva libertao de acordo com o 
paradigma de Wickens (1970). Para o efeito foram seleccionados dois grupos, um de 
controle e outro experimental, a quem foram apresentados 8 ensaios do tipo Brown-
Peterson. Enquanto o material apresentado ao grupo de controle provinha em todos os 
ensaios da mesma categoria, o material do grupo experimental diferia de categoria apenas 
no ltimo ensaio de cada bloco de ensaios apresentados. A anlise dos resultados obtidos 
revelou um ndice de libertao de interferncia proactiva da ordem dos 100%, valor 
previsvel para o tipo de manipulao de mudana de material efectuada. Em concluso  
discutida a controvrsia sobre a localizao da interferncia proactiva, se na fase de 
aquisio ou fase de recuperao, sendo referidos para o efeito alguns estudos 
experimentais.

Introduo

O incio dos estudos experimentais sobre a memria a curto prazo (MCP) deveu-se 
a duas experincias similares realizadas por John Brown (1958) em Inglaterra e por Lloyd e 
Margaret Peterson (1959) nos Estados Unidos.
Estas duas experincias estudaram a reteno de informao para pequenos 
intervalos de tempo. Na experincia dos Peterson era pedido aos sujeitos para tentarem 
evocar um trigrama (combinao de trs consoantes, por exemplo, LTC, JQN) aps 3, 6, 
9,12, 15 e 18 segundos. O experimentador pronunciava primeiro um trigrama e logo a 
seguir um nmero de trs dgitos. Os sujeitos tinham sido instrudos a realizar uma contagem 
retrgrada a partir do nmero apresentado at ser apresentado um sinal para se iniciar a 
evocao. Esta contagem retrgrada constitua uma actividade distractiva, a fim de evitar 
que os sujeitos repetissem o trigrama a ser evocado durante o intervalo de reteno.
Os resultados destas experincias demonstraram que o grau de reteno dos 
trigramas diminua  medida que aumentava o intervalo de reteno segundo uma funo 
progressivamente negativa, sendo o grau de evocao para o intervalo de 18 segundos da 
ordem dos 15%. Os Peterson explicaram o esquecimento observado em funo do intervalo 
de tempo e no em funo da interferncia proactiva.
Esta explicao era apoiada no facto de que se a interferncia proactiva tivesse 
actuado, ento os resultados obtidos nos quatro ltimos ensaios (foram apresentados 8 
ensaios em cada intervalo de reteno) de cada intervalo de reteno apresentariam valores 
de reteno inferiores aos dos primeiros quatro ensaios, j que a interferncia proactiva era 
tanto maior quanto maior fosse o nmero de ensaios realizados. Como tal no se verificou 
Peterson e Peterson optaram pela interpretao do esquecimento em funo do tempo 
decorrido durante cada intervalo de reteno.
O procedimento usado por Brown e pelos Peterson para investigar a memria a 
curto prazo (MCP) veio a ficar conhecido pelo paradigma de Brown-Peterson.
Keppel e Underwood (1962) criticaram as concluses de Peterson e Peterson (1959) 
e sugeriram que o esquecimento verificado poderia ter sido devido  interferncia proactiva. 
Para Keppel e Underwood a interferncia proactiva aumentaria com o nmero de slabas 
apresentadas e seria maior para intervalos longos relativamente a intervalos pequenos. Os 
resultados obtidos numa experincia realizada para o efeito por estes investigadores 
confirmaram as hipteses formuladas (Keppel e Underwood, 1962).
A disparidade de interpretaes a respeito da natureza do esquecimento na MCP 
conduziu ao planeamento de novas experincias durante a dcada de 60 a fim de se obter 
uma melhor clarificao do assunto. Face a esta polmica Wickens (1963) sugeriu que, 
sendo importante averiguar as circunstncias em que a interferncia proactiva se 
desenvolvia, seria no entanto bem mais importante averiguar em que circunstncias  que a 
interferncia proactiva era removida ou se dissipava. Para responder a esta questo Wickens 
(1963) inventou um procedimento experimental que veio a ficar conhecido por libertao da 
interferncia proactiva.
Genericamente o procedimento para se investigar a libertao da interferncia 
proactiva consiste na apresentao ao grupo de controle de materiais pertencentes  mesma 
categoria ao longo de vrios ensaios do tipo do paradigma de Brown-Peterson. Ao grupo 
experimental so apresentados os mesmos materiais do grupo de controle em cada ensaio, 
excepto no ltimo ensaio, onde o material da categoria precedente  substitudo por um 
material pertencente a uma nova categoria. Neste paradigma experimental observam-se 
normalmente dois fenmenos: O desenvolvimento da interferncia proactiva com uma 
diminuio progressiva na evocao dos itens apresentados; A libertao da interferncia 
proactiva com uma melhoria notvel na evocao dos itens apresentados no ensaio em que 
houve mudana de categoria do material referente ao grupo experimental.
Embora haja grandes semelhanas entre os procedimentos experimentais adoptados 
por Wickens e colaboradores quer na experincia inicialmente publicada em 1963 
(Wickens, Born e Allen, 1963), quer nas experincias publicadas em 1970 (Wickens, 1970), 
por razes de simplicidade ser somente descrito o procedimento referido em 1970.
No tipo de experincias descritas no estudo publicado em 1970, Wickens 
seleccionou um grupo de controle e um grupo experimental, que efectuaram vrios ensaios 
seguindo o paradigma de BrownPeterson. No grupo de controle foram apresentados blocos 
de quatro ensaios, em que era sempre usado o mesmo tipo de material (por ex., palavras 
provenientes da categoria de mamferos) ao longo de todos os ensaios. No grupo 
experimental era apresentado o mesmo material do grupo de controle nos trs primeiros 
ensaios de cada bloco (palavras da categoria de mamferos), mas no quarto e ltimo ensaio 
de cada bloco, o experimentador substitua o material precedente por um novo. Assim se 
nos trs primeiros ensaios as palavras provinham da categoria de mamferos, no quarto 
ensaio as palavras seleccionadas pertenciam  categoria de frutos.
Este procedimento experimental revelou por um lado um aumento crescente da 
interferncia proactiva ao longo dos primeiros quatro ensaios no grupo de controle e uma 
melhoria considervel no grau de evocao no grupo experimental no quarto ensaio. A 
diferena observada no grau de reteno no quarto ensaio entre os grupos experimental e 
de controle  uma expresso emprica do fenmeno da libertao da interferncia 
proactiva.
Wickens (1970), alm de outros investigadores, analisaram os efeitos de diferentes 
variveis no grau de libertao da interferncia proactiva. Dos estudos realizados pode-se 
concluir o seguinte:
1. As mudanas que produzem um maior grau de libertao da interferncia 
proactiva so mudanas de palavras para nmeros; mudanas de categoria taxonmica, por 
exemplo, rvores para animais; mudanas de diferencial semntico de Osgood, por 
exemplo, palavras avaliadas positivamente como sucesso e satisfao relativamente a 
palavras avaliadas negativamente, como perigo doena; mudanas de masculino para 
feminino, e vice-versa em todos os casos precedentes. Geralmente mudanas de tipo 
semntico produzem ndices de libertao da interferncia proactiva da ordem dos 50 a 
100%. Mudanas de lngua e de frequncia de palavras apresentam tambm valores de 
libertao elevados na ordem dos 50 a 70%.
2. As mudanas que produzem um grau menor de libertao da interferncia 
proactiva . so de natureza fsica. Por exemplo, mudanas no nmero de slabas ou fonemas; 
mudanas na rea de exposio visual; mudanas de figura e fundo, e eventualmente de cor 
e modalidade sensorial. Geralmente mudanas de tipo fsico produzem ndices de libertao 
da interferncia proactiva da ordem dos 10 a 25%. No entanto veja-se a propsito, Gardiner, 
Klee, Redman, e Ball (1976).
        Outras mudanas, de carcter predominantemente sintctico, foram ainda estudadas, 
como as de verbos para adjectivos e substantivos, mudanas de tempo verbal, do singular 
para o plural, etc. Para uma informao mais detalhada veja-se Wickens (1972).
A melhoria observada no quarto ensaio do grupo experimental tem sido explicada 
diferentemente.
Para uns a melhoria observada seria devida ao facto do sujeito ficar 
perceptivelmente alertado para a mudana de material apresentado. Esta explicao tem 
sido posta em causa devido ao facto da maioria dos sujeitos no terem conscincia da 
mudana verificada, quando interrogados a este propsito no final da sesso.
Para outros, o novo tipo de material ao diferir do precedente forneceria uma pista 
nova de recuperao muito mais especfica. Nos ensaios precedentes a pista usada na 
recuperao dos itens seria menos especfica devido ao facto do nmero de itens 
apresentados ser maior. Haveria como que uma saturao do grau de especificidade da 
pista, quando os materiais pertenciam  mesma categoria ao longo de vrios ensaios. Assim 
durante os trs primeiros ensaios seria mais difcil obter uma pista especfica do que no 
quarto ensaio do grupo experimental.

Experincia

A experincia a seguir descrita pretende replicar o efeito experimental do 
desenvolvimento e libertao de interferncia proactiva, utilizando-se para o efeito 
mudanas de material ao nvel categorial das palavras.

Mtodo 
Sujeitos: A amostra foi constituda por 41 estudantes de psicologia da Universidade 
do Porto inscritos no ano lectivo de 1988/89. A grande maioria dos sujeitos pertenciam ao 
grupo etrio dos 18 - 21 anos, sendo a maioria do sexo feminino.
Material: O material usado foram 12 palavras pertencentes  categoria de 
mamferos e 6 pertencentes  categoria de metais. As palavras de mamferos foram 
organizadas em dois blocos de quatro ensaios cada, sendo distribudos, aleatoriamente, trs 
palavras por cada ensaio. Os nomes de mamferos repetiam-se nos ensaios do segundo 
bloco, ainda que segundo uma ordem e distribuio diferentes. As de metais foram 
atribudas aleatoriamente ao quarto ensaio do grupo experimental de cada bloco. No grupo 
experimental utilizaram-se, nos trs primeiros ensaios de cada bloco, as mesmas sries de 
trs nomes de mamferos apresentados ao grupo de controle. Porm, no quarto ensaio de 
cada bloco a srie de trs nomes de mamferos do grupo de controle foi substituda por uma 
srie de trs palavras da categoria de metais. Veja-se Tabela 7.1, pg. 137. 
Seleccionaram-se, ainda, sries de trs dgitos, sete sries para cada um dos ensaios a fim de 
se preencher o perodo distractivo de cada ensaio, que tinha uma durao de cerca de 18 
segundos.
Planeamento: Os sujeitos foram divididos aleatoriamente em dois grupos: Um grupo 
de controle e outro experimental. A varivel independente manipulada foi a mudana de 
categoria do material no quarto ensaio de cada bloco, havendo duas condies: Presena ou 
ausncia de mudana de categoria das palavras. * A varivel dependente registada foi o 
nmero de palavras correctamente evocadas em cada ensaio.

* Por razes de simplicidade foram usados apenas dois grupos nesta experincia. No 
entanto as experincias de libertao da interferncia proactiva requerem no mnimo um 
grupo experimental e outro de controle, cada um destes subdividido em dois. Se o objectivo 
de uma experincia for investigar o grau de libertao na mudana de material X para 
Y,  necessrio ainda verificar se a libertao tambm se verifica de Y para X. Assim 
a ordem de apresentao do material aos quatro sub-grupos seria: Ao subgrupo experimental 
1, X, X, X, Y; ao subgrupo experimental 2, Y, Y, Y, X; ao subgrupo de controle 1, X, 
X, X, X; ao subgrupo de controle 2, Y, Y, Y, Y. No que se refere ao nmero de sujeitos 
por cada sub-grupo, Wickens (1972) recomenda cerca de 50, num total de 200.

Sumariamente cada ensaio era formado pelas trs fases seguintes: (1) Apresentao 
das palavras a serem evocadas durante 2,5 segundos; (2) Apresentao de sete sries de trs 
dgitos cada com uma durao aproximada de 17,5 segundos; (3) Perodo de evocao das 
palavras inicialmente apresentadas durante 10 segundos. A durao total do ensaio era de 
cerca de 30 segundos.
Procedimento: A experincia foi realizada em pequenos grupos, pertencentes quer 
ao grupo de controle quer ao grupo experimental. As instrues foram lidas e referiam que 
os sujeitos iam realizar trs tarefas: Uma de aprendizagem e memria, outra de rapidez de 
clculo aritmtico e ainda uma outra de ateno sob a forma de busca de uma letra alvo. A 
tarefa de aprendizagem e memria consistia na apresentao de trs palavras que mais tarde 
seriam objecto de reproduo; A tarefa aritmtica consistia na apresentao de vrios 
nmeros de trs dgitos a que os sujeitos deveriam subtrair 3 e escrever o resultado na folha 
de respostas. Eram ainda informados de que esta tarefa era apresentada a um ritmo bastante 
rpido e que no havia alterao no dgito das centenas e das dezenas, mas apenas no das 
unidades. A tarefa aritmtica terminava com a apresentao de um sinal sonoro, que 
significava ainda o comeo do perodo de evocao das palavras. As palavras deveriam ser 
reproduzidas pela ordem em que foram apresentadas. O final do perodo de evocao era 
tambm assinalado por um breve sinal sonoro. Os sujeitos foram informados de que seria 
apresentado um ensaio de treino, e pouco depois seguir-se-ia a apresentao de oito ensaios 
experimentais. Aps o quarto ensaio haveria um perodo de cerca de dois minutos de 
intervalo durante o qual seria efectuada a tarefa de ateno.

Resultados

O desempenho dos sujeitos na prova de memria foi avaliado do seguinte modo. Por 
cada palavra correctamente evocada era atribudo um ponto, havendo um mximo de trs 
pontos pela evocao das trs palavras; no caso em que as trs palavras tivessem sido 
evocadas segundo a ordem de apresentao era atribudo um ponto suplementar. Portanto, a 
cotao mxima de cada ensaio era de quatro pontos. A percentagem de palavras 
correctamente evocadas pelo grupo de controle e pelo grupo experimental no total dos 8 
ensaios esto expostos na Figura 7.1.
A Figura 7.1 revela claramente, por um lado o declnio do grau de reteno ao longo 
dos quatro ensaios no grupo de controle e nos trs primeiros ensaios do grupo experimental 
e por outro uma melhoria acentuada no grau de evocao no quarto ensaio do grupo 
experimental. O declnio registado nos trs primeiros ensaios do grupo experimental (ou nos 
quatro ensaios do grupo de controle) tem sido denominado de desenvolvimento da 
interferncia proactiva e a melhoria observada no quarto ensaio do grupo experimental de 
libertao da interferncia proactiva.

Figura 7.1: Percentagem de palavras correctamente evocadas pelos sujeitos dos 
Grupos experimental e de controle ao longo dos quatro ensaios dos blocos apresentados. 
(Pg. 131)

Wickens (1970) apresentou uma frmula para se calcular o grau de libertao da 
interferncia proactiva (LIP) neste tipo de experincias. Assim a LIP seria igual  proporo 
entre a diferena do 42 ensaio experimental com o 42 ensaio de controle, sobre a diferena 
entre o V ensaio de controle com o 4- ensaio de controle, a multiplicar por 100.

LIP =  4 Ensaio Experimental  4 Ensaio Controle   X 100
1 Ensaio Controle  4 Ensaio Controle

De acordo com esta frmula, o valor de LIP obtido na presente experincia seria de 
100%.

LIP = (80-36) X 100; LIP = 100%.
                                         (80-36)

Um valor de 100% de libertao de interferncia proactiva indica que a mudana de 
material no 4 ensaio do grupo experimental foi capaz de libertar totalmente a interferncia 
proactiva que se vinha acumulando nos ensaios precedentes. Como foi referido 
anteriormente, mudanas de natureza categorial produzem habitualmente valores elevados 
de libertao de interferncia proactiva, normalmente  volta dos 75%.

Concluso

A libertao de interferncia proactiva foi um procedimento experimental 
frequentemente usado nos anos 60 e 70 a fim de se investigar a natureza de codificao dos 
itens na memria humana, tendo-se procurado determinar quais as dimenses de um 
estmulo que produziam libertao. Assim se se verificasse um ndice aprecivel de 
libertao, quando se efectuava uma mudana numa dimenso do material, ento poder-se-
ia deduzir que a referida dimenso teria sido codificada na altura da apresentao do item, 
tornando-se numa varivel a ter em considerao.
No mbito desta temtica um dos problemas que gerou bastantes investigaes foi o 
de se saber se a interferncia proactiva (IP), que se ia rapidamente acumulando de ensaio 
para ensaio, estaria localizada na fase inicial de codificao ou na fase final de recuperao.
Segundo Wickens (1970) os efeitos da IP estariam localizados na fase inicial de 
aquisio ou codificao dos itens. Em apoio desta tese, Carey (1973) verificou a presena 
de IP em provas de reconhecimento, quer reconhecimento imediato quer reconhecimento 
final. Se se considerar que a prova de reconhecimento transpe e supera algumas 
dificuldades de recuperao tpicas da prova de evocao, ento a presena de IP numa 
prova de reconhecimento poderia significar que houve uma degradao na qualidade de 
codificao dos itens ao longo dos ensaios. Se houver de facto uma degradao, isto 
significa que os itens sero mais facilmente esquecidos no decurso de vrios ensaios 
apresentados. Se entretanto se verificar uma mudana numa dimenso do material,  
possvel que esta mudana afecte a qualidade de codificao, ou atraindo uma maior ateno 
do sujeito obrigando-o a fixar-se mais, ou facilitando a produo de uma pista a ser usada 
posteriormente na fase de recuperao.
        Para outros investigadores a IP estaria localizada na fase de recuperao (e.g., 
Gardiner, Craik, e Birtwistle, 1972; Watkins e Watkins, 1975). Numa experincia bastante 
citada, Gardiner et al. (1972) investigaram a LIP com materiais provenientes da categoria de 
flores e jogos apresentadas ao longo dos quatro ensaios. A mudana de material no 4 ensaio 
era efectuada de uma subcategoria para outra. Assim se a subcategoria apresentada nos 3 
primeiros ensaios fosse jogos de interior, a mudana no 4 ensaio era para jogos de exterior; 
No caso de flores, a mudana era de flores selvagens, para flores de jardim.
No primeiro ensaio todos os sujeitos eram informados da subcategoria a que 
pertenciam as palavras, por exemplo jogos de interior. No 4 ensaio as instrues 
ministradas proporcionaram a formao de trs grupos diferentes que at a tinham sido 
tratados sempre da mesma maneira. Um grupo (A) era informado na altura em que era 
apresentada a trade de jogos, que as palavras se relacionavam com jogos de exterior; A 
outro grupo (D) esta informao era fornecida depois da apresentao da trade e da tarefa 
distractiva e imediatamente antes do perodo de evocao; O terceiro grupo (C) era de 
controle, havia tambm mudana de subcategoria, mas os sujeitos no eram informados, 
nem antes nem depois do material ser apresentado.
Os resultados revelaram que a LIP apenas se verificou nos grupos A e D, sendo 
os valores de LIP semelhantes nestes grupos. No grupo C no se verificou qualquer LIP. 
Os resultados desta experincia tm sido interpretados como apoio da tese de que a IP se 
localizaria na fase de recuperao, j que os sujeitos do grupo D obtiveram um ndice de 
LIP semelhante ao grupo A, mesmo sendo informados da mudana depois dos itens terem 
sido adquiridos e codificados.
A localizao da IP na fase de aquisio ou de recuperao  uma das controvrsias 
 procura de soluo (veja-se Pinto, 1985, p. 30-34; Dillon e Bittner, 1975; O'Neill, 
Sutcliffe, e Tulving, 1976). Provavelmente a IP no se localizar exclusivamente ou na fase 
de aquisio ou na fase de recuperao. De modo semelhante a muitos outros fenmenos 
de memria, a localizao da IP ser possivelmente uma manifestao conjunta do que foi 
codificado e recuperado.
Por ltimo o fenmeno da acumulao da IP e da sua libertao no ocorre apenas 
no laboratrio com materiais do gnero de slabas sem significado, dgitos e palavras.  um 
fenmeno que se tem observado com material mais complexo, como frases e pequenos 
textos. Por exemplo, Blumenthal e Robbins (1977) observaram a LIP com mudanas de 
pequenos textos de histria para fsica e de msica para desporto e vice-versa, mas em 
situaes experimentais muito especficas. Por outro lado, Gunter, Clifford, e Berry (1980) 
verificaram a LIP com mudanas de informaes noticiosas para informaes desportivas e 
vice-versa. Estes resultados revelam que o fenmeno de acumulao da IP e circunstncias 
da respectiva libertao so observveis em situaes quotidianas, de onde se pode inferir 
que as investigaes laboratoriais neste domnio apresentam uma validade ecolgica 
aprecivel.

Bibliografia citada e recomendada

        Blumenthal, G. H., e Robbins, D. (1977). Delayed release from proactive 
interference with meaningful material: How much we remember after reading brief prose 
passages? Journal of Experimental Psycholog: Human Learning and Memory, 3, 754-761. 
        Brown, J. (1958). Some tests of the decay theory of immediate memory. Quarterly 
Journal of Experimental Psychology, 8, 12-21.         
        Carey, S. T. (1973). Delayed recognition testing, incidental learning, and proactive 
inhibition release. Journal of Experimental Psychology, 100, 361-367.         
        Dillon, R. F., e Bittner, L. A. (1975). Analysis of retrieval cues and release from 
proactive inhibition. Journal of Verbal Learning and Verbal Behavior, 14, 616-622. 
        Gardiner, J. M., Craik, F. I. M., e Birtwistle, J. (1972). Retrieval cues and release 
from proactive inhibition. Journal of Verbal Learning and Verbal Behavior, 11, 778-783. 
        Gardiner, J. M., Klee, H., Redrnan, C., e BalI, M. (1976). The role of stimulus 
material in determining release from proactive inhibition. Quarterly Journal of Experimental 
Psychology, 28, 395-402.
        Gunter, B., Clifford, B. R., e Berry, C. (1980). Release from proactive interference 
with television news items: Evidence for encoding dimensions within televised news. 
Journal of Experimental Psycholog: Human Learnng and Memory, 6, 216-233.         
        Keppel, C., e Underwood, B. J. (1962). Proactive inhibition in short-term retention 
of single itens. Journal of Verbal Learning and Verbal Behavior, 1, 153-161.         
        O'Neill, M. E., Sutcliffe, J. A., e Tulving, E. (1976). Retrieval cues and release from 
proactive inhibition. American Journal of Psychology, 89, 535-543.         
        Peterson, L. R., e Peterson M. J. (1959). Short-term retention of individual itens. 
Journal of Experimental Psychology, 58, 193-198.         
        Pinto, A. C. (1984). Serial position effects in long-term memory tasks. Dissertao 
de Doutoramento apresentada  Universidade do Porto.         
        Underwood, B. J. (1957). Interference and forgetting. Psychological Review, 70, 
122-129.         
        Watkins, O. C., e Watkins, M. J. (1975). Buildup of proactive inhibition as a cue-
overload effect. Journal of Experimental Psycholog: Human Learning and Memory, 1, 442-
452.         
        Wickens, D. D. (1970). Encoding categories of words. An empirical approach to 
meaning. Psychological Review, 117, 1-15.         
        Wickens, D. D. (1972). Characteristics of word encoding. In A. W. Melton e E. 
Martin (Eds.), Coding processes in human memory. Washington, D. C.: Winston.         
        Wickens, D. D. (1973). Some characteristics of word encoding. Memory & 
Cognition, 1, 485-490.         
        Wickens, D. D., Born, D. C., e Allen, C. K. (1963). Proactive inhibition and item 
similarity in short term memory. Journal of Verbal Learning and Verbal Behavior, 2, 440-
445.         
Wingfield, A., e Byrnes, D. (1981). The psychology of human memory. New York: 
Academic Press.         
Zechmeister, E. B., e Nyberg, S. E. (1982). Human memory. Monterey, Cal.: 
Brooks/Cole.


Apndice 7

Instrues

A experincia que hoje vamos realizar  constituda por trs tarefas: Uma de 
aprendizagem e memria, outra de rapidez aritmtica e ainda uma outra de ateno.
A tarefa de aprendizagem e memria  constituda pela apresentao auditiva de 
uma trade de palavras frequentes na lngua Portuguesa, que devero ser reproduzidas cerca 
de 20 segundos depois da sua apresentao no verso da folha de respostas.
A tarefa de aritmtica consiste na apresentao auditiva de nmeros de 3 dgitos (por 
exemplo, 467) aos quais devero subtrair mentalmente 3 e escrever o resultado no reverso 
da folha de respostas (neste caso, 464). Na prova de subtraco no h transporte, ou seja, 
nunca tero que alterar o nmero das centenas e dezenas, mas apenas o das unidades. A 
subtraco e escrita do resultado dever ser feita depressa, porque o ritmo de apresentao 
dos nmeros  bastante rpido.
A tarefa de ateno compreende a busca visual de uma letra alvo (E) situada ao 
acaso num conjunto de 300 letras similares impressas numa folha M.
A experincia  constituda por 8 ensaios, agrupados em dois blocos de 4 ensaios 
cada, alm de um ensaio de treino. Cada ensaio est organizado de forma idntica ao longo 
da experincia e apresenta a seguinte estrutura: (1) Apresentao da trade de palavras a 
serem evocadas durante cerca de 3 segundos, por exemplo, escola-casa-mesa; (2) 
Apresentao da actividade aritmtica de subtraco durante cerca de 18 segundos. 0 final 
desta tarefa  assinalado por um som breve, que indica ainda o incio da fase seguinte; (3) 
Perodo de reproduo das palavras na ordem apresentada durante cerca de 10 segundos. 
Se no se recordarem da ordem em que as palavras foram apresentadas, escrevam-nas 
mesmo assim. O final desta tarefa  assinalado tambm por um som breve.
No final do 4 ensaio haver uma interrupo de cerca de dois minutos a fim de se 
realizar a tarefa de ateno.
Compreenderam? Vamos ento realizar primeiramente um ensaio de treino.

Tabela 7.1: Material usado na experincia para ilustrar a libertao da interferncia 
proactiva. (Pg. 137)


8

Efeitos da Actividade Distractiva na Curva de Posio Serial

A evocao livre de uma lista de itens verbais em nmero superior ao valor mdio 
de amplitude, produz geralmente uma funo assimtrica em forma de perfil longitudinal de 
um barco, quando os itens recordados forem representados em funo da posio na srie 
ou lista. A curva de posio serial, como  conhecida,  um fenmeno emprico de fcil 
obteno e apresenta dois efeitos importantes: Os efeitos de primazia e de recncia, os 
quais reflectem respectivamente a melhoria de evocao dos itens iniciais e finais. Esta 
experincia teve por objectivo no s obter os efeitos tpicos da curva de posio serial, mas 
tambm verificar se a presena ou ausncia de uma actividade distractiva de natureza 
aritmtica durante o intervalo de reteno afectaria ou no o efeito de recncia. Os 
resultados revelaram o desaparecimento do efeito de recncia  medida que aumentava a 
durao do intervalo de reteno, preenchido com uma actividade aritmtica. Este estudo 
refere e discute ainda o suporte experimental que os efeitos da posio serial 
proporcionaram a modelos de memria estruturais, em especial  memria a curto prazo e  
memria a longo prazo.

Introduo

Um dos fenmenos empricos mais profundamente investigados nas ltimas dcadas 
na rea da memria humana foi a funo sobre a posio serial de itens evocados livremente 
em tarefas de aprendizagem verbal. Numa experincia tpica apresenta-se ao sujeito uma 
lista de itens, geralmente compreendida entre 10 e 20. Os itens, constitudos geralmente por 
palavras, so apresentados um de cada vez e aps a apresentao do ltimo item, os sujeitos 
so solicitados a evocarem os itens na ordem que preferirem. Aps ter sido evocada a 
primeira lista, uma nova lista de itens  apresentada e em seguida evocada pelos sujeitos e 
este ciclo repete-se por vrias listas. O resultado das evocaes efectuadas pelos sujeitos, 
quando analisadas em funo da posio do item na respectiva lista, produz os efeitos da 
posio serial que se exprime por uma curva assimtrica de formato parecido com o perfil 
longitudinal de um barco, conforme se pode observar na Figura 8.1.

Os efeitos da posio serial 
Sendo a curva da posio serial um fenmeno emprico de fcil obteno, os 
investigadores tm-lhe dedicado uma grande ateno desde os tempos de Ebbinghaus 
(1885/1964). Os estudos experimentais efectuados sugerem que a curva de posio serial 
no  uma funo simples e unitria, mas contm trs componentes.
Primeiro, os itens que ocupam as posies finais da lista normalmente so melhor 
evocados do que todos os outros. Esta componente da curva  conhecida por efeito de 
recncia, devido ao facto dos itens terem sido os mais recentemente apresentados.
Segundo, os itens do incio da lista tendem a ser evocados menos vezes do que os 
itens do final da lista, mas a evocao destes itens  superior ao nvel de evocao do meio 
da lista.
Finalmente, se se excluir os efeitos de primazia e de recncia, a probabilidade de 
evocao dos restantes itens  praticamente equivalente e produz a componente plana da 
curva. Ser de referir que a evocao dos itens da zona intermdia da lista ultrapassa o que 
seria de esperar devido ao acaso.
Ebbinghaus (1885/1964) foi o primeiro investigador a referir os efeitos da posio 
serial. Quando a lista de slabas sem significado era superior a sete, Ebbinghaus observou 
que a primeira e a ltima slabas eram aprendidas mais facilmente do que os itens do meio 
d lista.
 de salientar, no entanto, que nas experincias de Ebbinghaus a prova de evocao 
serial foi utilizada em vez da prova de evocao livre, embora a curva de posio serial 
possa ser obtida nos dois procedimentos de evocao. Apesar disto, a prova de evocao 
livre passou a ser mais frequentemente usada a partir de meados do nosso sculo.

Figura 8.1. Ilustrao dos efeitos da posio seria] de primazia, recncia e zona 
intermdia com uma lista de 16 itens. (Pg.140)

No incio dos anos 60, Murdoch (1962) iniciou uma srie de investigaes a fim de 
estudar o efeito de certas variveis no formato da curva de posio serial. Este tipo de 
investigao atraiu a ateno de outros investigadores e nos anos seguintes foram publicados 
um grande nmero de estudos, relatando as variveis que afectam especificamente cada 
efeito ou segmento da funo serial.
        
        Factores determinantes da curva de posio serial 
        As investigaes efectuadas sobre a curva de posio serial revelaram a existncia 
de factores que afectam o efeito de primazia, deixando inaltervel o efeito de recncia e 
vice-versa. Entre os factores descobertos, o processo de repetio  o principal factor que 
afecta o efeito de primazia.
Tem-se verificado que o efeito de primazia  bastante reduzido ou at eliminado 
sempre que os sujeitos forem instrudos a repetirem um item de cada vez (e.g., Fischler, 
Rundus e Atkinson, 1970; Brodie e Prytulach, 1975). Neste caso, a concentrao num item 
do processo de repetio evita a formao de agrupamentos ou associaes entre itens 
adjacentes, os quais parecem contribuir para o fortalecimento do efeito de primazia. Em 
apoio desta hiptese refira-se a ausncia de efeitos de primazia nas tarefas de aprendizagem 
acidental (e.g., Marshall e Werder, 1972; Baddeley e Hitch, 1977). Na tarefa de 
aprendizagem acidental os sujeitos desconhecem que vo ser objecto de uma prova de 
memria no final da experincia e por isso no tm qualquer razo para repetirem ou 
agruparem os itens  medida que vo sendo apresentados.

No que se refere  zona intermdia da curva de posio serial foram descobertos 
vrios factores que afectam negativa ou positivamente este segmento da funo. Entre os 
factores que afectam negativamente podero referir-se:         
(1) O ritmo de apresentao dos itens; Quanto mais rpida for a apresentao dos 
itens, menor ser a percentagem de itens correctamente evocados (e.g., Murdoch, 1962; 
Bernbach, 1975; Brodie e Prytulach, 1975).  bvio que tempos de exposio rpidos 
fazem diminuir o perodo de processamento dos itens. No entanto, a velocidade de 
apresentao afecta a zona intermdia, mas deixa inaltervel o efeito de recncia.         
(2) A extenso da lista; Quanto maior for o nmero de itens da lista menor ser o 
grau de evocao (e.g., Murdoch, 1962; Postman e Phillips, 1965).         
(3) A presena de tarefas concorrentes; Quanto mais difcil ou exigente for a 
actividade em que o sujeito se encontra envolvido na altura em que os itens so 
apresentados, menor ser a percentagem de evocao (e.g., Murdoch, 1965; Baddeley e 
Hitch, 1974; Silverstein e Glanzer, 1971).
        Em contraste com estes factores, h outras variveis que facilitam o grau de 
evocao na zona intermdia da funo. Seriam de referir, por exemplo:         
        (4) O significado dos itens, de modo que quanto mais significativo for o material 
verbal apresentado, melhor ser o grau de evocao (e.g., Glanzer e Razel, 1974).         
        (5) A frequncia dos itens; Assim quanto maior for a frequncia dos itens na lngua, 
melhores sero os resultados obtidos (e.g., Sumby, 1963; Raymond, 1969).         
        (6) O relacionamento semntico, de modo que, quanto mais os itens se relacionarem 
entre si devido  pertena a uma ou mais categorias, melhores sero os resultados (e.g., 
Deese e Kaufman, 1957; Craik e Levy, 1970; Bruce e Crowley, 1970; Glanzer, Koppenaal, 
e Nelson, 1972).         
        (7) O nvel de codificao; assim quanto mais profunda for a codificao e a anlise 
dos itens, melhor ser o grau de evocao da zona intermdia (e.g., Seamon e Murray, 
1976).         
        (8) A similaridade acstica. Esta varivel tem um papel positivo nas provas de 
evocao livre e um papel inibidor nas provas de evocao seriada (e.g., Craik e Levy, 
1970; Bruce e Crowley, 1970; Watkins, Watkins e Crowder, 1974).         
        (9) A idade dos sujeitos. Verificou-se por exemplo que o nvel de resultados  
superior em jovens adultos do que em pessoas idosas (e.g., Arenberg, 1976; Wright, 1982; 
Pinto, 1984,1990).

No que se refere ao efeito de recncia, os principais factores identificados foram os 
seguintes:         
(1) A actividade distractiva intercalar; Se for solicitado aos sujeitos, entre o final da 
apresentao de uma lista de itens e o comeo do perodo de evocao, a realizao de uma 
actividade distractiva intercalar durante 10 a 30 segundos, o efeito de recncia ser bastante 
reduzido ou at eliminado (e.g., Postman e Phillips, 1965; Glanzer e Cunitz, 1966; 
Baddeley e Hitch, 1977).         
(2) A ordem de evocao dos itens; O efeito de recncia  tambm reduzido quando 
a ordem de evocao deixa de ser livre e segue a ordem da apresentao inicial, como 
acontece no caso da evocao serial. Neste caso, os itens que na lista foram apresentados 
em ltimo lugar sero evocados tambm em ltimo lugar (e.g., Tulving e Arbuckle, 1963; 
Watkins e Watkins, 1974; Goodwin, 1976; Dalezinan, 1976).         
(3) A modalidade sensorial; Verificou-se que a apresentao auditiva de itens produz 
um efeito de recncia superior  apresentao visual (e.g., Murdoch e Walker, 1969; 
Gardiner e Gregg, 1979; Glenberg, 1984).

Em resumo, o empenho posto pelos investigadores durante vrios anos nos factores 
determinantes da curva de posio serial foi certamente devido  crena de que a funo 
serial representava um instrumento importante nas mos dos psiclogos para analisar a 
memria humana (e.g., Lindsay e Norman, 1977, p. 341).
Uma das teorias propostas para explicar os efeitos da posio serial foi a teoria das 
associaes remotas. Segundo esta teoria os itens de posio intermdia seriam objecto de 
um maior nmero de associaes, que por sua vez produziriam um maior grau de 
interferncia. Uma consequncia desta teoria era que o efeito de posio serial deveria ser 
perfeitamente simtrico, ou seja, o efeito da primazia e o efeito de recncia seriam 
semelhantes. No entanto, tal no se verifica j que a curva  geralmente assimtrica.
Uma outra explicao para o efeito da posio serial  a teoria da interferncia que 
postula que as palavras precedentes e consequentes interferem na memorizao das 
palavras da zona intermdia da lista. Esta teoria apesar de ser mais ampla do que a anterior, 
tambm partilha a previso de uma curva simtrica.
Uma outra teoria refere os efeitos contextuais do incio e do final da lista. O contexto 
de aquisio dos primeiros itens da lista seria muito mais especfico do que a aquisio dos 
itens intermdios e o mesmo voltaria a ocorrer com os itens finais. O incio e o final de cada 
lista seriam elementos de descontinuidade marcantes da actividade cognitiva do sujeito. A 
especificidade do contexto aquisicional dos extremos da lista facilitaria a elaborao de 
pistas ou indicadores que seriam usadas na altura da evocao (e.g., Pinto, 1984, p. 148-
162).
Alm destas interpretaes, a curva de posio serial foi concebida como um suporte 
experimental do modelo de memria de registo duplo.
        A funo serial como suporte de um modelo de memria de registo duplo Nos 
estudos referidos anteriormente verificou-se que havia variveis que afectavam um ou dois 
segmentos da curva de posio serial, mas deixavam os restantes segmentos inalterveis. 
Por exemplo, a presena de uma actividade distractiva de 30 segundos, intercalada entre o 
final da lista e o incio do perodo de evocao, eliminava o efeito de recncia, mas deixava 
inaltervel o efeito de primazia e a zona intermdia. No sentido de se encontrar uma 
explicao para a eliminao do efeito de recncia, alguns investigadores formularam a 
hiptese de que os sujeitos tornavam-se progressivamente mais conscientes da aproximao 
do final da lista, procurando ento manter os itens finais num registo provisrio de modo a 
esvazi-lo logo que o perodo de evocao surgisse.

Figura 8.2. A relao da MCP e a MLP com as zonas especficas da curva de 
posio serial. (Pg. 144)

Quando Postman e Phillips (1965) e Clanzer e Cunitz (1966) demonstraram que a 
presena de uma actividade distractiva durante o perodo de reteno eliminava o efeito de 
recncia, pareceu ser um passo lgico propor que o efeito de primazia e o efeito de 
recncia reflectiriam os contedos de dois registos de memria diferentes. Neste sentido, o 
efeito de recncia seria atribudo a um registo provisrio de acesso imediato, que se chamou 
memria a curto prazo, enquanto que os restantes itens eram supostamente evocados a partir 
de um registo mais permanente e de capacidade muito mais ampla, a que se chamou 
memria a longo prazo. Os tipos de memria relacionados com as componentes da curva de 
posio serial estariam ilustrados na Figura 8.2.
A distino entre memria a curto prazo (MCP) e memria a longo prazo (MLP) foi 
primeiramente enunciada por Flebb (1949) e Broadbent (1958). No entanto a eventual 
existncia da memria a curto prazo s obteve apoio experimental com os estudos de 
Conrad (1957), Brown (1958) e Peterson e Peterson (1959). Estes estudos iniciais assim 
como outros publicados na dcada de 1960 culminaram em dois dos mais pormenorizados e 
influentes modelos de memria de registos mltiplos, que at ento tinham sido formulados, 
os modelos de Waugh e Norman (1965) e o de Atkinson e Shiffrin (1968).

A principal caracterstica destes modelos de memria era o pressuposto de que a 
informao obtida pelo sistema sensorial seria rapidamente transferida para um registo de 
memria a curto prazo, onde a informao poderia ser mantida por um curto perodo de 
tempo por meio do processo de repetio ou ento substituda por outra informao que 
acabasse de dar entrada. Aplicando este modelo ao que acontece na curva de posio serial, 
pode-se supor que,  medida que a nova informao chega  MCP, a informao que j l 
reside mantm-se at ser deslocada por nova informao.
Portanto, numa tarefa de evocao livre, os itens apresentados imediatamente antes 
do perodo de evocao e supostamente registados na MCP seriam facilmente evocados, 
devido ao facto de ainda no terem sido substitudos por outros posteriormente 
apresentados. Por outro lado, os itens apresentados inicialmente permaneceriam por um 
perodo mais prolongado, devido a serem objecto de repeties sucessivas, o que permitiria 
no s uma disponibilidade mais prolongada, como tambm a transferncia para um registo 
mais permanente, a memria a longo prazo.
        As provas experimentais mais convincentes em apoio dum modelo de memria de 
registo duplo e baseadas na curva de posio serial foram sugeridas pela investigao de 
Craik (1970) num artigo sobre o efeito de recncia negativo. A experincia consistiu na 
apresentao de 10 listas de 15 palavras cada. No final da apresentao de cada lista 
procedia-se a uma evocao livre imediata. A anlise dos resultados revelou os habituais 
efeitos de recncia para este gnero de experincias. No entanto, quando o perodo de 
evocao da dcima lista tinha terminado, Craik pediu inesperadamente aos sujeitos para 
evocarem o maior nmero possvel de palavras de todas as listas. Os resultados deste teste 
final de evocao livre revelaram um efeito de recncia negativo na prova final de 
evocao livre. Isto , as palavras apresentadas nas ltimas cinco posies seriais de cada 
lista, que tinham produzido um efeito de recncia positivo na prova de evocao livre 
imediatfl, revelaram um efeito de recncia negativo na evocao livre final.
Craik (1970) sugeriu que estes resultados podiam servir de apoio experimental ao 
modelo de memria de registo duplo. Segundo Craik, logo aps a apresentao de cada 
lista, os ltimos itens apresentados encontravam-se num registo provisrio, a memria a 
curto prazo. No incio do perodo de evocao livre imediata, os itens finais eram 
expelidos rapidamente do registo de MCP, de modo que o processamento a que 
poderiam estar sujeitos era interrompido, ficando apenas armazenado um trao bastante 
dbil na MLP. Deste modo seria de esperar um efeito de recncia positivo numa prova de 
evocao livre imediata quando a recuperao fosse efectuada a partir da MCP e um efeito 
de recncia negativo numa prova de evocao livre, quando a recuperao se realizava a 
partir da MLP.*

* Partes desta Introduo foram publicados em Pinto (1984, 1986).

Experincia

A experincia a seguir descrita teve por objectivo determinar os efeitos da curva de 
posio serial numa prova de evocao livre e por outro lado verificar o efeito da presena 
ou ausncia de uma actividade distractiva intercalada de natureza aritmtica na zona de 
recncia.

Mtodo 
Sujeitos: A amostra foi constituda por 47 estudantes de psicologia da Universidade 
do Porto inscritos no ano lectivo de 1988/89. Grande nmero dos sujeitos pertenciam ao 
grupo etrio dos 18 - 21 anos, sendo a maioria do sexo feminino.
Material: Foram seleccionadas cinco listas de palavras mediamente frequentes na 
lngua Portuguesa. Uma das listas serviu de treino e as restantes quatro listas de 16 palavras 
foram utilizadas na parte experimental. Foram ainda seleccionados vrias sries de nmeros 
de trs dgitos para preencher o intervalo de reteno dos grupos experimentais. Veja-se 
Tabela 8.1, pg. 157.
Planeamento: A varivel independente manipulada foi o intervalo de reteno, que 
se seguiu  apresentao da ltima palavra de cada lista. Assim no Grupo de Controle, o 
intervalo de reteno foi nulo (zero segundos); no 12 Grupo Experimental, o intervalo de 
reteno foi de 5 segundos; no 2Q Grupo Experimental, o intervalo de reteno foi de 20 
segundos. O intervalo de reteno dos Grupos Experimentais foi preenchido com uma 
tarefa aritmtica de subtraco de 3 a cada um dos nmeros de trs dgitos apresentados, 
que no 1 Grupo foram 2 nmeros e no 2 Grupo foram oito. Os sujeitos foram distribudos 
aleatoriamente pelos trs grupos. A ordem de apresentao das quatro listas foi 
contrabalanada pelos sujeitos de cada Grupo.
A varivel dependente registada foi a percentagem de palavras correctamente 
evocadas em cada uma das 16 posies seriais. Cada grupo realizou um ensaio de treino e 
quatro ensaios experimentais. As palavras e os nmeros foram apresentados auditivamente 
ao ritmo de um item cada 2,5 segundos numa voz masculina. O perodo de evocao foi de 
60 segundos.
Procedimento: A experincia foi realizada com pequenos grupos de sujeitos.
        No incio todos os sujeitos foram informados de que a experincia a realizar era de 
aprendizagem e memria e consistia na apresentao de listas de 16 palavras a que 
deveriam prestar ateno, pois iriam ser solicitados a evoc-las posteriormente numa ordem 
livre. Os dois grupos experimentais foram ainda informados e instrudos a respeito da 
natureza da actividade distractiva que se seguia ao final de cada lista.
Nos grupos experimentais, aps a apresentao da ltima palavra da lista, era 
emitido um sinal sonoro indicando o incio da actividade distractiva. Esta consistia em 
subtrair 3 a cada um dos nmeros apresentados. Em seguida era emitido um novo sinal que 
marcava o incio do perodo de evocao livre. Todo este processo repetia-se de forma 
idntica em cada um dos restantes ensaios. No grupo de controle, como no havia 
actividade distractiva, o sinal sonoro apresentado no final de cada lista era sempre indicativo 
do incio do perodo de evocao.
Salvo as diferenas apontadas, os grupos experimentais e o grupo de controle no 
diferiam no procedimento experimental em mais nenhum outro aspecto.

Apresentao e anlise dos resultados

Os resultados obtidos em cada uma das 16 posies seriais e para cada um dos trs 
grupos esto expostos na Figura 8.3. Como se pode observar a interposio de uma 
actividade distractiva a seguir  apresentao da ltima palavra da lista fez diminuir bastante 
o efeito de recncia no grupo experimental 5 segundos e provocou o desaparecimento do 
efeito de recncia no grupo experimental 20 segundos. Verificou-se ainda que o efeito de 
primazia e a zona intermdia da curva (assmptota) mantiveram-se praticamente inalterveis 
nos trs Grupos.
Nesta experincia obteve-se ainda a mdia de palavras correctamente evocadas em 
cada uma das quatro listas para cada um dos trs grupos. Os resultados esto expostos no 
Quadro 8.1. Uma anlise do Quadro 8.1 revela um decrscimo de palavras correctamente 
evocadas nas mdias de todos os grupos da primeira para a segunda lista. A mdia conjunta 
das listas 2, 3 e 4  de 5,7 palavras e este valor  bastante inferior  mdia da primeira lista 
(7,3). Esta diminuio ilustra os efeitos do desenvolvimento da interferncia proactiva. 
Segundo a teoria da interferncia os itens das listas antecedentes interferiram ou na 
aquisio ou na evocao dos itens das listas posteriores, quer competindo com eles, quer 
provocando a sua desaprendizagem.

Figura 8.3. Efeitos de perodos variveis de actividade distractiva (0, 5 e 20 
segundos) na curva de posio serial ao nvel da zona de recncia. (Pg. 149)

Discusso e concluso

Postman e Phillips (1965) e Glanzer e Cunitz (1966) realizaram estudos que 
demonstraram que a presena de uma actividade distractiva durante o perodo de reteno 
eliminava o efeito de recncia. Os resultados obtidos nesta experincia demonstraram que a 
interposio de uma actividade distractiva com a durao de 5 a 20 segundos no fim da 
apresentao de uma lista de palavras afectou o efeito de recncia, mas no o efeito de 
primazia.
O efeito de recncia foi considerado nos anos 60 e parte dos anos 70 como a 
expresso emprica da memria a curto prazo. Por outro lado, o efeito de primazia e a zona 
intermdia da funo reflectiriam um registo mais permanente e de capacidade mais ampla, 
a memria a longo prazo. Veja-se a ilustrao da Figura 8.2.

Quadro 8.1: Nmero mdio de palavras correctamente evocadas em cada uma da   
quatro listas apresentadas e para cada um dos trs Grupos. (Pg. 150)

No incio dos anos 70, o efeito de recncia no era a nica justificao para a diviso 
da memria humana em dois ou mais registos, como a MCP e a MLP. Razes de ordem 
neurofisiolgica, entre outras, tambm a justificavam. No entanto, o efeito de recncia era 
um fenmeno facilmente demonstrvel empiricamente, tendo-se mantido durante vrios 
anos como o principal suporte experimental da MCP. A pouco e pouco, vrios 
investigadores foram verificando que no havia uma grande correspondncia entre os 
valores obtidos em provas consideradas tipicamente de MCP e o efeito de recncia. Estas 
dificuldades para a teoria de memria de registo duplo s foram tidas verdadeiramente em 
conta, quando se descobriu um efeito de recncia em tarefas de MLP.
Um estudo de Bjork e Whitten (1974) foi considerado como o ponto de partida na 
mudana de posio dos investigadores sobre o efeito de recncia como suporte da MCP. 
Estes investigadores utilizaram uma tarefa de aprendizagem verbal que veio a ser conhecida 
posteriormente por tarefa de distraco intercalada. A tarefa consistia na apresentao de 13 
pares de palavras durante dois segundos cada par. Antes ou depois de cada par de itens ser 
apresentado, os sujeitos tinham que efectuar uma tarefa intercalada de natureza aritmtica e 
com funes distractivas durante 12 segundos. Aps a apresentao da actividade 
intercalada que se seguia ao dcimo terceiro e ltimo par, os sujeitos deveriam evocar os 
itens previamente apresentados numa ordem qualquer.
A experincia inclua duas condies. Na 1 condio, a actividade intercalada, 
apresentada aps o dcimo terceiro par, tinha a durao de 12 segundos, finda a qual se 
iniciava o perodo de evocao; na 2 condio a actividade intercalada tinha a durao de 
12 + 30 segundos num total de 42 segundos. Inesperadamente, os resultados obtidos 
indicaram efeitos de recncia positivos nas duas condies.
        Como o intervalo de reteno na segunda condio era de 42 segundos, e como este 
intervalo de reteno excederia a durao da informao na MCP, sups-se que o efeito de 
recncia obtido seria talvez devido a processos relacionados com a memria a longo prazo.
Estes resultados foram considerados surpreendentes, j que experincias anteriores 
tinham demonstrado (do mesmo modo que os resultados desta experincia) que a presena 
de uma actividade distractiva durante trinta segundos era suficiente para anular o efeito de 
recncia em tarefas de evocao livre de itens apresentados.
A experincia de Bjork e Whitten (1974) revelou que era possvel obter tambm um 
efeito de recncia numa tarefa de evocao livre de itens, intercalados com uma actividade 
distractiva, mesmo que o intervalo de reteno fosse precedido por uma actividade 
distractiva durante 42 segundos. Acrescente-se ainda que o efeito de recncia obtido aps 
42 segundos foi tambm obtido noutras experincias com intervalos de reteno de um dia 
e de duas semanas (e.g., Glenberg et al., 1983).
Os resultados obtidos por Bjork e Whitten (1974) levantam o problema de se saber 
se os efeitos de recncia por eles obtidos seriam da mesma natureza ou no dos resultados 
obtidos em tarefas semelhantes s da experincia deste estudo. Por outras palavras, ser 
verdade que os efeitos de recncia obtidos em tarefas de apresentao contnua de itens 
(e.g., tarefa deste estudo) seriam o resultado dos mesmos processos e estratgias usadas 
pelos sujeitos em tarefas de distraco intercalada, (e.g., tarefa de 13jork e Whitten (1974)?
Refira-se, no entanto, que as experincias efectuadas com tarefas de distraco 
intercalada revelaram que o efeito de recncia s era obtido se o valor do intervalo de 
reteno se situasse dentro de certos limites relativamente ao intervalo de inter-
apresentao dos itens a serem evocados. Num exemplo, 13jork e Whitten (1974) referem 
que se for apresentada uma lista de palavras por dia, durante uma semana, a evocao das 
sete listas de palavras ao oitavo dia indicaria um efeito de recncia, mas tal j no 
aconteceria se a evocao se efectuasse ao fim de um ms. Com um intervalo de reteno 
de um dia, as listas de palavras constituiriam uma srie bem ordenada do ponto de vista do 
sujeito, mas tal j no aconteceria com um intervalo de reteno de um ms.
        Se o efeito de recncia no for a expresso emprica da memria a curto prazo, 
ento o que  que significa? Ser que os efeitos de recncia obtidas nas duas tarefas sero 
da mesma natureza ou no.
Os investigadores ainda no tm uma resposta definitiva para este problema. Parece 
no entanto pouco provvel que a curva de posio serial continue a servir de suporte a um 
modelo de memria de registos mltiplos, como aconteceu durante os anos 60 e 70. Por 
outro lado, o modelo de que curva de posio serial constitua a melhor tcnica disponvel 
para separar os efeitos da MCP dos efeitos e operaes da MLP j no  actualmente to 
atractivo devido  formulao alternativa de modelos de memria unitrios (e.g., Craik e 
Lockhart (1972); Cermak e Craik (1979); Craik e Tulving (1975).

Bibliografia citada e recomendada

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Apndice 8

Instrues

Grupos Experimentais: A experincia que hoje vamos realizar  constituda por duas 
tarefas: Uma de aprendizagem e memria e outra de rapidez aritmtica. A tarefa de 
aprendizagem e memria consiste na apresentao de vrias listas de 16 palavras, 
mediamente frequentes na lngua Portuguesa, a que devero prestar ateno porque iro ser 
solicitados a evoc-las posteriormente. A evocao das palavras  livre. Isto significa que a 
recordao das palavras pode ser feita na ordem que julgarem mais favorvel. A 2 tarefa 
tem por objectivo avaliar a rapidez aritmtica no domnio da subtraco. A este propsito 
sero apresentados vrios nmeros de trs dgitos a que devero mentalmente subtrair trs e 
escrever o resultado no reverso da vossa folha de respostas. A tarefa aritmtica  realizada 
no final da apresentao das palavras em cada lista. H um sinal sonoro que indica o final da 
lista e o comeo da actividade subtractiva e um outro sinal que indica o final desta actividade 
e o comeo do perodo de evocao. O perodo de evocao tem a durao de 60 segundos, 
durante o qual devero escrever o maior nmero de palavras anteriormente ouvidas no 
verso da vossa folha de respostas. Antes da experincia comear propriamente vamos 
realizar um ensaio de treino. Se tiverem dvidas, apontem-nas no intervalo que se segue ao 
ensaio de treino. Compreenderam? Ento vamos comear.
Grupo de Controle: A experincia que hoje vamos realizar  constituda por uma 
tarefa de aprendizagem e memria. Esta tarefa consiste na apresentao de vrias listas de 
16 palavras, mediamente frequentes na lngua Portuguesa, a que devero prestar ateno 
porque iro ser solicitados a evoc-las posteriormente. A evocao das palavras  livre. Isto 
significa que a recordao das palavras pode ser feita na ordem que julgarem mais 
favorvel. H um sinal sonoro que indica o final da lista e o comeo do perodo de 
evocao.
O perodo de evocao tem a durao de 60 segundos, durante o qual devero 
escrever o maior nmero de palavras anteriormente ouvidas no verso da vossa folha de 
respostas. Antes da experincia comear propriamente vamos realizar um ensaio de treino. 
Se tiverem dvidas, apontem-nas no intervalo que se segue ao ensaio de treino. 
Compreenderam? Ento vamos comear.

        Tabela 8.1. Listas de 16 palavras e sries de nmeros apresentados na experincia 
realizada. (Pg.157)

9

Efeitos da Repetio em Provas Evocao e Reconhecimento 
numa Tarefa de Aprendizagem Acidental

A repetio  um dos processos mentais mais frequentemente usados para aprender 
e recordar. No entanto a repetio no  um fenmeno simples. Apresenta-se sob vrias 
formas e parece ter efeitos diferentes na reteno a curto e longo prazo. O principal 
objectivo deste estudo foi tentar avaliar o efeito da repetio simples no grau de reteno 
numa tarefa de aprendizagem acidental a partir de provas de evocao e de 
reconhecimento. Para o efeito foi apresentada uma lista de 45 palavras composta por mini-
listas de 13 palavras cada, comeadas por B, por M e por outras consoantes diversas. A 
tarefa dos sujeitos consistia na repetio silenciosa de cada palavra B at ser apresentada a 
prxima palavra B. Entre outros aspectos os resultados indicaram que o desempenho de 
memria foi sempre superior nas listas de palavras repetidas em relao s listas no 
repetidas, quer em provas de evocao quer em provas de reconhecimento, assim como em 
intervalos de reteno imediatos ou retardados. Os resultados deste estudo so discutidos no 
mbito dos resultados obtidos noutras experincias similares.

Introduo

Quando se pretende memorizar alguma coisa, quais so os processos mentais mais 
apropriados para o conseguir? Cada um de ns tem a experincia de que se repetir vrias 
vezes o mesmo material ou tarefa, a recordao posterior desse material costuma ser 
melhor. Se se generalizar este principio poder-se-ia dizer que  medida que a repetio ou o 
treino aumenta maior seria a habilidade para conduzir um carro, escrever  mquina ou 
preparar uma disciplina para exame. Neste sentido a repetio  um processo mental que 
pode ser usado proveitosamente para melhorar o grau de reteno.
Na sequncia da reflexes dos filsofos associacionistas dos sculos XVII e XVIII, 
que consideraram a repetio como o principal factor na aquisio de associaes (e.g., 
preto - branco, co - gato, pai - me, etc.) Ebbinghaus (1885/1964) efectuou uma anlise 
experimental dos efeitos da repetio no grau de reteno. Numa experincia efectuada, 
Ebbinghaus seleccionou listas de 16 slabas sem significado e em seguida leu-as 0, 8, 16, 
24, 32, 42, 53 e 64 vezes seguidas num determinado dia e 24 horas depois tentou 
reaprender as listas anteriormente repetidas. Ao representar graficamente o tempo 
dispendido no segundo dia com a reaprendizagem das listas em funo do nmero de 
repeties efectuadas no dia anterior, Ebbinghaus descobriu uma funo linear negativa. 
Isto , quanto maior fosse o nmero de repeties efectuadas num dia, menos tempo era 
preciso para reaprender a lista no dia seguinte.
Ebbinghaus (1885/1964) descobriu assim uma relao bem simples entre a 
quantidade do material aprendido e o tempo dedicado  aprendizagem. Esta relao veio a 
ficar conhecida por hiptese de tempo total.
Na aprendizagem de listas de slabas sem significado, Ebbinghaus limitou-se a 
repetir as slabas sem efectuar qualquer esforo no sentido de as associar entre si dentro da 
mesma lista. Este tipo de aprendizagem, baseado exclusivamente na repetio simples, veio 
a ficar conhecido por aprendizagem de cor. Na aprendizagem de cor o sujeito reproduz 
frequentemente um item na forma em que foi apresentado sem lhe acrescentar nada, isto , 
sem efectuar associaes, agrupamentos ou categorizaes. Este tipo de aprendizagem. 
caracterizou a maior parte dos estudos que se efectuaram na primeira metade do sc. XX.
Em contraste com Ebbingliaus (1885/1964) e a tradio por ele iniciada, verificou-
se, a partir da segunda metade deste sculo, um interesse pelos diversos tipos de repetio e 
o seu efeito no grau de reteno.
Neste sentido Craik e Lockhart (1972) efectuaram uma primeira distino entre dois 
tipos de repetio: A repetio simples e a repetio associativa. A repetio simples teria 
por objectivo principal manter a disponibilidade dos itens na memria.  o que aconteceria, 
por exemplo, no intervalo de tempo que medeia entre ler o nmero na lista telefnica e o 
final da aco de discar o nmero. Este tipo de repetio tambm  conhecido por 
manuteno de informao.
A repetio associativa envolveria uma anlise mais profunda dos itens a serem 
recordados, procurando estabelecer-se relaes e associaes entre os vrios estmulos 
percebidos ou entre estes e a informao anteriormente memorizada. Assim, ao repetir-se 
de uma forma associativa o nmero de telefone da Faculdade de Psicologia do Porto (e.g., 
315 007), poder-se-ia dividir os seis dgitos em dois grupos de trs e associar o segundo 
grupo de dgitos  conhecida srie de filmes de James Bond. Este tipo de repetio  
tambm conhecido por assimilao ou elaborao de informao.
Tm sido realizados estudos no sentido de se demonstrar que a repetio simples 
no produz um aumento significativo no grau de reteno a longo prazo. Estes estudos 
podem agrupar-se segundo a metodologia usada em estudos de casos, estudos descritivos e 
estudos experimentais. Um exemplo de cada ser apresentado a seguir.
O estudo de um caso foi efectuado pelo professor Sanford com ele prprio (citado 
por Neisser, 1982, p. 176-177). O professor Sanford foi um distinto psiclogo das primeiras 
geraes de psiclogos americanos. Um dia ps a si prprio a seguinte questo: Ser que a 
repetio tem um efeito duradouro? Sanford lia todas as manhs um conjunto de vrias 
preces religiosas, de forma maquinal e quase automtica. Esta prtica foi realizada ao longo 
de 25 anos com pequenas interrupes, tendo sido efectuadas na pior das hipteses pelo 
menos cinco mil repeties das vrias preces. Sanford um dia perguntou a si prprio se um 
nmero to elevado de repeties teria facilitado a memorizao das referidas preces?
        Quando o professor Sanford efectuou uma prova de memria tentando reproduzir 
por escrito as preces que costumava ler quase diariamente, verificou que era apenas capaz 
de evocar correctamente a Orao do Senhor. Para todas as outras preces necessitou de 
pequenas ajudas. Este caso revela que a leitura de preces, repetida talvez mais de cinco mil 
vezes, no foi suficiente para se conseguir uma memorizao perfeita.
O estudo descritivo foi efectuado por Bekerian e Baddeley (1980) sobre os efeitos 
de uma campanha de publicidade saturante realizada pela BBC em 1978, na altura em que 
esta estao foi obrigada a alterar o comprimento de onda das suas quatro estaes 
radiofnicas. A fim de informar os radio-ouvintes da mudana de comprimento de onda, a 
BBC levou a efeito uma campanha publicitria durante dois meses, ao longo dos quais os 
programas eram regularmente interrompidos para dar informaes pormenorizadas sobre os 
novos comprimentos de onda. Os programas foram ainda suplementados com slogans e 
excertos musicais apropriados.
Bekerian e Baddeley (1980) procuraram avaliar o alcance desta campanha 
publicitria, interrogando cerca de 50 pessoas na rea de Cambridge. Aps uma pequena 
entrevista, onde se verificou que todas as pessoas da amostra teriam escutado os anncios 
para cima de um milhar de vezes nas ltimas semanas, os sujeitos foram convidados a 
efectuar uma prova de memria. A prova consistiu em indicar quais seriam os novos 
comprimentos de onda de cada uma das quatro estaes. A resposta podia ser dada tanto em 
termos numricos, indicando o nmero do comprimento de onda respectivo, como em 
termos espaciais, apontando num mostrador de rdio desenhado numa folha o local 
aproximado da futura estao.
Os resultados revelaram que apenas cerca de 25% dos sujeitos avanaram com uma 
resposta numrica, embora a maioria destas respostas estivesse errada. No que se refere  
representao espacial, houve de facto um maior nmero de tentativas de resposta, embora 
as respostas certas no fossem superiores ao que seria de esperar pelo acaso. Apesar disto, 
84% dos sujeitos sabiam o dia exacto da mudana de comprimento de onda das estaes de 
rdio.
Face a um padro de resultados to pobres, os autores interrogaram-se naturalmente 
sobre as possveis explicaes. Em princpio poder-se-ia pensar que um milhar de ensaios 
seria mais do que suficiente para comunicar a algum a informao sobre os novos 
comprimentos de onda. Como na realidade no foi suficiente,  possvel que um 
desempenho to pobre esteja relacionado com o uso da repetio simples. Este tipo de 
repetio no assegura s por si uma boa recordao futura, sendo crucial o modo como a 
informao  processada.
Um estudo experimental a referir foi realizado por Craik e Watkins (1973). Neste 
estudo foram apresentadas visualmente 12 listas de 12 palavras cada. Ao lerem cada palavra 
os sujeitos deveriam repeti-la de forma audvel vrias vezes. Os sujeitos foram ainda 
instrudos de que as quatro ltimas palavras da lista eram particularmente importantes e por 
isso seriam apresentadas em maisculas. No final de cada lista apresentada havia duas 
provas de evocao livre: Uma prova era efectuada imediatamente a seguir  12 palavra e a 
outra 20 segundos depois. Este intervalo de reteno de 20 segundos no era preenchido, 
de modo que os sujeitos tinham a possibilidade de efectuar repeties das palavras da lista. 
No final da apresentao das doze listas, foi apresentada uma terceira prova de memria, 
solicitando-se uma evocao do maior nmero de palavras de todas as listas apresentadas na 
sesso.
Os resultados das duas provas de evocao no final de cada lista revelaram uma 
curva de posio serial tpica, em que as ltimas palavras apresentadas eram melhor 
evocadas do que as do meio da lista. Assim, o desempenho elevado das ltimas palavras da 
lista estava directamente associado com o nmero de repeties efectuadas.
Em contraste com as provas de evocao no final de cada lista, os resultados da 
evocao final de todas as listas indicaram que, apesar do nmero de repeties na zona de 
recncia ter sido elevado, a percentagem de evocaes correctas na zona de recncia foi a 
mais baixa das trs componentes da curva de posio serial. Este estudo parece demonstrar 
que a repetio simples tem um papel positivo na reteno a curto prazo (provas de 
evocao imediata e retardada de 20 seg.), mas no tem qualquer efeito na reteno a longo 
prazo (evocao final de todas as palavras das doze listas).
O caso do professor Sanford, o estudo descritivo de Bekerian e Baddeley (1980) e o 
estudo de Craik e Watkins (1973) parecem revelar que a simples repetio no facilita a 
reteno a longo prazo. No entanto em todas estas situaes os sujeitos desconheciam que 
iam ser objecto de uma prova de memria posterior. Se o soubessem, a repetio simples 
teria algum efeito? De acordo com um estudo de Rundus (1977) a resposta parece ser 
positiva.
Rundus (1977) efectuou uma experincia usando o paradigma de Brown-Peterson 
de forma invertida. Neste paradigma, um trigrama de consoantes era inicialmente 
apresentado, logo seguido por um intervalo de reteno preenchido com a contagem 
retrgrada de um nmero de trs dgitos. 0 ensaio terminava com a evocao do trigrama 
previamente apresentado. Na experincia de Rundus (1977) o trigrama foi substitudo por 
um nmero de trs dgitos, o intervalo de reteno foi preenchido por uma palavra em vez 
de um nmero, que os sujeitos deveriam repetir sucessivamente durante 4, 8 e 12 segundos 
conforme as condies. No final do intervalo de reteno, os sujeitos deveriam evocar o 
nmero inicial.
No incio da experincia um grupo de sujeitos foi informado de que iria ser sujeito a 
uma prova de memria no final da experincia sobre todas as palavras que viessem a ser 
repetidas (aprendizagem intencional). Havia um segundo grupo de sujeitos para quem o 
teste final de memria era uma tarefa inesperada (aprendizagem acidental). Os resultados do 
grupo de aprendizagem intencional indicaram uma relao directa entre a extenso do 
intervalo de reteno e a percentagem de evocaes correctas. Em contraste, o grupo de 
aprendizagem acidental no revelou qualquer melhoria em funo do nmero de repeties 
efectuadas nos intervalos de reteno mais curtos ou mais longos.
Os resultados da experincia de Rundus (1977) parecem sugerir que a repetio 
simples pode ter um efeito positivo na reteno a longo prazo, no caso dos sujeitos saberem 
antecipadamente que vo ser sujeitos a uma prova de memria.
Apesar de tudo, poder-se-ia argumentar que o tipo de repetio usado na condio 
de aprendizagem intencional no era equivalente ao tipo de repetio empregue na 
condio de aprendizagem acidental. Enquanto que na segunda condio era possvel que 
os sujeitos tivessem realizado uma repetio puramente simples, na primeira condio no  
possvel excluir a hiptese de que a repetio efectuada fosse mais elaborada e de natureza 
associativa.
Apesar das mltiplas experincias realizadas ainda no est totalmente esclarecido 
qual o grau de influncia que a repetio simples, ou aprendizagem de cor, ter na reteno 
a longo prazo.

Experincia

A experincia que a seguir se descreve pretende avaliar os possveis efeitos da 
repetio simples em provas de memria realizadas imediatamente ou aps um intervalo de 
reteno de 8 minutos. Objectivos suplementares da experincia so a anlise dos efeitos de 
repetio nas provas de memria seleccionadas, assim como os efeitos da presena ou 
ausncia de indicadores na altura da recuperao sobre a presena de uma mini-lista de 
palavras especfica.
Neste estudo foi apresentado aos sujeitos uma lista de 45 palavras formada por 
quatro mini-listas: Uma mini-lista de 13 palavras comeadas por B; uma mini-lista de 13 
palavras comeadas por M; ainda uma outra mini-lista de 13 palavras comeadas por 
consoantes diversas X, e finalmente uma pequena lista-tampo A de seis palavras 
comeadas por vogais, sendo trs destas palavras apresentadas no princpio e as restantes 
trs no final da lista. As trs mini-listas B, M e X de 13 palavras cada estavam 
distribudas entre as posies seriais 4 e 4251 e segundo uma ordem que obedecia ao 
princpio de que o nmero de palavras intercaladas entre duas palavras-13 no excedesse 3.
A tarefa dos sujeitos consistia em repetir silenciosamente cada palavra B at ser 
apresentada a prxima palavra, comeada tambm por B. Nesse momento deveriam 
abandonar a repetio de uma e comear a repetio da nova palavra B e assim 
sucessivamente para as restantes palavras B.
O objectivo desta experincia foi triplo: Primeiro, saber se a reteno da lista de 
palavras B seria superior  reteno da lista de palavras M que no foram objecto de 
qualquer tipo de repetio. Segundo, verificar se os efeitos da repetio teriam efeito na 
reteno a curto e a longo prazo? Terceiro, verificar se as eventuais diferenas de reteno 
entre as mini-listas B e M seriam ou no anuladas a partir de instrues de evocao 
assinalando aos sujeitos a existncia de uma mini-lista de palavras M.

Mtodo 
Sujeitos: A amostra foi constituda por 42 estudantes de psicologia da Universidade 
do Porto inscritos no ano lectivo de 1988/89. Grande nmero dos sujeitos pertenciam ao 
grupo etrio dos 18 - 21 anos, sendo a maioria do sexo feminino.
Material: Uma lista de 45 palavras foi preparada tendo sido seleccionadas 13 
palavras comeadas por B, 13 palavras comeadas por M, 13 palavras comeadas por 
vrias consoantes X, sendo todas as consoantes diferentes entre si, e ainda uma lista de 
seis palavras-tampo, comeadas por vogais diferentes, excepto uma. As mini-listas de 13 
palavras B, M e X foram misturadas ao acaso e apresentadas auditivamente a um 
ritmo de uma palavra cada quatro segundos. As seis palavras-tampo foram apresentadas, 
metade no principio e a outra metade no final da lista, a fim de absorver os efeitos de 
primazia e de recncia, que habitualmente ocorrem em tarefas de evocao livre. Neste 
sentido pressupunha-se que a recuperao das palavras proviria exclusivamente da memria 
a longo prazo.* Veja-se Tabela 9.1, pg. 173.

* Veja-se a propsito a Figura 8.2, pgina 144, do estudo anterior.

Planeamento: As variveis independentes manipuladas nesta experincia foram: 
        (1) O intervalo de reteno com duas condies: Imediato e retardado (zero e oito 
minutos aps a apresentao da lista de 45 palavras);         
(2) Tipo de mini-lista com trs condies: a) Repetio de palavras categorizadas 
B; b) No-repetio de palavras categorizadas M; c) No-repetio de palavras 
categorizadas X;         
(3) Prova de memria: Evocao e reconhecimento.         
(4) Evocao auxiliada: Sim, atravs da informao dada da existncia de uma mini-
lista M na altura da evocao; No, desconhecimento da referida mini-lista.
As variveis independentes foram organizadas num plano factorial misto, em que as 
variveis (1) e (4) foram inter-sujeitos e as variveis (2) e (3) foram intra-sujeitos. A 
representao deste planeamento encontra-se exposta no Quadro 9. 1.
A distribuio dos sujeitos pelos quatro grupos foi feita de forma aleatria. A prova 
de evocao foi sempre seguida pela de reconhecimento. As palavras de cada mini-lista 
estavam distribudas numa ordem ao acaso entre as posies 4 e 42, com a restrio de que 
duas palavras B adjacentes no tinham mais de trs palavras de permeio.
A varivel dependente registada foi o nmero de palavras correctamente evocadas e 
reconhecidas.

Quadro 9.1: Representao do planeamento da experincia onde figuram as quatro 
variveis independentes manipuladas: Intervalo de reteno, tipo de mini-lista, prova de 
memria. recuperao auxiliada. (Pg.166)

Procedimento: No incio da experincia os sujeitos foram informados de que iriam 
participar numa experincia de ateno e repetio, sendo apresentada para o efeito uma 
longa lista de palavras. A apresentao da lista seria auditiva e haveria um grupo de palavras 
comeadas por B. No foi feita referncia s mini-listas M, X, ou lista-tampo.
Os sujeitos foram ainda instrudos de que deveriam repetir as palavras comeadas 
por B de forma silenciosa fazendo um trao na folha de respostas por cada repetio 
efectuada. Logo que uma nova palavra B fosse apresentada, os sujeitos deveriam 
abandonar a repetio da palavra B anterior em que tinham estado ocupados e iniciar a 
repetio da nova palavra B e assim sucessivamente at ao final da lista. Realizou-se um 
ensaio de treino com a apresentao de uma pequena lista de seis palavras e duas repeties 
requeridas.
Depois de apresentada a lista de 45 palavras, um grupo de sujeitos foi solicitado a 
evocar livremente o maior nmero de palavras. Um outro grupo recebeu, no momento das 
instrues de evocao, a informao de que, alm da lista de palavras B apresentada, 
havia tambm uma outra lista com a mesma extenso de palavras comeadas por M.
A prova de evocao foi inesperadamente apresentada aos sujeitos e teve a durao 
de 3 minutos. Numa condio a evocao foi requerida imediatamente aps a apresentao 
da lista e noutra condio aps terem decorrido oito minutos. Na condio de evocao 
retardada, o intervalo de reteno foi preenchido com a realizao de uma prova de 
memria sobre o reconhecimento de elementos includos nas notas em circulao do banco 
de Portugal. Imediatamente aps o final da prova de evocao, os sujeitos foram ainda 
convidados a realizar uma prova de reconhecimento, em que as 45 palavras-alvo foram 
misturadas com mais 45 palavras distractivas e apresentadas por ordem alfabtica. Esta prova 
teve a durao de quatro minutos.

Apresentao e anlise dos resultados

Foi determinado para cada sujeito o nmero de palavras correctamente evocadas, 
tendo-se excludo as palavras iniciais e finais da lista comeadas por vogal. Neste sentido a 
recordao correcta de todas as palavras limitou-se a 39 em vez de 45. Os resultados obtidos 
na prova de evocao encontram-se expostos no Quadro 9.2.

Quadro 9.2: Percentagem de palavras correctamente evocadas nos trs tipos de 
mini-listas nos Grupos de evocao imediata e retardada, quer na condio de recuperao 
auxiliada, quer no. (Pg.167)

Os resultados do Quadro 9.2 revelam que a percentagem de evocaes correctas da 
mini-lista B  muito mais elevada do que a evocao das restantes mini-listas que no 
foram objecto de repetio e esta superioridade manifesta-se tanto na evocao imediata 
como na evocao retardada. Estes resultados parecem provar sem margem para dvidas 
que a repetio simples tem efeitos positivos na reteno de listas de palavras em relao a 
situaes experimentais em que a repetio no ocorre.
Os resultados do Quadro 9.2 indicam ainda que a presena de instrues especficas 
na altura da evocao quanto  existncia de uma outra mini-lista de palavras comeadas por 
M no foi suficiente para anular ou pelo menos atenuar as diferenas entre listas B e 
M. No conjunto, os resultados do Quadro 9.2 indicam que os efeitos da repetio no grau 
de reteno pouco tm a ver com processos que actuem exclusivamente ao nvel da 
evocao.
Assim a superioridade da lista B resultou apenas do factor repetio e no do 
conhecimento que os sujeitos possuam na altura da evocao da existncia de uma mini-
lista de palavras comeadas por B, de forma a orientar e auxiliar a respectiva evocao. 
Parece assim concluir-se que a repetio actuou ao nvel da codificao e aquisio e no ao 
nvel da recuperao da informao.

Quadro 9.3: Percentagem de palavras correctamente reconhecidas (e xitos 
corrigidos entre parnteses) em dois tipos de mini-listas nos Grupos de reconhecimento 
imediato e retardado, em ambas as condies de recuperao, auxiliada ou no. (Pg.168)

Os resultados obtidos na prova de reconhecimento esto expostos no Quadro 9.3. 
Neste Quadro esto indicadas no s a percentagem de palavras correctamente 
reconhecidas, mas tambm a percentagem de xitos corrigidos de acordo com a frmula 
seguinte:
p [xitos corrigidos] =  p [xito obtido] - p [falso alarme]
                                1 - p [falso alarme]

Esta frmula permite corrigir a percentagem de reconhecimentos, tendo em 
considerao o nmero de falsos alarmes produzidos (Gregg, 1986, p. 277). O padro dos 
resultados obtidos na prova de reconhecimento confirma em grande parte o que foi 
observado na prova de evocao. Assim as palavras repetidas B so melhor reconhecidas 
do que as palavras no repetidas M. Por outro lado a presena de instrues especficas 
sobre a existncia de uma mini-lista M no foi suficiente para atenuar as diferenas entre 
as mini-listas B e M.
        No que se refere s condies de reconhecimento imediato e retardado no se 
notaram diferenas apreciveis, como acontecera na evocao. Se o resultado no for 
esprio, ento  possvel que as diferenas de evocao imediata e retardada sejam devidas 
a problemas de recuperao.
Acrescente-se por ltimo que as palavras das mini-listas M e X foram objecto de 
um certo processamento, na medida em que os sujeitos tiveram que as reconhecer, pelo 
menos como palavras no-B, a fim de decidirem se deveriam ou no interromper a 
repetio da palavra em que estavam envolvidos. Esta identificao no foi no entanto 
suficiente, j que os valores de evocao foram bastante baixos e os de reconhecimento 
ficaram aqum do valor esperado pelo acaso (50%). Os valores superiores de reteno da 
lista B ficaram portanto a dever-se  repetio simples.

Concluso

A reviso da literatura efectuada na Introduo sugeria que os efeitos da repetio 
no grau de reteno ocorreriam fundamentalmente na reteno a curto prazo e no na 
reteno a longo prazo (e.g., Craik e Watkins, 1973). No entanto, os resultados da presente 
experincia revelaram que a repetio tem efeitos positivos quer na reteno a curto prazo 
quer a longo prazo numa tarefa de aprendizagem acidental. E possvel que um intervalo de 
oito minutos no seja assim to longo para anular os efeitos da repetio na reteno a longo 
prazo.
Poder ter acontecido tambm que os sujeitos que repetiam as palavras B no se 
limitassem a um tipo de repetio puramente simples, antes procedessem a tipos de 
repeties de natureza mais ou menos associativa, atendendo  experincia que tinham de 
outros estudos em que participaram anteriormente. No entanto esta explicao no parece 
ter grande cabimento, j que todos os participantes, quando interrogados para o efeito, 
afirmaram que no lhes ocorrera a eventualidade de virem a ser sujeitos a uma prova de 
memria no final, embora um estudante tivesse afirmado de que deveria ter desconfiado de 
tal!
Quer a repetio efectuada pelos sujeitos desta experincia tenha sido puramente 
simples ou essencialmente elaborada e associativa, parece inegvel afirmar a existncia de 
mais do que dois tipos de repetio. Como em muitos outros processos mentais, h tambm 
no processo de repetio uma grande variedade de tipos que se situam ao longo de um 
continuum, cujos extremos s teoricamente se poderiam definir de simples por um lado e 
elaborado ou associativo por outro.

Bibliografia citada e recomendada

Bekerian D. A., e Baddeley A. D. (1980). Saturation advertising and the repetition 
effect. Journal of Verbal Learning and Verbal Behavior, 19, 17 - 25.         
Brodie, D. A., e Prytulak, L. S. (1975). Free recall curves: Nothing but rehearsing 
some itens more or recalling them sooner? Journal of Verbal Learning and Verbal Behavior, 
14, 549-563.         
Cermak, L. S., e Craik, F. 1. M. (1979). Levels of processing in human memory. 
HilIsdale, N. J: Erlbaum. C        
Craik, F. I. M., e Lockhart, R. S. (1972). Levels of processing: A framework for 
memory research. Journal of Verbal Learning and Verbal Behavior, 11, 671-684.         
Craik, F. I. M., e Watkins, M. J. (1973). The role of rehearsal in short-term memory. 
Journal of Verbal Learning and Verbal Behavior, 12, 599-607.         
Ebbinghaus, H. (1964). Memory: A contribution to experimental psychology. (Trad. 
por H. Ruger e C. E. Bussenius). New York: Dover. (Obra original publicada em 1885). 
Fischler L, Rundus, D., e Atkinson, R. C. (1970). Effects of overt rehearsal 
procedures on free recall. Psychonomic Science, 19, 249-250.         
Gregg, V. H. (1986). Introduction to human memory. London: Routledge & Kegan 
Paul.         
Neisser, U. (1982). Memory observed: Remembering in natural contexts. So 
Francisco: Freeman.         
Rundus, D. (1977). Maintenance rehearsal and single-level processing. Journal of 
Verbal Learning and Verbal Behavior, 16, 665-681.         
Zechmeister, E. B., e Nyberg, S. E. (1982). Human memory. . Monterey, Cal.: 
Brooks/Cole.

Apndice 9

Instrues iniciais

Instrues iniciais comuns a todos os Grupos: A experincia que hoje vamos realizar 
 uma experincia de ateno e repetio. Para o efeito vai ser apresentada auditivamente 
uma longa lista de palavras de familiaridade mdia na lngua Portuguesa. Algumas destas 
palavras comeam pela letra B (por exemplo, Baleia). Quando ouvirem uma destas 
palavras comeadas por B comecem de imediato a repeti-la de forma inaudvel fazendo 
simultaneamente riscos verticais na folha de respostas e tendo em conta que cada risco 
dever corresponder a uma repetio efectuada mentalmente. Quando ouvirem uma nova 
palavra comeada por B, terminem a repetio da palavra B em que estavam 
envolvidos e passem a repetir a nova palavra B. Terminem de repetir esta segunda 
palavra .B, quando ouvirem uma terceira e assim sucessivamente at ao fim da sesso. A 
apresentao da lista  inferior a 5 minutos. Entre outros objectivos, esta experincia 
pretende averiguar se so ou no capazes de prestar ateno a todas as palavras B 
apresentadas e avaliar o nmero de repeties que podem ser feitas por unidade de tempo. 
Vamos fazer um ensaio de treino com as seguintes seis palavras:
Baleia - Macho - Livro - Baile - Serra - Margem.

Compreenderam? H alguma dvida? (No h palavras na lista comeadas por V, 
por exemplo, vinho). Ento vamos comear.

Instrues aps o final da apresentao da lista:

Grupo 1: Evocao e reconhecimento imediato (Desconhecimento da mini-lista 
M): (Logo aps a apresentao da ltima palavra da lista, as folhas de respostas com os 
riscos da repetio foram recolhidas e substitudas por novas folhas de resposta). Alm dos 
objectivos anteriormente referidos, esta  tambm uma experincia de memria. Neste 
sentido gostaria que evocassem o maior nmero de palavras apresentadas na lista que 
acabaram de ouvir. Tm para o efeito 3 minutos. (Aps o final da evocao da lista, a folha 
de respostas  recolhida e substituda por uma nova folha de respostas). Antes de 
concluirmos esta sesso gostaria que efectuassem mais uma prova de memria, neste caso 
de reconhecimento.  vossa frente tm uma lista de 90 palavras ordenadas por ordem 
alfabtica, das quais metade foram apresentadas auditivamente. A vossa tarefa consiste em 
sublinhar todas as palavras da lista que se recordarem.

Grupo 2: Evocao e reconhecimento imediato (Conhecimento da mini-lista M): 
(... instrues idnticas s do Grupo 1). Neste sentido gostaria que evocassem o maior 
nmero de palavras apresentadas na lista que acabaram de ouvir. Gostaria tambm de vos 
informar, que alm de uma pequena lista de palavras comeadas por B, havia tambm 
uma pequena lista com o mesmo nmero de palavras comeadas por M. Tm para o 
efeito 3 minutos. (no restante as instrues foram idnticas s do Grupo 1).

Grupo 3: Evocao e reconhecimento retardado (Desconhecimento da mini-lista 
M): (Logo aps a apresentao da ltima palavra da lista, as folhas de respostas com os 
riscos da repetio foram recolhidas e substitudas por uma nova tarefa de reconhecimento 
de caractersticas das notas do banco de Portugal em circulao. Esta tarefa tinha uma 
durao de cerca de 6 a 7 minutos. No final eram apresentadas instrues, idnticas s do 
Grupo I.)

Grupo 4: Evocao e reconhecimento retardado (Conhecimento da mini-lista M): 
(Instrues iniciais idnticas s do Grupo 3 e finais idnticas s do Grupo 2).

Tabela 9.1: Lista de palavras apresentada como tarefa de ateno e repetio. (Pg. 
173)

Tabela 9.2: Lista de palavras apresentada na prova de reconhecimento. Esta lista 
inclui as 45 palavras da Tabela 9.1 mais 5 novas palavras. (Pg. 173)


10

O Efeito da Formao de Imagens no Grau de Reteno: 
Ilustrao da Mnemnica dos Lugares

A facilidade de formar imagens visuais de objectos e acontecimentos  uma 
habilidade bastante eficaz em termos de aprendizagem e memria. Este estudo teve por 
objectivo ilustrar a eficcia da formao de imagens visuais na memria humana. Na           
introduo  feita uma breve referncia a pessoas com uma memria notvel e ao uso que 
fizeram de algumas tcnicas de memria. Uma destas tcnicas  a mnemnica dos lugares. 
Para que esta mnemnica seja eficaz  necessrio um treino prvio na produo de imagens 
visuais, que devem ser tanto quanto possvel bizarras, interactivas e cmicas, A aplicao 
desta mnemnica  ilustrada com a apresentao de 4 listas de 36 palavras cada, que os 
sujeitos devero evocar serialmente imediatamente aps o final de cada lista. As instrues 
sobre a aplicao da mnemnica dos lugares foram apresentadas aps a evocao da 
primeira lista e antes da apresentao das restantes trs. Os resultados demonstraram 
claramente a eficcia da mnemnica dos lugares enquanto tcnica de memorizao. As 
vantagens desta mnemnica so discutidas no mbito da teoria de codificao dupla de 
Paivio e do princpio de codificao especfica de Tulving.

Introduo

Formar imagens de palavras, objectos e acontecimentos  um processo que pode ser 
bastante eficaz em termos de reteno. A habilidade para formar imagens, se for 
devidamente treinada e apurada, pode permitir a obteno de feitos espantosos no domnio 
da memria humana. Esta habilidade tem sido cultivada desde o tempo dos gregos e 
romanos (e.g., Yates, 1966) e desde ento sempre se soube da existncia de vrias pessoas 
que se evidenciaram atravs dos seus dotes de memria. Os mnemonistas, nome por que 
so conhecidas tais personalidades, foram durante muito tempo objecto de uma certa 
desconfiana, para j no dizer desprezo, devido ao modo pouco respeitvel como 
apregoavam as suas capacidades. Segundo uma certa perspectiva acadmica, demonstrar as 
habilidades cognitivas numa feira, circo ou em outros espectculos semelhantes era uma 
tarefa pouco nobre e em nada prestigiava os seus autores.Veja-se por exemplo a crtica de 
Miller, Galanter e Pribram, 1960, p. 132-136 ao antagonismo dos psiclogos em relao aos 
mnemonistas.
Porm nestas ltimas dcadas os investigadores passaram a dedicar uma maior 
ateno aos mnemonistas com base no argumento de que se de facto as tcnicas por eles 
usadas funcionavam de forma eficiente, ento haveria a maior vantagem em estud-las de 
perto. Neste sentido as tcnicas e procedimentos usadas por alguns dos mais clebres 
mnemonistas conhecidos na poca comearam a ser estudadas a partir dos anos 60 em livros 
e artigos (e.g., Luria, 1968; Hunt e Love, 1972; Stromeyer 111, 1970; Hunter, 1977; 
Neisser, 1982).
Na anlise destes casos ressalta geralmente a extrema habilidade dos mnemonistas 
no uso de imagens visuais. Um dos casos mais famosos  o mnemonista S, descrito por 
Luria (1968), que era capaz de criar imediatamente uma imagem visual especfica de 
nmeros, cores, sons ou qualquer outro fenmeno que experimentasse. Alm de vvidas e 
expressivas, as imagens por ele formadas eram frequentemente bizarras e especficas e 
envolviam experincias de dois ou mais sentidos.
Quando o reconhecimento de uma palavra estimula alm dos sentidos da viso ou 
audio, o sabor, tacto ou outros sentidos obtm-se uma imagem ou experincia sinestsica. 
Apesar da experincia sinestsica ser um caso raro ao nvel de pessoas comuns, para o 
mnemonista S era uma experincia habitual para a maioria das palavras.
        Mesmo no possuindo as habilidades sinestsicas do sujeito S  possvel melhorar 
consideravelmente a capacidade de reteno recorrendo simultaneamente a tcnicas de 
formao de imagens e a sistemas mnemnicos. Uma das mnemnicas consideradas mais 
eficazes  o mtodo dos lugares, descoberto segundo Ccero pelo poeta grego Simnides 
de Quos. Veja-se Apndice 10, pg. 185.
O mtodo dos lugares consiste primeiramente na seleco de um determinado 
nmero de lugares ao longo de um percurso. Em segundo lugar o mtodo dos lugares 
requer a formao de uma imagem mental entre o lugar seleccionado e a palavra, ideia ou 
acontecimento a memorizar. Por ltimo aps a formao de diferentes imagens mentais 
entre lugares e itens a reter  possvel recordar posterior-mente os itens percorrendo 
mentalmente os lugares situados ao longo do percurso e elicitando em cada lugar a imagem 
que a ele estava associada.
Para que a mnemnica dos lugares seja de facto eficaz  preciso que a seleco dos 
lugares e as imagens a formar obedeam a determinados requisitos. Quanto aos lugares a 
seleccionar, estes podem ser os mais diversos desde fontanrios, cafs, cinemas, discotecas, 
monumentos, quiosques, vivendas, casas de familiares e amigos ou at mesmo os 
compartimentos de uma habitao como a cozinha, sala ou quarto. Os lugares seleccionados 
devem ser familiares ao sujeito e terem funes especficas tanto quanto possvel diferentes 
em relao aos demais lugares escolhidos. Os lugares seleccionados no devem ainda ser 
escuros, nem exageradamente grandes ou pequenos.
No que respeita s caractersticas das imagens a formar  necessrio que as imagens 
sejam bizarras, interactivas e cmicas. Formar uma imagem bizarra entre um local (por 
exemplo, um fontanrio) e um item a recordar (por exemplo, a palavra livro) poderia ser 
imaginar um fontanrio com uma grande bica ou cano por onde sairiam simultaneamente 
livros e gua. O exagero da situao, assim como o aspecto excntrico e bizarro da imagem 
aumenta bastante o grau de singularidade e especificidade de um objecto to frequente e 
familiar como  um livro, facilitando provavelmente a reteno deste item.
Formar uma imagem interactiva implica que o lugar e o item a recordar estejam 
intimamente relacionados. No entanto no basta uma simples relao,  preciso obter-se 
uma interaco profunda. Os dois exemplos seguintes ilustram o que se designa por 
interaco.
        Alm da imagem atrs sugerida, fontanrio e livro poderiam relacionar-se de duas 
outras maneiras: Um livro pousado na parede de um fontanrio indica uma relao, mas no 
uma interaco. Por outro lado, um livro enrolado na bica de um fontanrio dificultando o 
fluxo de gua, mas deixando mesmo assim passar algumas gotas de gua suja de tinta 
revelaria uma relao estreita e mais profunda entre o lugar e o item podendo considerar-se 
que este tipo de relao seria predominantemente interactivo.
Acrescentar a uma imagem bizarra e interactiva um aspecto cmico  ainda bastante 
importante. s vezes os aspectos bizarros e interactivos da imagem geram o riso pelo 
ineditismo da situao, outras vezes  necessrio distorcer exageradamente a imagem ou 
acentuar particularmente um dos aspectos para que surja o elemento cmico da situao,  
maneira talvez do caricaturista ao desenhar o rosto de uma personalidade pblica. No 
entanto, quando os lugares so  partida exageradamente grandes ou pequenos demais a 
distoro das imagens por eles formadas torna-se menos bizarra e especfica.*

*  Uma imagem bizarra, interactiva e cmica  conhecida pela sigla BIC, formada a 
partir da letra inicial de cada atributo.

Os estudos experimentais realizados por diversos investigadores tm revelado 
sempre uma superioridade notria do grupo de sujeitos instrudos a formar imagens 
interactivas e bizarras relativamente a outros grupos de sujeitos que seguem instrues 
diferentes destas. Bower (1972), por exemplo, comparou o grau de reteno de trs grupos 
de sujeitos que foram instrudos a formar imagens interactivas, imagens separadas ou a 
repetir vrias vezes o par de palavras apresentado. Os resultados revelaram que o grau de 
evocao do grupo de imagens separadas foi quase metade do grau de reteno observado 
no grupo de imagens interactivas e praticamente semelhante ao grupo de repetio de 
palavras. Estes resultados demonstram que a instruo de formar imagens interactivas, 
quando usada com habilidade, pode proporcionar um grau de reteno superior em relao a 
outras estratgias alternativas.

Experincia *

*  Esta experincia foi realizada em 129 lugar, aps todas as outras experincias do 
livro, a fim de se evitar eventuais transferncias de aprendizagem.

A experincia a seguir descrita procura demonstrar os efeitos da formao de 
imagens no grau de reteno a partir do uso da mnemnica dos lugares. A experincia 
consiste em aprender uma lista de 36 palavras e depois evocar o maior nmero delas pela 
ordem de apresentao. No primeiro ensaio a experincia  realizada sem o conhecimento 
da mnemnica dos lugares. Este ensaio tem por objectivo estabelecer uma espcie de linha 
de base em relao ao qual se iro comparar os resultados dos ensaios seguintes, realizados 
com o apoio da mnemnica dos lugares.

Mtodo 
Sujeitos: A amostra foi constituda por 35 estudantes de psicologia da Universidade 
do Porto inscritos no ano lectivo de 1989/90. Grande nmero dos sujeitos pertenciam ao 
grupo etrio dos 18 - 21 anos, sendo a maioria do sexo feminino.
Material: O material foi constitudo por quatro listas de 36 palavras cada, 
mediamente frequentes na lngua portuguesa. As palavras foram apresentadas auditivamente 
ao ritmo de uma palavra cada cinco segundos numa voz masculina. Alm das listas de 
palavras foi elaborada uma lista de 36 lugares de um percurso que comeava na sala da 
associao dos estudantes da Faculdade de Psicologia do Porto, seguia por diversas ruas 
bem conhecidas da zona central da cidade do Porto e terminava na casa de cada um dos 
participantes. Veja-se Apndice 10, p. 186.
Planeamento: A varivel independente manipulada foi a presena ou ausncia de 
instrues de uso da mnemnica dos lugares.
O primeiro ensaio foi efectuado sem os sujeitos terem conhecimento da mnemnica 
dos lugares. Os sujeitos foram convidados a recorrer a estratgias pessoais de aprendizagem 
para realizarem o melhor possvel a tarefa. No fim do primeiro ensaio os sujeitos foram 
instrudos no uso da mnemnica dos lugares, tendo seguidamente efectuado trs ensaios 
com trs listas de palavras diferentes.
A varivel dependente registada foi o nmero de palavras correctamente evocadas 
segundo a ordem de apresentao em cada um dos ensaios. A ordem de apresentao das 
quatro listas de palavras seleccionadas foi contrabalanceada por quatro grupos de sujeitos. O 
perodo de evocao serial de cada lista foi de cinco minutos.
Procedimento: Esta experincia foi realizada em pequenos grupos ao longo de duas 
sesses com uma semana de permeio. No incio da primeira sesso os sujeitos foram 
informados de que iria ser apresentada uma lista de 36 palavras, que deveriam evocar no 
final pela ordem apresentada. Os sujeitos foram ainda instrudos a evocarem o maior nmero 
de palavras recorrendo para tal s estratgias que julgassem mais adequadas.
Terminado o primeiro ensaio, os sujeitos foram informados pela primeira vez da 
mnemnica dos lugares e das suas vantagens na aprendizagem e memria. Numa primeira 
fase a mnemnica foi ilustrada com 10 palavras relacionadas com artigos de mercearia e um 
percurso estereotipado de casa para a faculdade formado por 10 lugares (e.g., Lindsay e 
Norman, 1977). Durante esta fase foi chamada a ateno para a necessidade de se formarem 
imagens tipo bic, isto , bizarras, interactivas e cmicas, entre os itens a recordar e cada 
lugar do percurso. Numa segunda fase, a mnemnica dos lugares foi ilustrada com a lista de 
palavras usada no primeiro ensaio da experincia. Para o efeito cada sujeito presente 
sugeriu uma imagem bic, entre a palavra apresentada e um lugar do percurso. Aps se terem 
formado 36 imagens e comentada a qualidade bizarra e interactiva delas, os sujeitos foram 
convidados a memorizar os locais do percurso segundo um critrio de dois ensaios seguidos 
sem erros. Os sujeitos foram ainda convidados a indicar quais os lugares referentes a cerca 
de uma dezena de nmeros ao acaso entre 1 e 36.
Antes de ser efectuado o segundo ensaio e o primeiro com a aplicao da 
mnemnica dos lugares os sujeitos foram ainda instrudos a usarem apenas os 5 segundos 
disponveis para formarem a imagem respectiva; se forem incapazes de a formar, o melhor 
seria passar ao ensaio seguinte a fim de evitarem atropelos e perdas de tempo.
A primeira sesso terminou com a realizao do segundo ensaio, em virtude de j 
terem decorrido cerca de duas horas. Os restantes dois ensaios foram realizados numa 
segunda sesso, efectuada uma semana depois e sem quaisquer instrues suplementares.

Apresentao e anlise dos resultados

Os resultados obtidos em cada um dos quatro ensaios realizados no ano lectivo de 
1989/1990 encontram-se expostos na Figura 10.1. A Figura 10.1 apresenta o nmero mdio 
de palavras correctamente evocadas serialmente quer para o primeiro ensaio, quando os 
sujeitos usaram estratgias individuais de aprendizagem e reteno, quer para os ensaios 
dois, trs e quatro, quando os sujeitos aplicaram o mtodo dos lugares. Na Figura 10.1 
encontram-se ainda expostos os resultados obtidos nos anos lectivos precedentes, usando 
um procedimento semelhante.
Embora as diferenas de mdias sejam bastante convincentes, efectuou-se mesmo 
assim uma anlise de varincia de medidas repetidas a fim de se verificar se as quatro 
mdias diferiam entre si e se tal fosse o caso quais as mdias que entre si eram ou no 
estatisticamente diferentes.

Figura 10.1: Nmero mdio de palavras correctamente evocadas serialmente nos 
quatro ensaios em 1989/90 e nos trs anos lectivos anteriores. (Pg. 180)

A aplicao da anlise de varincia aos resultados obtidos no ano lectivo de 
1989/1990 revelou diferenas significativas, F(3,139) = 30,65, p<0,001. A fim de se 
verificar quais os ensaios que diferiam ou no entre si aplicou-se o teste F de Scheffe ao 
nvel de 95%. Os resultados do teste revelaram que o l ensaio diferia estatisticamente de 
todos os restantes ensaios e que os ensaios 2, 3 e 4 no diferiam entre si, excepto os ensaios 
2 e 4.
As diferenas observadas parecem consistentes e lgicas. De facto  entre o 
primeiro e os ensaios seguintes que se observa a aplicao da mnemnica dos lugares. As 
diferenas significativas entre o segundo e quarto ensaio podem ter sido devidas aos efeitos 
positivos da prtica acumulada.
Os resultados da presente experincia revelaram que a mnemnica dos lugares, 
enquanto tcnica de reteno e evocao serial de itens verbais,  bastante eficaz. A 
eficcia desta mnemnica tem sido comprovada ao longo dos ltimos anos lectivos com 
estudantes Faculdade de Psicologia e de Cincias da Educao da Universidade do Porto, 
tendo os resultados obtidos revelado sistematicamente uma melhoria de evocao nos 
ensaios em que a mnemnica foi aplicada.
 de assinalar por ltimo que ao longo destes anos lectivos bastantes estudantes 
conseguiram evocar mais de trinta palavras, tendo alguns conseguido mesmo evocar todas 
as 36 palavras apresentadas num ou mais ensaios.

Discusso

O uso da mnemnica dos lugares, quando aplicada correctamente na aprendizagem 
e recordao de listas de palavras, revela um desempenho excelente. Porque  que tal 
acontece? Segundo Paivio (1971) a informao estaria representada no sistema de memria 
segundo dois cdigos ou representaes: Um verbal e outro imaginal. O cdigo imaginal 
estaria ligado  experincia pessoal de cada um com objectos e acontecimentos concretos. 
Por outro lado quanto maior fosse o grau de concreticidade de um estmulo, mais provvel 
seria a elicitao de um cdigo de memria imaginal Neste caso uma palavra ou 
acontecimento concreto estaria representado segundo dois cdigos, imaginal e verbal, 
enquanto que uma palavra de natureza mais abstracta estaria representado apenas pelo 
cdigo verbal.
        A teoria de codificao dupla de Paivio (1971) explica por um lado, porque  que 
listas de figuras so mais facilmente adquiridas e recordadas do que listas de palavras e por 
outro porque  que listas de palavras com um nvel imaginrio elevado so mais 
memorveis do que listas de palavras de nvel imaginrio inferior, mesmo quando o grau de 
frequncia  mantido constante. No primeiro caso a representao dupla seria no s 
possvel, mas mais rapidamente estabelecida; no outro a representao dupla mesmo 
possvel seria muito mais demorada e laboriosa.
Os resultados superiores obtidos nos ensaios em que a mnemnica dos lugares foi 
aplicada seriam assim explicados pelo facto dos sujeitos estabelecerem para cada palavra da 
lista uma representao dupla: Um cdigo verbal inerente  palavra exposta e um cdigo 
imaginal a partir da criao de uma imagem associando a palavra com o local do percurso 
seleccionado.
A teoria de Paivio  fundamentalmente uma teoria de codificao, em vez de uma 
teoria de codificao e recuperao. Os resultados deste estudo revelaram que a mnemnica 
dos lugares  um procedimento eficaz quer ao nvel da codificao quer da recuperao, 
ilustrando de forma exemplar o princpio da codificao especfica proposto por Tulving e 
colaboradores (Tulving e Thomson, 1973; Tulving, 1983).
 uma tcnica eficaz ao nvel da codificao, porque recorre ao estabelecimento de 
imagens interactivas entre a palavra a recordar e o local do percurso. E ainda um 
procedimento eficaz ao nvel da recuperao, porque utiliza durante a fase de evocao o 
mesmo contexto ou indicadores que foram usados na fase de aquisio, estabelecendo desta 
forma uma correspondncia perfeita entre as duas fases principais de processamento 
cognitivo. O contexto ou indicadores de codificao e recuperao so naturalmente os 
locais seleccionados ao longo de percurso (Pinto, 1989).

Bibliografia citada e recomendada

Baddeley, A. D. (1990). Human memory: Theory and practice. London: Lawrence 
ErIbaum Associates.
        Bower, G. H. (1970). Imagery as a relational organizer in associative learning. 
Journal of Verbal Learning and Verbal Behavior, 9, 529-533.         
        Bower, G. H. (1972). Mental imagery and associative learning. In L. W. Greg (Ed.). 
Cognition in learning and memory. New York: Wiley.         
        Eysenck, M. W., e Keane, M. T. (1990). Cognitive psychology: A student's 
handbook. London: Lawrence Erlbaurn Associates.         
        Hunt E., e Love T. (1972). How good can memory be? In A. W. Melton e E. Martin 
(Eds.), Coding processes in human memory. Washington, D. C.: Winston.         
        Hunter, I. M. L. (1977). An exceptional memory. British Journal of Psychology, 68, 
155-164.         
        Lindsay, P. H., e Norman, D. A. (1977). Human information processing: An 
introduction to psychology (2 ed.). New York: Academic Press.         
        Luria, A. R. (1968). The mind of a mnemonist. (Trad. do russo por L. Solotaroff). 
New York: Basic Books.         
        Miller, C. A., Calanter, E., e Pribram, K. H. (1960). Plans and the structure of 
behavior. New York: Holt, Rinehart, & Winston.         
        Neisser,  U. (1982). Memory observed: Remembering in natural contexts. So 
Francisco: Freeman.         
        Paivio, A. (1971). Imagery and verbal processes. New York: Holt, Rinehart, & 
Winston.         
        Paivio, A. (1986). Mental representations: A dual coding approach. Oxford: Oxford 
University Press. Pinto, A. C. (1989). Relaes entre estratgias de aprendizagem e 
processos de recordao: Anlise de alguns factores cognitivos. Revista Portuguesa de 
Educao, 2, (2), 25-41.         
        Stromeyer III, C. F. (1970). Eidetikers. Psychology Today, Nov. 76 - 80.         
        Tulving, E. (1983). Elements of episodic memory. Oxford: Oxford University Press. 
        Tulving, E., e Thomson, D. M. (1973). Encoding specificity and retrieval processes 
in episodic memory. Psychological Review, 80, 352-373.         
Yates, F. A. (1966). The art of memory. London: Routledge & Kegan Paul.

Apndice 10

Instrues do 1 ensaio:         
A experincia de hoje  uma experincia de aprendizagem e memria. Vai ser 
apresentada uma lista de 36 palavras, a um ritmo de uma palavra cada cinco segundos. A 
vossa tarefa consiste em prestar a maior ateno possvel a cada palavra porque no final vo 
ser solicitados a evocarem o maior nmero de palavras na ordem apresentada. Reparem que 
a evocao nesta experincia  serial e no livre. Procurem obter os melhores resultados 
recorrendo para o efeito ao que julgarem ser as vossas melhores estratgias de 
aprendizagem e memria. No final da apresentao da lista surgir um breve sinal sonoro, 
altura em que devero iniciar a evocao serial das palavras. O perodo de evocao  de 
cinco minutos.

Instrues do 2 ensaio:
Terminado o primeiro ensaio, os sujeitos foram informados pela primeira vez da 
mnemnica dos lugares e das suas vantagens na aprendizagem e memria. Numa primeira 
fase a mnemnica foi ilustrada com 10 palavras relacionadas com artigos de mercearia e um 
percurso estereotipado de casa para a faculdade formado por 10 lugares. Durante esta fase 
foi chamada a ateno para a necessidade de se formarem imagens tipo bic, isto , bizarras, 
interactivas e cmicas, entre os itens a recordar e cada lugar do percurso. Numa segunda 
fase, a mnemnica dos lugares foi ilustrada com a lista de palavras usada no primeiro ensaio 
da experincia. Para o efeito cada sujeito presente sugeriu uma imagem bic, entre a palavra 
apresentada e um lugar do percurso. Aps se terem formado 36 imagens e comentado a. 
qualidade bizarra e interactiva delas, os sujeitos foram convidados a memorizarem os locais 
do percurso segundo um critrio de dois ensaios seguidos sem erros. Os sujeitos foram 
ainda convidados a indicar quais os lugares referentes a cerca de uma dezena de nmeros 
ao acaso entre 1 e 36.
Antes de ser efectuado propriamente o segundo ensaio e o primeiro com a aplicao 
da mnemnica dos lugares os sujeitos foram ainda instrudos a usarem apenas os 5 segundos 
disponveis para formarem a respectiva imagem; No caso de serem incapazes de a formar, o 
melhor seria passar ao ensaio seguinte a fim de evitarem atropelos e perdas de tempo. (O 
tempo necessrio para se apresentarem as instrues e realizar os dois ensaios de treino 
referidos  de cerca de uma hora).

Instrues do 3 e 4 ensaios: (Segunda sesso). Vamos efectuar dois outros ensaios 
com a aplicao da mnemnica dos lugares e com outras duas listas de 36 palavras 
diferentes. Antes porm de ser apresentada a primeira lista, gostaria que mentalmente 
percorressem os 36 locais do percurso a fim de verificarem se ainda se recordam de todos 
os locais. Quando estiverem prontos, comeamos.

A tradio grega da arte de memria segundo Ccero em De 
Oratore

Scopas, nobre senhor de Tesslia, deu um banquete e convidou Simnides de 
Quos para lhe cantar um panegrico. Simnides cantou de facto o panegrico em honra de 
Scopas, mas incluiu uma referncia de agradecimento aos deuses Castor e Polux. O 
avarento do Scopas recusou no entanto pagar a soma previamente combinada, dando ao 
poeta Simnides apenas metade e sugerindo que o poeta deveria obter o restante dos 
deuses Castor e Pollux.
Alguns minutos mais tarde, o mordomo da festa informa Simnides de que fora da 
sala esto dois jovens que pretendem entregar-lhe uma mensagem. Simnides ausenta-se, 
mas quando saiu no viu ningum. Naquele momento o tecto da sala desabou sobre os 
convidados e matou-os a todos, deixando-os num estado irreconhecvel. Quando os 
familiares chegaram para levantar os cadveres, no eram capazes de os identificar. No 
entanto Simnides recordava-se onde os convidados se encontravam sentados  mesa e 
conseguiu indicar s pessoas o local dos familiares de cada um.
Segundo esta lenda os dois jovens mensageiros, os deuses Castor e Pollux, pagaram 
principescamente a referncia que lhes foi feita pelo poeta Simnides no panegrico a 
Scopas.
Esta experincia sugeriu ao poeta Simnides a arte de memria de que se diz ter ele 
sido o inventor. Foi a partir da memria dos lugares onde os convidados se encontravam 
sentados, que Simnides foi capaz de identificar os corpos, de modo que uma boa memria 
requer um arranjo ordenado.

Lista dos 36 locais seleccionadas para a mnemnica dos lugares

1 .Sala da Associao dos Estudantes
2. Laboratrio de Psicologia Experimental
3. Sala dos Computadores
4. Secretaria da Faculdade
5. Cantina (bar) de Psicologia
6. Fontanrio
7. Palcio da Justia: Tribunal
8. Edifcio da antiga Cadeia da Relao do Porto
9. Quiosque (Jornais,Tabaco, Revistas, etc)
10. Caf Piolho
11. Igreja do Carmo
12. Quartel da GNR
13. Hospital de S. Antnio
14- Museu de Soares dos Reis
15. Palcio: Pavilho de Exposies
16. Palcio: Lago e Barcos
17. Cinema Pedro Cem
18. Discoteca Swing
19. Monumento da Rotunda sobre a Invaso Napolenica
20. Entrada do Shopping Braslia
21. Hospital Militar
22. Faculdade de Farmcia
23. Praa da Repblica: Esttua do Padre Amrico Gaiatos)
24. Edifcio do Jornal de Notcias
25. O Silo-auto
26. O Mercado do Bolho
27. Teatro Rivoli
28. Estao de S. Bento
29. Torre dos Clrigos
30. Praa dos Lees
31. Entrada da Minha Casa
32. Quarto de Banho
33. Cozinha
34. Sala de Estar
35. Quarto de Dormir
36. Quarto de Dormir (objecto ou bibelot favorito)
Os locais a negritas foram considerados marcos numricos no percurso adoptado e 
onde parecia fcil estabelecer-se uma associao (por ex., 13 hospital - azar)

Tabela 10.1: Listas das 36 palavras apresentadas neste estudo. (Pg. 187)

11

Nveis de Processamento: O efeito de diferentes tarefas 
orientadoras no grau de reteno

Este estudo teve como objectivo verificar o efeito de diferentes tarefas orientadoras 
no grau de reteno numa prova de aprendizagem acidental. Os sujeitos foram distribudos 
por cinco grupos diferentes: Quatro experimentais, que realizaram diferentes tarefas de 
classificao duma lista de adjectivos; Um de controle, que apenas foi informado de que os 
adjectivos apresentados seriam objecto de uma prova de memria no final da sesso. As 
tarefas orientadoras manipuladas foram todas de tipo semntico, envolvendo em maior ou 
menor grau a personalidade dos sujeitos. Assim duas tarefas orientadoras implicavam tarefas 
de produo verbal (anagramas e produo de uma nova palavra com 10 silaba idntica) 
e as restantes duas tarefas implicavam um envolvimento especfico da personalidade de 
cada sujeito (elicitao de episdios prprios, ou avaliao da prpria personalidade). 
Os resultados indicaram que o grau de reteno dependia do tipo de tarefa realizada, sendo 
superior para os dois grupos de maior envolvimento pessoal em relao aos outros dois 
grupos de produo verbal. Os resultados so discutidos no mbito do modelo dos nveis de 
processamento e em funo do grau de extenso e de elaborao.

Introduo

Analisados numa perspectiva de processamento de informao, a maior parte dos 
estudos de aprendizagem e memria podem ser considerados como procurando investigar 
os processos mentais mais directamente relacionados com a fase de aquisio ou 
aprendizagem, ou mais directamente relacionados com as fases de reteno e recuperao, 
ou memria. Sobre a fase de aquisio h investigaes que tm procurado explorar a 
existncia de diferentes estratgias que beneficiam o grau de reteno. Uma das estratgias 
que afectam a fase de aquisio  a repetio, mas este processo nem sempre conduz a uma 
melhoria do grau de reteno, como foi verificado pelos resultados obtidos por Craik e 
Watkins (1973).
Uma outra estratgia que afecta a fase de aquisio e que  frequentemente usada 
para melhorar o grau de reteno  a tcnica de transformao mental da informao a 
memorizar em imagens mentais (e.g., Bower, 1972). Seguindo este procedimento  
possvel aumentar significativamente o grau de reteno em relao  simples repetio.
Num modelo estrutural de memria do tipo proposto por Atkinson e Shiffrin (1968) 
era uma condio essencial o recurso aos processos de repetio e formao de imagens 
para que se processasse a passagem da informao da MCP para a MLP. Se estes processos 
no fossem activados surgia o esquecimento.
Craik e Lockhart (1972) sugeriram que o grau de reteno dependia 
fundamentalmente do modo como a informao uma vez percebida era processada a 
diferentes nveis e no do maior ou menor apoio de diferentes processos na passagem da 
MCP para a MLP. Neste sentido Craik e Lockhart propuseram um modelo alternativo de 
memria, que ficou conhecido pela teoria dos nveis de processamento. Segundo estes 
investigadores o grau de reteno estava intimamente ligado ao modo como os estmulos 
eram percebidos.
Craik e Lockhart (1972) partiram dos seguintes pressupostos para o estudo da 
memria humana:
1. A formao da memria seria um produto de sries sucessivas de anlises 
efectuadas nos estmulos percebidos.
Assim o nvel mais baixo de processamento incluiria a anlise fsica dos 
acontecimentos e envolveria o processamento de certas caractersticas dos estmulos como 
linhas, ngulos e brilho, quando estes eram apresentados visualmente, e caractersticas como 
a intensidade e a frequncia quando a informao era apresentada auditivamente.
2. Quanto maior fosse a profundidade de processamento maior seria o grau de 
reteno. Um processamento mais profundo de um item a ser recordado corresponderia  
elaborao mental de diversas caractersticas de significado e imagens que com ele 
estivessem predominantemente relacionadas na memria.
Por exemplo, repetir vrias vezes a marca de computador Cyber envolve um grau 
de processamento menor do que a associao de Cyber com a palavra ciberntica e a partir 
desta palavra com outras como informao e computadores.
3. A melhoria da capacidade de memorizao estaria unicamente relacionada com 
um aumento da profundidade da anlise sobre a informao percebida e no com a 
repetio de anlises j realizadas.
Este pressuposto est relacionado com a distino que a teoria dos nveis do 
processamento fez entre dois tipos de repetio: A repetio de manuteno da 
informao, que se situaria a um nvel superficial de processamento e por outro lado a 
repetio de elaborao da informao, situada a um nvel mais profundo de anlise.
A manuteno de informao tambm  conhecida por repetio simples e refere-se 
queles casos em que o sujeito se limita a repetir sucessivamente uma palavra ou um 
nmero, mas sem lhe acrescentar quaisquer elementos associativos, organizacionais ou 
imagticos.
Em contraste, a elaborao da informao percebida implica acrescentar algo novo  
informao a ser repetida. Assim enquanto o sujeito repete uma palavra ou um nmero 
poder estar a efectuar associaes e imagens e a organizar o novo material em relao a 
outro material anteriormente adquirido.
Craik e Lockhart (1972) no distinguiram entre memria a curto prazo e memria a 
longo prazo. Para estes investigadores a memria a curto prazo ou memria primria seria o 
equivalente  manuteno da informao num determinado nvel de processamento e no a 
uma estrutura particular de memria.
4. A memria deveria ser estudada usando de preferncia o paradigma da 
aprendizagem acidental. A aprendizagem acidental difere da aprendizagem intencional pelo 
tipo de instrues que so dadas aos sujeitos. Enquanto que na aprendizagem acidental os 
sujeitos no so informados de que o material apresentado ir ser objecto de uma prova de 
memria, na aprendizagem intencional os sujeitos tm conhecimento da prova de memria 
logo no incio da apresentao do material a ser recordado.
Como na aprendizagem acidental os sujeitos no sabem que vo ser avaliados, o 
experimentador tem um certo controle sobre a natureza do processamento da informao 
desses sujeitos. Parte-se assim do pressuposto de que numa situao de aprendizagem 
acidental os sujeitos processariam o material a ser retido segundo um plano previamente 
traado pelo experimentador atravs de instrues especficas. No entanto algumas das 
experincias que manipularam as condies de aprendizagem acidental e intencional 
indicaram no haver diferenas significativas entre estes dois tipos de aprendizagem (e.g., 
Hyde e Jenkins, 1973). Isto parece significar que o conhecimento antecipado da prova de 
memria s por si no produz efeitos significativos. Em contraste, as instrues parecem 
influenciar grandemente a qualidade e a quantidade do que se aprende.
Hyde e Jenkins (1973) efectuaram uma experincia que  bastante esclarecedora 
no s sobre o tipo de aprendizagem seguida, mas tambm sobre a natureza das tarefas 
apresentadas aos sujeitos para processamento do material na fase de aquisio. Hyde e 
Jenkins (1973) seleccionaram cinco tarefas diferentes para os sujeitos processarem as listas 
de palavras que lhes foram apresentadas:         
(1) Um grupo de sujeitos deveria indicar se as palavras apresentadas eram nomes 
divisveis em nmero (e.g., pras) ou indivisveis (e.g., gua); (2) O segundo grupo deveria 
referir se as palavras apresentadas eram substantivos, adjectivos ou verbos; (3) 0 terceiro 
grupo deveria apontar a presena ou no das letras T e G nas palavras apresentadas; (4) 
O quarto grupo deveria estimar o grau de frequncia das palavras apresentadas na lngua 
inglesa numa escala de 0 a 5; (5) O quinto grupo deveria avaliar numa escala de 0 a 5 o grau 
de agrado ou desagrado das palavras apresentadas.
A experincia foi realizada com 11 grupos de sujeitos, em que cinco grupos 
realizaram tarefas de aprendizagem orientada intencional, cinco grupos realizaram tarefas de 
aprendizagem orientada acidental e o 11 grupo, que actuou como grupo de controle, 
efectuou uma aprendizagem intencional, mas no orientada por qualquer tarefa imposta pelo 
experimentador.
        Os resultados obtidos por Hyde e Jenkins (1973), indicaram um grau de reteno 
mais elevado nos grupos que efectuaram tarefas de aprendizagem orientada de tipo 
semntico (grupos 4 e 5) em relao aos grupos que efectuaram tarefas de aprendizagem 
orientada de tipo fsico (grupos 1, 2 e 3). Os resultados indicaram ainda a inexistncia de 
diferenas significativas entre os tipos de aprendizagem de natureza intencional e acidental.

A teoria dos nveis de processamento foi objecto de vrias crticas ao longo dos anos 
70, tendo originado algumas remodelaes quanto  sua formulao original de 1972 (e.g., 
Baddeley, 1978; Cermak e Craik, 1979; Eysenck, 1979).
Um dos pressupostos de Craik e Lockhart (1972) dizia respeito ao aumento do grau 
de reteno a obter num processamento mais profundo da informao. Estes investigadores 
definiram os nveis de processamento com base no desempenho obtido pelos sujeitos, ou 
seja, dadas duas tarefas de memria, aquela em que houvesse melhores resultados era 
aquela que exigiria um maior nvel de processamento.
Vrios investigadores questionaram a validade desta teoria, na medida em que 
envolveria um raciocnio fechado de tipo crculo vicioso, no podendo portanto ser 
confirmada nem rejeitada. O raciocnio poderia ser esquematizado do seguinte modo: 
Porque  que o sujeito A obteve melhores resultados na tarefa X do que na tarefa Y? 
Porque a tarefa X envolve um processamento mais profundo. E porque  que a tarefa X 
envolve um processamento mais profundo? Porque os sujeitos obtm melhores resultados 
em X do que em Y.
Numa tentativa de solucionar esta questo, Craik e Tulving (1975) realizaram uma 
srie de investigaes com o objectivo de obterem uma definio menos falaciosa de 
nveis de processamento e que fosse independente do desempenho do sujeito. Craik e 
Tulving (1975) sugeriram que o nvel de processamento poderia definir-se no apenas a 
partir do desempenho do sujeito na tarefa, mas tambm a partir do tempo gasto pelo sujeito 
na realizao dessa tarefa.
A hiptese destes investigadores era a de que uma maior profundidade de 
processamento poderia ser prevista a partir do tempo de realizao mental das tarefas 
requeridas. Estes investigadores verificaram que uma tarefa de tipo semntico demorava em 
mdia mais tempo do que uma tarefa de tipo acstico e esta por sua vez demorava mais do 
que uma tarefa de tipo fsico.
Uma tarefa de tipo semntico seria, por exemplo, A palavra AMIGO (e. g., 
NUVEM, etc.) enquadra-se na frase: Ele encontrou na rua? Uma tarefa de tipo acstico 
seria, por exemplo, A palavra AMIGO (e. g., NUVEM, etc.) rima com a palavra artigo, 
(e. g., mundo, etc).
Uma tarefa de tipo fsico seria, por exemplo, A palavra AMIGO (e. g., nuvem, etc.) 
est escrita em maisculas ou minsculas.
Os resultados obtidos por Craik e Tulving (1975) sugerem que o tempo de 
realizao mental das tarefas requeridas no era ainda uma definio razovel de nveis de 
processamento.
Por um lado, verificou-se a ausncia de uma relao sistemtica entre o tempo de 
processamento e o grau de reteno em algumas das experincias. Por exemplo, levava em 
mdia 1,7 segundos a contar o nmero de letras da palavra AMIGO e apenas 0,7 segundos 
a indicar se a palavra AMIGO se enquadrava na frase: Ele encontrou ____________ na 
rua?. Apesar da primeira tarefa orientadora, considerada fsica, levar mais tempo a 
processar do que a segunda, considerada semntica, o grau de reteno obtido foi no 
entanto em mdia de 53% para a tarefa fsica e de 75% para a tarefa semntica.
Por outro lado, verificou-se que no caso da mesma tarefa, por exemplo uma tarefa 
de tipo semntica, o grau de evocao era maior para uma resposta sim do que para uma 
resposta no. Craik e Tulving (1975) verificaram que o grau de evocao era superior 
para a palavra AMIGO do que para a palavra NUVEM quando a tarefa dos sujeitos era 
indicar se tais palavras se enquadravam ou no na frase: Ele encontrou ______________ 
na rua. Segundo Craik e Tulving (1975) as palavras associadas s respostas sim nesta 
tarefa so melhor recordadas, porque so melhor elaboradas e integradas com as 
experincias passadas do sujeito. De facto no h experincia de uma pessoa ter encontrado 
uma NUVEM na rua, mas o mesmo j no acontece com o encontro de um AMIGO. Este 
efeito da supremacia das respostas sim sobre as respostas no reflectiria o princpio de 
integrao ou congruncia, j que uma maior profundidade de processamento e elaborao 
corresponderia a um aumento significativo do grau de reteno.
        A este respeito Craik e Tulving (1975) demonstraram que um processamento 
semntico integrado numa estrutura sintctica mais complexa e elaborada produziria 
melhores resultados do que um processamento semntico, mas integrado numa estrutura 
sintctica mais pobre.
Uma estrutura sintctica pouco elaborada seria por exemplo Ele deixou cair o 
RELGIO, enquanto que uma estrutura sintctica rica e elaborada poderia ser, por 
exemplo, O velho senhor atravessou a sala a coxear e pelo caminho levantou o lindo 
RELGIO que estava pousado na artstica mesa de mogno). Quando estas estruturas 
sintcticas foram manipuladas numa experincia, em que a tarefa dos sujeitos era aprender 
as palavras escritas a maisculas integradas nas frases, o grau de evocao das palavras 
maisculas foi em mdia de 40% para a frase com uma estrutura sintctica simples e de 80% 
para a estrutura rica e elaborada.
Embora a palavra RELGIO seja processada a nvel semntico em ambos as frases, 
as diferenas de evocao persistiram. Isto significa que o nvel de processamento s por si 
no basta. A codificao do estmulo baseada num processamento enriquecido  essencial, 
mesmo quando se trate de um processamento semntico.
Craik e Tulving (1975) propuseram que, alm da profundidade de processamento 
dos estmulos, seria de considerar o grau de extenso e de elaborao dos mesmos.
Embora no seja possvel ainda hoje ultrapassar a crtica de que a teoria dos nveis 
de processamento parece envolver um erro de tipo circular (e.g., Baddeley, 1978; Eysenck, 
1978), tem sido possvel no entanto usar esta teoria de forma bastante satisfatria na 
explicao dos resultados de experincias. Neste sentido a teoria dos nveis de 
processamento tem servido frequentemente de modelo de memria alternativo ao modelo 
estrutural de Atkinson e Shiffrin (1968).

Experincia

A experincia realizada insere-se na teoria dos nveis de processamento e tem por 
objectivo determinar o efeito de quatro tipos de tarefas de aprendizagem orientada sobre o 
nvel de reteno do material apresentado. Todas as tarefas seleccionadas eram de carcter 
semntico. Na realizao desta experincia partiu-se do pressuposto de que o grau de 
reteno dos itens estaria relacionado com o envolvimento maior ou menor do sujeito nas 
vrias tarefas semnticas a aplicar. Uma tarefa de envolvimento reduzido seria por exemplo 
a formao de anagramas, enquanto que uma tarefa de envolvimento profundo seria a 
elicitao de episdios pessoais ou avaliao da prpria personalidade.

Mtodo 
Sujeitos: A amostra foi constituda por 45 estudantes de psicologia da Universidade 
do Porto inscritos no ano lectivo de 1988/89. A grande maioria dos sujeitos pertenciam ao 
grupo etrio dos 18 - 21 anos, sendo a maioria do sexo feminino.
Material: O material era formado por uma lista de 45 adjectivos classificados 
qualitativamente em trs grupos de 15 adjectivos cada. Um grupo com conotao 
predominantemente negativa (e. g., rspido), outro grupo com conotao 
predominantemente positiva (e. g., honesto) e ainda um outro de conotao intermdia (e. 
g., brando). Foram ainda seleccionados quatro adjectivos adicionais para o ensaio de treino. 
0 preenchimento do intervalo de reteno foi ocupado com a resoluo de um problema de 
transvasamento de lquidos. A lista de palavras foi apresentada visualmente ao ritmo de uma 
palavra cada 8 segundos. Veja-se Apndice 11, p. 203.
Planeamento: A varivel independente manipulada foi o tipo de tarefa orientadora 
com cinco condies: Formao de anagramas, produo de palavras com incio silbico 
idntico, elicitao de episdios, avaliao da prpria personalidade. Estes grupo 
denominaram-se experimentais. O quinto grupo actuava como grupo de controle sem a 
incumbncia de efectuar qualquer tipo de tarefa sugerida pelo experimentador. A varivel 
dependente registada foi o nmero mdio de palavras correctamente evocadas em cada uma 
das cinco condies. Os sujeitos foram distribudos ao acaso pelos cinco grupos.
Procedimento: A experincia foi realizada em pequenos grupos e apresentada aos 
Grupos experimentais como se tratasse de avaliao de materiais para futuras experincias. 
Todos os sujeitos dos quatro grupos experimentais foram inicialmente informados de que 
aps a projeco num cran de um adjectivo em letra maiscula deveriam primeiramente 
escrev-lo na folha de respostas em letra maiscula e em seguida efectuar a tarefa para que 
tinham sido instrudos no incio da experincia em letra minscula. As folhas de respostas 
eram constitudas por 49 pequenos papis com a rea de 1/4 de uma folha M. O quinto 
grupo (grupo de controle) foi informado apenas de que iria realizar uma experincia de 
aprendizagem e memria e que deveria prestar ateno s palavras que iam ser expostas, j 
que no final teria de evocar o maior nmero delas. Houve um ensaio prtico comum aos 
cinco grupos (experimentais e controle) constitudo por uma lista de quatro adjectivos que 
no foram evocados no final. Aps um pequeno intervalo de cerca de 2 minutos deu-se 
incio  apresentao da lista de 45 adjectivos a um ritmo de um adjectivo cada oito 
segundos.
O intervalo de reteno teve a durao de 5 minutos e foi preenchido com a 
resoluo de um problema de transvasamento de lquidos. No final do perodo pediu-se 
inesperadamente aos sujeitos dos quatro grupos experimentais para evocarem durante 3 
minutos e numa ordem livre, o maior nmero de adjectivos expostos. O tipo de 
aprendizagem seguido foi portanto acidental.
As instrues especficas ministradas a cada grupo foram:         
Grupo 1 (Formao de anagramas): Se o adjectivo exposto for AUSTERO, ento 
tente elaborar um anagrama e escreva-o em letra minscula no papel. Por exemplo, para o 
adjectivo AUSTERO, o anagrama poderia ser rosutea;
Grupo 2 (Produo de palavras com incio silbico idntico). Se o adjectivo exposto 
for AUSTERO elabore uma outra palavra (adjectivo ou no) a partir da primeira slaba e 
escreva-a na folha de respostas em letra minscula. Por exemplo, a palavra austraco.
Grupo 3 (Elicitao de episdios): Se o adjectivo apresentado for AUSTERO tente 
recordar-se de um episdio da sua vida pessoal ou da vida dos seus amigos que se relacione 
com esta palavra. Por exemplo, o episdio poderia ser o facto do seu professor da 3,1 classe 
no o ter dispensado das aulas no dia de aniversrio. Depois de pensar num episdio 
indique numa escala de 1 a 7 em que medida o episdio imaginado est ou no bem situado 
no espao e no tempo. Por fim escreva o valor da avaliao  frente do adjectivo 
correspondente.
Grupo 4 (Avaliao da prpria personalidade): Aps a apresentao de cada 
adjectivo pense em que medida o adjectivo caracteriza ou no a sua personalidade. Para tal 
situe essa caracterizao numa escala de 1 a, 7. Por fim escreva o nmero da avaliao feita 
 frente do adjectivo reproduzido no papel. Por exemplo, se o adjectivo apresentado for 
AUSTERO, a avaliao de uma pessoa X poderia ser 3.
Grupo 5 (Controle): Aps a apresentao de cada adjectivo escreva-o em letra 
maiscula na folha de respostas. A sua tarefa consiste em memorizar o melhor possvel os 
adjectivos apresentados, j que iro ser objecto de um teste de memria no final da sesso.

Apresentao e anlise dos resultados

O nmero mdio de palavras correctamente evocadas em cada uma das cinco 
condies encontra-se exposto na Figura 11.1. Nesta Figura encontram-se ainda expostos os 
resultados mdios obtidos em todas as experincias realizadas desde o ano lectivo de 1987 
at 1990 e que seguiram um procedimento semelhante. No global o padro de resultados  
bastante equivalente.

Figura 11.1. Nmero mdio de palavras correctamente evocadas segundo o tipo de 
tarefa realizada, quer no ano lectivo de 1989/90 quer nos anos lectivos de 1987 a 1990. 
(Pg.197)

A observao da Figura 1.1 revela algumas diferenas entre as condies 
experimentais manipuladas. A fim de se verificar se as diferenas obtidas em 1989/90 eram 
ou no estatisticamente significativas, os dados foram objecto de uma anlise de varincia 
unifactorial. O valor obtido, F(4, 40) = 12,1, p < 0,001 revelou que as diferenas mdias 
entre as vrias condies foram altamente significativas. Comparando as vrias condies 
entre si a partir do teste de Fisher, verificou-se que as mdias dos grupos anagramas e 1 
slaba  diferiam estatisticamente dos restantes trs grupos. Por sua vez o grupo episdios 
diferiu dos grupos personalidade e controle.
Os resultados de 1989/90 indicaram ainda uma ligeira superioridade dos grupos de 
episdios e personalidade relativamente ao grupo de controle. Estas diferenas no 
foram contudo estatisticamente significativas. No entanto  de assinalar que o grupo de 
personalidade obteve sempre uma mdia ligeiramente superior de palavras correctamente 
evocadas em relao ao grupo de controle, cujos sujeitos sabiam de incio que as palavras 
apresentadas iriam ser objecto de uma prova final de evocao.
Esta experincia provou ainda que as diferenas entre aprendizagem acidental e 
aprendizagem intencional podem ser atenuadas ou at mesmo anuladas quando forem 
ministradas as instrues adequadas.

Discusso

As condies manipuladas nesta experincia revelaram que as tarefas orientadoras 
seleccionadas tiveram um efeito marcante no grau de reteno, replicando neste sentido 
vrios outros estudos publicados (e. g., Hyde e Jenkins, 1973; Craik e Tulving, 1975). 
Todavia esta experincia manipulou tarefas que envolviam somente processamento 
semntico. De facto os sujeitos de todos os grupos, antes de efectuarem a tarefa para que 
tinham sido instrudos, copiaram para a folha de respostas o adjectivo exposto. Assim  
improvvel que a cpia do adjectivo no tenha sido processada a um nvel semntico numa 
fase inicial.
Alm disto, as tarefas de anagramas e produo de palavras com 12 slaba 
idntica so para todos os efeitos tarefas que envolvem o significado das palavras, embora a 
um nvel talvez qualitativamente diferente do das tarefas de episdios e personalidade. 
Verificou-se portanto que, apesar do processamento semntico preliminar de todos os 
adjectivos, os resultados diferiram consoante o grau de processamento subjectivo de cada 
um.
Se o processamento semntico realizado implicava uma anlise profunda dos 
materiais apresentados, este tipo de processamento semntico varia provavelmente 
conforme o grau de elaborao e envolvimento pessoal dos sujeitos da experincia. Osgood 
(1953/1973) num comentrio ao clebre estudo de Bartlett sobre a anlise de esquecimento 
no conto A guerra dos fantasmas afirmou que Toda a personalidade do indivduo, as suas 
emoes, as suas atitudes e o seu quadro cultural de referncias, contribui para aquilo de 
que ele se lembra (Ob. cit., pg. 654).
Em resumo, esta experincia parece provar por um lado que o grau de reteno 
depende do modo como a informao  processada e por outro que o grau de reteno 
depende do maior ou menor envolvimento da personalidade do sujeito no processamento 
dos materiais verbais.

Bibliografia citada e recomendada

Atkinson, R. C. e Shiffrin, R. M. (1968). Human memory: A proposed system and its 
control processes. In K. W. Spence e J. T. Spence (Eds.), The psychology of learning and 
motivation: Advances in research and theory (Vol. 2, p. 89-195). New York: Academic 
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Baddeley, A. D. (1978). The trouble with levels: A reexamination of Craik and 
Lockhart's frarnework for memory research. Psychological Review, 85, 139-152.         
Baddeley, A. D. (1990). Human memory: Theory and practice. London: Lawrence 
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Bower, G. H. (1972). Mental imagery and associative learning. In L. W. Gregg 
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Cermak, L. S., e Craik, F. 1. M. (1979). Levels of processing in human memory. 
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Craik, F. I. M., e Jacoby, L. L. (1979). Elaboration and distinctiveness in episodic 
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Uppsala Unversity's 50th Anniversary. Hillsdale, N. J.: Erlbaum.         
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Psychology: Human Learning and Memory, 5, 472-84.         
Eysenck, M. W., e Keane, M. T. (1990). Cognitive Psychology: A student's 
handbook. London: Erlbaum.         
Hyde, T. S., e Jenkins, J. J. (1973). Recall for words as a function of semantic, 
graphic, and syntactic orienting tasks. Journal of Verbal Learning and Verbal Behavior, 12, 
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Lockhart, R. S., Craik, F. I. M., e Jacoby, L. L. (1976). Depth of processing, 
recognition and recall: Some aspects of a general memory system. In J. Brown (Ed.), Recall 
and recogntion. London: Wiley.         
Osgood, C. E. (1973). Mtodo e teoria na psicologia experimental. (Trad. por nio 
Ramalho). Lisboa: Gulbenkian. (Obra original publicada em 1953).         
Pinto, A. C. (1989). Relaes entre estratgias de aprendizagem e processos de 
recordao: Anlise de alguns factores cognitivos. Revista Portuguesa de Educao, 2, (2), 
25-41.         
Tulving, E. (1983). Elements of episodic memory. Oxford: Oxford University Press.

Apndice 11

Instrues gerais e especficas dos grupos experimentais: A experincia que vamos 
realizar tem por objectivo recolher informaes sobre algumas caractersticas especficas de 
adjectivos a fim de serem usados como materiais em experincias posteriores. Uma lista de 
adjectivos vai ser apresentada num cran. Os adjectivos so expostos individualmente e em 
letras maisculas ao ritmo de um cada 8 segundos. A vossa tarefa consiste em copiar cada 
adjectivo apresentado para uma das vossas folhas de respostas, tambm em letras 
maisculas, e depois efectuar a seguinte actividade (Tarefa especifica conforme os grupos 
experimentais):
Grupo 1 (Formao de anagramas): Aps a transcrio do adjectivo, tentem 
elaborar um anagrama e depois escrevam-no na folha de respostas em letras minsculas. Por 
exemplo se o adjectivo apresentado for AUSTERO, o anagrama poderia ser rosutea. 
Grupo 2 (Produo de palavras com incio silbico idntico): Aps a transcrio do 
adjectivo, tentem construir uma outra palavra (adjectivo ou no) a partir da primeira slaba do 
adjectivo apresentado e por fim escrevam essa nova palavra na folha de respostas em letra 
minscula. Por exemplo, se o adjectivo apresentado for AUSTERO a nova palavra poder 
ser austraco.
Grupo 3 (Elicitao de episdios): Aps a transcrio do adjectivo, procurem pensar 
num episdio da vossa vida pessoal ou da vida dos vossos conhecidos ou amigos. Se no 
tiverem tempo de se lembrar de um episdio inventem, mas tentem associ-lo sempre a um 
contexto real ou fictcio. Os episdios devem ser imaginados e no descritos na folha de 
respostas. Provavelmente alguns episdios estaro melhor situados no espao e no tempo do 
que outros. Assim depois de pensarem num episdio devero indicar numa escala de 1 a 7 
em que medida o episdio imaginado est ou no bem situado no espao e no tempo. Por 
fim escrevam o valor da avaliao  frente do adjectivo correspondente. Por exemplo, se o 
adjectivo apresentado fosse AUSTERO, o episdio poderia ser o facto do meu professor da 
3 classe no me ter dispensado das aulas no dia do meu aniversrio. A avaliao em termos 
de situao no espao e tempo poderia ser por exemplo 6. 
Grupo 4 (Avaliao da prpria personalidade): Aps a transcrio do adjectivo, 
tentem pensar em que medida o adjectivo caracteriza ou no a vossa personalidade. Para tal 
situem essa caracterizao numa escala de 1 a 7, em que 1 significa uma relao mnima e 7 
uma relao mxima. Por fim escrevam o nmero da avaliao feita  frente do adjectivo 
reproduzido no papel. Por exemplo, se o adjectivo apresentado fosse AUSTERO, a 
avaliao de uma personalidade fictcia poderia ser"3. Sintam-se  vontade na avaliao 
que efectuarem, j que as avaliaes apenas sero do vosso conhecimento. Vamos efectuar 
um ensaio de treino com quatro adjectivos:
austero, egosta, livre, tranquilo.
H dvidas?  Ento vamos realizar a tarefa.         
Instrues do grupo de controle: Vamos realizar uma experincia de aprendizagem e 
memria. Para o efeito vai ser apresentada uma lista de adjectivos, em letras maisculas, ao 
ritmo de um cada oito segundos. A vossa tarefa consiste em transcrev-los para cada um das 
vossas folhas de respostas em letras maisculas, e pensar sobre o adjectivo escrito, j que 
posteriormente vo efectuar uma prova de memria. (No foram feitas referncias, nem  
extenso da lista, nem ao momento  em que a prova de memria surgiria, se imediatamente 
ou aps um intervalo de reteno).

(No final da   apresentao da lista para todos os grupos de sujeitos, recolhem-se as 
folhas de respostas e entrega-se uma nova folha para a tarefa seguinte)
Agora gostaria que realizassem uma nova tarefa, considerada de raciocnio numrico 
e espacial, denominada tarefa de transvazamento de lquidos. So apresentados trs 
recipientes com volumes de 8, 5 e 3 litros cada. O maior est completamente cheio de gua. 
Os restantes esto vazios. A vossa tarefa consiste em realizar tantos transvasamentos quantos 
os necessrios de forma a que no final das vossas operaes tenham igual contedo de 
lquido nos dois vasos maiores, isto , 4 litros.         
(A realizao desta tarefa tem uma durao de 5 minutos. No final recolhe-se a folha 
de respostas anterior e distribui-se uma nova folha)
Grupos experimentais e de controle: Para concluir esta sesso gostaria que 
escrevessem o maior nmero de adjectivos na ordem que julgarem mais favorvel, 
apresentados no cran na primeira parte desta sesso. Para o efeito tm 3 minutos.

Tabela 11.1: Lista dos adjectivos apresentados na Experincia 1.1 (Pg. 203)

Nota: A ordem de apresentao dos adjectivos no foi a ordem alfabtica aqui 
apresentada, mas uma ordem ao acaso.


12

Efeito da Presena ou Ausncia de Indicadores na Aquisio e 
Evocao de Listas de Palavras

Segundo Tulving uma boa reteno no depende apenas do modo como o material  
codificado, mas depende tambm do modo com  recuperado. Assim a recuperao ser 
tanto melhor quanto mais extensa for a reposio do contexto de aquisio na fase de 
recuperao. Este estudo teve por objectivo replicar esta descoberta de Tulving, 
seleccionando algumas das condies manipuladas em Tulving e Osler (1968). Para o efeito 
seleccionaram-se 4 Grupos de sujeitos a quem foram apresentados uma lista de 25 palavras. 
Para dois Grupos, as palavras a serem evocadas estavam integradas num contexto semntico 
com palavras pouco relacionadas, isto , indicadores; Para os restantes dois Grupos, os 
indicadores estavam ausentes. Durante a fase de evocao os indicadores anteriormente 
apresentados eram repostos numa condio e omitidos noutra. Os resultados obtidos 
indicaram que a presena do mesmo indicador nas fases de codificao e evocao originou 
uma percentagem de evocaes correctas superior em relao s condies em que no 
havia tal correspondncia. Os resultados obtidos so discutidos no mbito da teoria da 
codificao especfica de Tulving e colaboradores, sendo ressaltado o papel desta teoria na 
explicao de fenmenos de esquecimento nomeadamente ao nvel do reconhecimento.

Introduo

 opinio corrente que o esquecimento no dia a dia depende do modo como a 
informao foi armazenada. Se a informao for codificada ou processada de uma forma 
profunda, elaborada e extensa, ento  provvel que resista mais facilmente ao 
esquecimento. Este facto foi alis observado na Experincia anterior.
Tulving e colaboradores (e.g. Tulving e Thomson, 1973; Thomson e Tulving, 1970; 
Tulving, 1983) embora genericamente de acordo com esta hiptese, arguram que a 
codificao por mais extensa e elaborada que fosse no era suficiente, se no se tivesse em 
conta os problemas relacionados com o processo de recuperao.
Segundo Tulving o esquecimento pode ser definitivo (esquecimento dependente do 
trao) ou transitrio (esquecimento dependente do indicador). Neste ltimo caso, a 
informao est armazenada na memria, isto , est disponvel, mas o respectivo acesso  
rduo e custoso. A dificuldade de acesso deve-se  ausncia de indicador ou pista adequada. 
Assim, para Tulving, uma boa reteno no depende apenas do modo como o material foi 
codificado, mas depende tambm do modo com o material  recuperado.
Em apoio desta tese, Tulving e Osler (1968), numa clebre experincia cujos 
resultados foram replicados por dezenas de investigadores, manipularam a presena ou 
ausncia de indicadores (ou pistas, ou contexto) na fase de codificao (apresentao de 
palavras) e na fase de recuperao (evocao de palavras. Havia nesta experincia 
condies em que os indicadores eram concordantes ou congruentes nas duas fases (1), 
condies em que os indicadores estavam ausentes nas duas fases (4), e condies em que 
eram incongruentes, isto , estavam presentes numa fase e ausentes noutra (2) ou vice-versa 
(3). Veja-se o Quadro 12.1 para uma melhor ilustrao.
Os resultados obtidos por Tulving e Osler (1968), e posteriormente por Tulving e 
outros colaboradores, revelaram um padro de resultados muito semelhante. Isto , a 
evocao era habitualmente superior no grupo em que os indicadores tinham sido 
simultaneamente apresentados na codificao e na evocao, relativamente aos grupos em 
que os indicadores no estavam presentes numa das fases.
        Na experincia realizada, Tulving e Osler (1968) usaram apenas indicadores 
remotos ou fracos. Por exemplo, os indicadores para a palavra CARNEIRO, uma das 24 
palavras da lista apresentada, foram numa experincia perna, noutra experincia gordo 
e ainda noutra experincia perna e gordo. Mesmo usando indicadores remotos, a 
evocao era normalmente superior naquelas condies em que havia congruncia de 
indicadores em relao s condies em que havia incongruncia. Por outro lado, o uso de 
dois indicadores no era superior ao uso de um. Veja-se Quadro 12.2.

Tabela 12.1: Ilustrao esquemtica do planeamento experimental seguido por 
Tulving e Osler (1968) para demonstrar o efeito da codificao especfica. (Pg. 206)

Ao comentarem estes resultados, alguns investigadores mostraram-se cpticos 
quanto s possibilidades do princpio de codificao especfica se aplicar a indicadores 
fortes. Na palavra CARNEIRO o uso dos indicadores fortes ou altamente relacionados seria 
provavelmente 1 ou ovelha e no perna ou gordo.
Considerando a pertinncia destas crticas, Thomson e Tulving (1970) efectuaram 
uma nova experincia usando indicadores fortemente associados num caso (por exemplo, 
BIFE - carne) e remotamente associados noutro (por exemplo, BIFE - faca). Neste tipo de 
experincias o item a ser evocado  a palavra escrita em maisculas.
O grupo que obteve os resultados mais elevados foi aquele em que foram 
apresentados indicadores fortes na apresentao e na evocao, como alis seria de prever 
(84%).
Todavia os resultados mais interessantes foram obtidos no grupo em que foram 
apresentados indicadores de associao remota na fase de codificao (BIFE - faca) e que 
na evocao foi dividido em dois subgrupos. Um subgrupo em que o indicador de 
associao remota da fase de codificao (BIFE - faca) foi reposto na evocao (? - faca) e 
onde se obteve 65% de palavras correctamente evocadas e o outro subgrupo em que foi 
apresentado na fase de evocao um indicador forte (? - carne) e onde se obteve apenas 
58% das palavras. Por outras palavras, se um item for codificado num determinado contexto 
semntico (por ex., BIFE - faca), o melhor processo de recuperar o referido item  
reintroduzir o contexto inicial (faca) e no usar um outro contexto (carne) mesmo que  
partida seja considerado mais pertinente.

Quadro 12.2: Principais resultados obtidos por Tulving e Osler (1968) em funo 
quer do tipo de indicadores apresentados, quer da presena ou ausncia de indicadores nas 
fases de codificao e evocao. (Pg. 207)

Tulving e colaboradores defenderam a posio que nenhum indicador, pista ou 
contexto, independentemente do maior ou menor grau de associao com o item a ser 
recordado, poderia facilitar maximamente a evocao desse item, a menos que tivesse 
estado presente na fase da codificao.
Neste sentido Tulving e Thomson (1973) formularam o princpio da codificao 
especfica, que teria por base os seguintes postulados:
1. O modo como os itens so percebidos afecta o modo como so retidos ou 
armazenados.
2. Os indicadores selecionados na altura da codificao determinam o tipo de 
indicadores que facilitaro o acesso  informao retida.
3. Quanto maior for a concordncia entre os indicadores usados na fase de 
codificao e na fase de recuperao, melhores sero os resultados obtidos.
Em sntese a hiptese de codificao especfica defende que um indicador s  
maximamente eficaz na recuperao da informao, se tiver sido usado na altura da 
apresentao na codificao dos itens. Deste modo o esquecimento a que frequentemente 
estamos sujeitos, como no caso do fenmeno da palavra na ponta da lngua,  um 
esquecimento dependente do indicador. Nestes casos a informao est disponvel na 
memria, simplesmente o respectivo acesso est dificultado ou impedido. Assim certos tipos 
de esquecimento no indicam s por si uma ausncia permanente de trao na memria    
antes podem revelar uma dificuldade de acesso num determinado momento.
Aplicando o princpio de codificao especfica a situaes extra-laboratoriais tem-se 
verificado que o grau de evocao  superior naquelas condies em que h uma 
concordncia de indicadores entre as fases de codificao e de evocao. Por exemplo, 
Godden e Baddeley (1975) verificaram que a evocao de listas de palavras por parte de 
mergulhadores era superior sempre que se verificava uma concordncia de contexto fsico 
entre as fases de apresentao e de evocao relativamente s condies em que havia 
discordncia, conforme pode ser observado no Quadro 12.3.

Quadro 12.3: Principais resultados obtidos por Godden e Baddeley (1975) numa 
experincia em que o contexto fsico foi manipulado nas fases de codificao e evocao 
(Pg. 208)

Esta experincia parece provar que a memria, ou mais propriamente a recordao, 
est dependente do contexto externo, j que o grau de reteno  superior nas situaes em 
que a aquisio e a evocao ocorrem no mesmo ambiente fsico, relativamente a situaes 
em que a aquisio e a evocao ocorreram em ambientes diversos.
Se na realidade esta dependncia do contexto se verifica haver alguma 
possibilidade de nos libertarmos dela, j que na maioria dos casos a aquisio de informao 
 efectuada num contexto e recordada noutro. Por exemplo, os estudantes efectuam a 
aquisio de conhecimentos em locais como a sala de aula, a biblioteca, o quarto de estudo, 
o caf, etc., e mais tarde vo ser sujeitos a um exame numa sala onde provavelmente no 
tiveram aulas e onde certamente nunca estudaram. Tendo em conta o princpio da 
codificao especfica no ser que os estudantes iro ser prejudicados com a diversidade 
de ambientes?
Uma experincia efectuada por Smith (1979) parece sugerir, que em determinadas 
circunstncias  possvel uma pessoa libertar-se da influncia do contexto fsico. Smith 
(1979) apresentou a um grupo de 60 sujeitos uma lista de 80 palavras para estudo. A 
apresentao da lista foi feita na cave de um edifcio de cinco andares, decorada com 
tapetes e cortinas cor de laranja, vrios posters e gravuras nas paredes, alm de mesas e 
cadeiras. No final houve um pequeno teste de reconhecimento de apenas algumas palavras 
a fim dos sujeitos pensarem que a sesso tinha terminado. No entanto todos os sujeitos 
foram solicitados a comparecer no dia seguinte.
Na segunda sesso o grupo inicial de 60 sujeitos foi dividido em trs grupos:
1. O primeiro grupo foi convidado a evocar as palavras da lista apresentada no dia 
anterior no mesmo meio ambiente em que a lista tinha sido apresentada, isto , a cave do 
edifcio;
2. O segundo grupo foi convidado a deslocar-se a uma sala do 5 andar ocupada com 
equipamento informtico a quem foi tambm pedido para evocar a lista apresentada no dia 
anterior.
3. Um terceiro grupo efectuou a evocao numa sala diferente da do dia anterior, 
mas antes da prova de evocao propriamente dita os sujeitos foram convidados durante 
alguns minutos a formarem uma imagem da sala da cave, onde decorrera a experincia da 
vspera e a enumerarem os objectos a vistos. S depois desta tarefa  que iniciaram a 
evocao.
O nmero de palavras evocadas nos trs grupos foi respectivamente de (18,0), 
(12,0) e (17,2). Como os dados obtidos pelo 1 e 3 grupos so muito semelhantes, os 
resultados sugerem que no  imprescindvel a reposio fsica do contexto presente na fase 
de codificao no momento da evocao, se os sujeitos forem capazes de repor o referido 
contexto a partir da elaborao de imagens mentais.
Se a memria  afectada pelo contexto externo, ser que o contexto interno 
apresenta tambm alguma influncia?  do conhecimento geral que as situaes de sucesso 
so acompanhadas por sentimentos de orgulho e as situaes de fracasso por sentimentos de 
desnimo. No contexto de cada uma destas situaes recordmo-nos mais facilmente de 
sentimentos congruentes com a situao actual do que com sentimentos divergentes. Se 
estamos tristes lembramo-nos mais facilmente de situaes tristes passadas connosco do que 
de situaes alegres. Se estamos alegres lembramo-nos mais facilmente de situaes alegres 
passadas do que de situaes tristes.
Bower e colaboradores (e.g., Bower, Monteiro e Gilligan, 1978) estudaram o modo 
como a memria estaria relacionada com certos estados emocionais do sujeito. Numa 
experincia realizada, estes investigadores usaram a hipnose para induzir nos sujeitos 
comportamentos tristes ou alegres. Estas emoes foram conseguidas pedindo aos sujeitos 
sob hipnose para evocarem ou recriarem uma cena que sugerisse uma emoo alegre ou 
uma emoo triste. Conseguido o estado emocional pretendido, foram apresentados aos 
sujeitos duas listas de palavras que mais tarde evocaram num contexto emocionalmente 
congruente com o contexto inicial ou num contexto divergente.

Figura 12.1: Resultados obtidos por Bower, Monteiro e Gilligan (1978) numa 
experincia em que o contexto emocional foi manipulado nas fases de codificao e 
evocao. (Pg. 210)

Os resultados indicaram que a memria  de facto afectada pelo estado emocional. 
Assim verificou-se que quanto maior fosse a concordncia entre o estado emocional na fase 
de aquisio e na fase de evocao melhor seria o grau de evocao, conforme pode ser 
observado na Figura 12.1. A superioridade de evocao em contextos emocionais 
congruentes tem sido observado em diversos estudos (e.g., Frijda, 1986; Clark e Teasdale, 
1982, Bower, 1981; Blaney, 1986).
Os efeitos do contexto, quer fsico quer orgnico, na aquisio e reteno de 
informao apenas tm sido observados quando a prova de memria aplicada  a evocao. 
No entanto se a prova for de reconhecimento raramente se observam efeitos de contexto na 
memria. Parece assim deduzir-se que o esquecimento relacionado com aspectos 
contextuais seria devido a factores que actuam na fase de recuperao e no a factores 
relacionados com a fase de aquisio. Se tais factores estivessem relacionados com a fase de 
aquisio, ento o efeito do contexto seria tambm observado numa prova de 
reconhecimento (e.g., Eich, 1980; Bower e Cohen, 1982).
Em resumo, o princpio de codificao especfica  uma das contribuies recentes 
mais inovadoras nos estudos de aprendizagem e memria humanas, ao permitir uma 
explicao bastante satisfatria do esquecimento observado em diversas situaes 
contextuais, quer externas quer internas. Embora o nmero de estudos realizados neste 
domnio seja bastante elevado, h ainda bastante a esperar das aplicaes destas 
investigaes laboratoriais a situaes extralaboratoriais.


Experincia

Esta experincia teve por objectivo investigar os efeitos da congruncia e 
incongruncia do contexto semntico com a apresentao de listas de 25 palavras. Na 
apresentao da cada palavra da lista havia uma condio em que a palavra a ser recordada 
era acompanhada por outra palavra associada (o indicador) e uma segunda condio em que 
no havia qualquer indicador. Na evocao havia tambm condies em que os indicadores 
estavam presentes e ausentes. Esta experincia  uma verso abreviada do estudo de 
Tulving e Osler (1968) e pretende replicar o efeito da presena ou ausncia de indicadores 
nas fases de aquisio e de evocao.

        Mtodo 
Sujeitos: A amostra foi constituda por 56 estudantes de psicologia da Universidade 
do Porto inscritos no ano lectivo de 1987/88. A grande maioria dos sujeitos pertenciam ao 
grupo etrio dos 18 - 21 anos, sendo a maioria do sexo feminino.
Planeamento: As variveis independentes manipuladas foram: (1) Presena-ou 
ausncia de indicadores na fase de codificao com duas condies: a) Presena de 
indicadores; b) Ausncia de indicadores. (2) Presena ou ausncia de indicadores na fase de 
evocao, tambm com duas condies: a) Presena de indicadores; b) ausncia de 
indicadores. As condies de cada varivel independente foram organizadas segundo um 
plano factorial 2x2, do tipo ilustrado no Quadro 12.1.
Os participantes nesta experincia foram distribudos aleatoriamente por cada um 
dos quatro Grupos, correspondendo cada um destes grupos a uma das quatro condies 
experimentais.
A varivel dependente registada foi o nmero de palavras correctamente evocadas 
em cada uma das quatro situaes anteriormente descritas.
Material: Foi seleccionada uma lista de 25 palavras para a realizao da experincia 
propriamente dita, e ainda uma lista prtica constituda por apenas trs palavras. As palavras 
tinham uma frequncia mdia na lngua portuguesa. Cada palavra a ser evocada foi 
apresentada visualmente no centro de um slide, durante quatro segundos, escrita a cor preta 
e em letras maisculas. Nas condies 3 e 4 foram apenas apresentadas estas palavras 
maisculas. Nas condies 1 e 2, estas palavras maisculas foram acompanhadas no canto 
inferior esquerdo de indicadores, isto , palavras escritas a minsculas e parcialmente 
relacionadas com os itens a serem evocados. Veja-se Tabela 12.1, p. 219. .No final da 
apresentao de cada lista e antes do perodo de evocao foram apresentadas duas listas 
com doze operaes aritmticas (somas, subtraces, multiplicaes, divises) que os 
sujeitos deveriam efectuar durante 30 segundos. O objectivo era absorver o efeito de 
recncia.
Procedimento: No incio da sesso os sujeitos foram informados de que a 
experincia consistia numa prova de aprendizagem e memria e noutra prova de rapidez 
aritmtica. Em seguida foram lidas as instrues seguintes conforme as condies em que os 
sujeitos se integravam:         
(1) Na fase de apresentao das palavras:
a) Aos Grupos 1 e 2 foi dito que iria ser apresentada uma lista de 25 palavras, sendo 
cada uma delas apresentada em letras maisculas durante 4 segundos no centro superior de 
um slide. Os sujeitos deveriam prestar-lhes toda a ateno, j que mais tarde seriam objecto 
de uma prova de evocao.
Foi ainda acrescentado que no mesmo slide apareceria outra palavra relacionada 
com a palavra a ser evocada no canto inferior esquerdo e em letras minsculas. Estas 
palavras escritas a minsculas no eram para evocar posteriormente, mas seria conveniente 
prestar-lhes alguma ateno, j que poderiam facilitar a prova de memria.
A tarefa aritmtica consistia na apresentao de doze operaes aritmticas de 
somar, subtrair, multiplicar e dividir, sendo a tarefa dos sujeitos resolver o maior nmero de 
operaes apresentadas.
b) Aos Grupos 3 e 4 foi dito que iria ser apresentada uma lista de 25 palavras, sendo 
cada delas apresentada em letras maisculas durante 4 segundos no centro superior de um 
slide. Os sujeitos deveriam prestar-lhes toda a ateno, j que mais tarde estas palavras 
seriam objecto de uma prova de evocao. Os sujeitos foram ainda informados da prova 
aritmtica nos mesmos termos dos Grupos 1 e 2.         
(2) Na fase de evocao das palavras:
Aos Grupos 1 e 2 foram dadas as seguintes instrues por escrito, j que os sujeitos 
de ambos os Grupos tiveram uma apresentao das palavras idntica.
a) Ao Grupo 1 foi dito que tentassem evocar o maior nmero de palavras que 
anteriormente tinham sido apresentadas em letras maisculas no centro superior de cada 
slide. A ordem de evocao seria livre e dispunham para tal de 2 minutos. Foi ainda referido 
que no lado esquerdo da folha das respostas se encontravam as palavras escritas em 
minsculas por ordem alfabtica que foram apresentadas durante a exposio da lista. O 
objectivo da incluso destas palavras escritas a minsculas era auxiliar a evocao do sujeito, 
j que apresentavam uma certa semelhana com as palavras escritas a letras maisculas.
b) Aos sujeitos do Grupo 2 foi apenas dito que tentassem evocar livremente o maior 
nmero de palavras expostas em letras maisculas e apresentadas no canto superior de cada 
slide durante 2 minutos.
        Os sujeitos dos Grupos 3 e 4, que tiveram uma apresentao idntica da lista, foram 
instrudos por escrito da forma seguinte.
c) Ao Grupo 3 foi dito que durante 2 minutos tentassem evocar livremente o maior 
nmero de palavras que tinham sido expostas em letras maisculas no centro superior de 
cada slide. Foi ainda referido que no lado esquerdo da folha de respostas havia uma lista de 
25 palavras por ordem alfabtica que apresentavam uma certa semelhana com as palavras a 
evocar. O objectivo da incluso desta lista de palavras era facilitar o processo de evocao.
d) As instrues escritas apresentadas ao Grupo 4 foram idnticas s do Grupo 2.

Quadro 12.4: Nmero mdio de palavras correctamente evocadas em cada uma das 
quatro condies em 1989/90. Entre parnteses os resultados mdios obtidos desde 1987 
at 1990. (Pg. 214)

Apresentao e anlise dos resultados

O nmero mdio de palavras correctamente evocadas em cada uma das quatro 
condies, encontra-se exposta no Quadro 12.4. Neste Quadro encontram-se ainda expostos 
os resultados mdios obtidos desde o ano lectivo de 1987 at 1990. A fim de se verificar se 
as diferenas entre os quatro Grupos em 1989/90 eram ou no estatisticamente 
significativas, aplicou-se uma anlise de varincia bifactorial. Esta anlise revelou que as 
mdias obtidas no eram estatisticamente significativas ao nvel da codificao, F(1,52)<l, 
mas eram ao nvel da evocao, F(1,52) = 8,8, p = 0,005, e da interaco entre as duas 
variveis, F(1,52) = 16,1, p = 0,0002. Afirmar que a interaco entre as duas variveis 
principais foi significativa significa que a eficcia da codificao dos itens depende do modo 
como so evocados.
        O Quadro 12.4 indica que os melhores resultados foram obtidos no Grupo 1, onde se 
verificou uma concordncia objectiva de indicadores entre as fases de codificao e de 
evocao. O segundo resultado mais elevado foi no Grupo 4 onde ter havido tambm uma 
concordncia de indicadores, mas subjectiva, elaborados pelo sujeito em vez de serem 
sugeridos pelo experimentador. Os resultados inferiores observaram-se nos Grupos 2 e 3 
onde no se verificou a concordncia de indicadores nas duas fases. Este padro de 
resultados  globalmente equivalente aos resultados obtidos inicialmente por Tulving e 
Osler (1968), assim como noutros estudos posteriores (Tulving, 1983).

Discusso

O modelo de codificao especfica prope que os itens a serem recordados numa 
tarefa de memria so codificados de forma nica e especfica e de acordo com o contexto 
em que foram adquiridos. O contexto inclui estmulos externos e estmulos internos.
Os estmulos externos podem ser, quer o meio ambiente fsico em que se realiza a 
tarefa, quer a presena de outros itens verbais que acompanham o item a ser recordado e 
que foram manipulados pelo experimentador. Os estmulos internos so gerados pelo 
prprio sujeito e referem-se, quer a estados emocionais e a situaes de agrado e desagrado 
provocados pela situao no sujeito, quer a manipulaes dos estados internos do sujeito 
resultantes da ingesto de drogas ou elicitao de disposies emocionais atravs de 
sugestes hipnticas.
Assim quanto maior for a extenso entre a sobreposio do contexto de codificao 
com o contexto de recuperao, maior ser a facilidade de recuperao dos itens.  por esta 
razo que muitas vezes a audio de uma msica antiga, certos aromas campestres ou 
sabores de alimentos nos trazem inesperadamente  memria recordaes antigas. Nestes 
casos, a msica, os aromas e sabores actuam como indicadores que repem na evocao o 
contexto inicial de codificao da informao.
O modelo de codificao especfica consegue explicar ainda alguns fenmenos 
tpicos do esquecimento no dia a dia. Um deles  o caso frequente de depararmos com uma 
pessoa na rua e cujo rosto nos  familiar apesar de no sabermos donde, vindo-se a 
descobrir mais tarde que se trata de uma figura da televiso ou de um funcionrio de uma 
repartio pblica. (Tambm pode acontecer com um amigo ou familiar encontrados 
inesperadamente no avio ou na esplanada de um caf numa cidade estrangeira). Esta 
dificuldade deve-se  falta do contexto em que habitualmente a pessoa, se insere e que foi 
codificado com ela, mas est em grande parte ausente no momento de reconhecimento.
Sem o contexto adequado o reconhecimento torna-se bastante rduo e custoso. 
Neste sentido Tulving e colaboradores demonstraram a existncia de um fenmeno 
aparentemente contra-intuitivo: A recordao de itens numa tarefa episdica pode ser mais 
difcil sob uma prova de reconhecimento do que sob uma prova de evocao. Para tal basta 
que o nmero de indicadores repostos na altura da prova seja menor ou menos adequado no 
reconhecimento do que na evocao (Tulving e Thompson, 1973; Watkins e Tulving, 1975; 
Tulving, 1983). Assim se um dia no for capaz de reconhecer um amigo, primeiramente 
pea-lhe desculpa e depois fale-lhe da teoria de codificao especfica!

Bibliografia citada e recomendada

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Journal,of Cognitive Psychology, 1, 3-26.         
Tulving, E., e Osler, S. (1968). Effectiveness of retrieval cues in memory of words. 
Journal of Experimental Psychology, 77, 593-601.         
Tulving, E., e Thomson, D. M. (1973). Encoding specificity and retrieval processes 
in episodic memory. Psychological Review, 80, 352-373.         
Watkins, M. J., e Tulving, E. (1975). Episodic memory: When recognition fails. 
Journal of Experimental Psychology: General, 104, 5-29.

Apndice 12

(1) Instrues na fase de apresentao das palavras: 
Grupos 1 e 2: Nesta sesso vamos realizar duas tarefas, uma de aprendizagem e 
memria e outra de rapidez aritmtica. Na 10 tarefa vai ser apresentada uma lista de 25 
palavras no centro superior de um slide, em letras maisculas, durante 4 segundos cada. 
Prestem-lhes ateno, j que mais tarde sero convidados a evoc-las.
No mesmo slide aparece ainda uma outra palavra no canto inferior esquerdo e em 
letras minsculas que est relacionada com a palavra a ser evocada. Estas palavras a 
minsculas no so para evocar, mas ser conveniente prestar-lhes alguma ateno, j que 
podero facilitar a evocao.
A tarefa aritmtica consiste na apresentao de 12 operaes de somar, subtrair, 
multiplicar e dividir. Calculem mentalmente o resultado e depois escrevam-no na folha de 
respostas.
Grupos 3 e 4: Idntico aos Grupos 1 e 2 tendo sido suprimido o 2 pargrafo (No 
mesmo slide ... a evocao).

(2) Instrues na fase de evocao das palavras:
Se a experincia no for realizada individualmente  aconselhvel apresentar as 
instrues de evocao por escrito a cada participante.
Grupo 1: Tentem evocar livremente, por favor, o maior nmero de palavras 
apresentadas em letras maisculas durante 2 minutos.
No lado esquerdo da folha de respostas encontra-se uma lista de palavras por ordem 
alfabtica que foram apresentadas durante a exposio da lista. Estas palavras podem ser de 
algum auxlio, pois apresentam uma certa semelhana de significado com as palavras a 
evocar.
Grupo 2 e 4. Instrues idnticas s do Grupo 1 tendo sido suprimido o 2 pargrafo 
(No lado ... a evocar.).
Grupo 3: Incio idntico ao l pargrafo do Grupo 1, sendo acrescentado a seguir:
No lado esquerdo da vossa folha de respostas h uma lista de 25 palavras por ordem 
alfabtica. Estas palavras podem ser de algum auxlio, pois apresentam uma certa 
semelhana de significado com as palavras a evocar.

Tabela 12.1: Listas de itens a serem evocados em maisculas e respectivos 
indicadores em letras minsculas. (Pg. 219)

Nota: Nesta experincia basta apenas apresentar uma lista aos 4 Grupos, que tanto 
pode ser a lista 1 com a lista 2. No caso de cada Grupo ser subdividido em 2 ou 4 subgrupos 
pode-se apresentar a metade deles a lista 1 e  outra a lista 2 de forma a contrabalancear a 
ordem das listas pelos sujeitos ou subgrupos.
